Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

As artes, no geral, são parte da narrativa do processo de libertação do país e de toda a história subsequente. Nomes como José Craveirinha, Noémia de Sousa e Malangatana Ngwenha são disso a prova. Mas e a música?

O Chefe do Estado, Filipe Jacinto Nyusi, na passagem pelo Friends Studio, no bairro Minkadjuine, no âmbito da visita de trabalho de três dias à cidade de Maputo, reconheceu que o papel desempenhado pelos músicos, igualmente, merece o olimpo.

“O país tem dívida para com os músicos, que, em todos os momentos e, nas diferentes gerações, estiveram a contribuir para a nossa cultura”, admitiu o Presidente da República, dirigindo-se aos artistas que se encontravam naquele lugar para o receber.

O encontro, que durou pouco mais de meia hora, juntou diferentes gerações representadas por nomes de “sola gasta”, “a espreitar os calcanhares”, como Roberto Chitsondzo, António Marcos, Wazimbo e os mais jovens, entre eles Humberto Luís  e Nelo João, para além dos intermédios Nelton Miranda e Roberto Isaías, entre outros. 

Filipe Nyusi recordou que esta classe, através da sua arte, buscando, nalguns casos, sonoridades tradicionais de diferentes regiões de Moçambique, para as sustentar, acompanhou a libertação, “o momento baixo e agora que tudo pode acontecer”.

Neste pronunciamento reconheceu, portanto, a sua entrega que se evidencia, por exemplo, no facto de, ainda na era colonial, com xigogogwana (guitarra feita a partir de lata de azeite de cinco litros), do instrumento precário, terem cantarolado as dores da sua gente e, não obstante, a partir daí terem chamado atenção até dos mais críticos.

Neste sentido, o Presidente vai de acordo com o historiador Rui Laranjeira, que terá escrito que a música, particularmente a marrabenta, na Associação Africana (AA) e no Centro Associativo dos Negros da Província de Moçambique (CANPM), sob liderança de José Craveirinha e Samuel Dabula Nkumbula, contribuiu para a consciência da identidade dos africanos.

“O artista liberta-se e essa libertação é que é a moçambicanidade”, afirmou o Filipe Nyusi, assumindo que os músicos são um veículo para difusão da cultura nacional, exibindo os traços peculiares que constituem as referências do ser moçambicano.

Sem puritanismos, aplaudiu a evolução que a música está a assistir nas mãos de alguns jovens, tendo comentado, inclusive, estar a acompanhar com satisfação que algumas vozes estão a perceber que o país pode contribuir para o enriquecimento das melodias africanas.

Entretanto, defendeu a necessidade de os músicos nacionais com a carreira já sólida, juntarem-se aos mais novos para partilha das experiências adquiridas ao longo de vários anos, em diferentes contextos.  

O conselho de Nyusi, com os olhos pousados em Roberto Chitsondzo e Wazimbo, foi nos seguintes termos: “não se cansem de apoiar os vossos mais novos”. De igual modo, referiu-se aos mais jovens, dizendo: “o mais novo tem de saber aceitar”.

No que respeita ao Friend Studio, onde conheceu as salas onde são gravadas as músicas, desde a captação que mereceu a explicação de Nelton Miranda e de outro jovem que trabalhava na introdução da bateria numa música, disse ser uma iniciativa inspiradora.

Depois de alguns esclarecimentos sobre o funcionamento da maquinaria, o PR foi recebido no lounge da casa pela voz de Nelo João que, com o suporte de vozes de alguns colegas, interpretavam uma canção improvisada para a circunstância.

“É de louvar esta iniciativa do jovem Faizal Jumá”, expressou Filipe Nyusi, a frisar que “cabe ao Governo potenciar o sector cultural, apoiar para viabilizar e similares que ajudam a melhorar a qualidade da nossa música”.

Sons da Unidade

Faizal Jumá, que orientava a visita, apresentou ao Chefe do Estado um projecto inovador, designado “Sons da Unidade”, que consistirá na gravação de músicos das zonas recônditas, postos administrativos distantes, que de outra forma não teriam como o fazer.

Em resposta, o Presidente da República disse “é uma ideia bem-vinda que eu “compro”, depois, em conjunto, veremos como poderemos trabalhar para torná-la possível”.

De acordo com a explicação de Jumá, a mesma visa deixar um legado de Filipe Nyusi na música, na medida em que “Sons da Unidade” vai culminar com uma compilação em disco de algumas músicas, no qual estarão representados artistas do Rovuma ao Maputo.

“Vamos buscar o Moçambique real, o objectivo é trabalhar com músicos que nunca gravaram devido às suas condições financeiras e, através da música, unir o país”, afirmou Jumá.

Prosseguiu esclarecendo que as captações serão feitas por um estúdio móvel, a mistura e todo o trabalho final será feito no estúdio de Minkadjuine.

Preservar a história

e valorizar a cultura

Friend Studio é, segundo a explicação que foi dada ao Presidente da República, um dos estúdios mais avançados da região austral de África, estando, por conseguinte, a receber artistas cabo-verdianos e angolanos regularmente para ali produzirem os seus trabalhos.

Está localizado na periferia da cidade de Maputo, no bairro de Minkadjuine, que pertence ao distrito municipal Nlhamankulu, fazendo fronteira com os bairros da Mafalala, Alto Maé e Xipamanine.

Trata-se de uma zona pertencente aos primeiros subúrbios da antiga Lourenço Marques que começaram a constituir-se, sobretudo, depois da prisão de Ngungunhane, em 1885, com a expropriação das populações da Maxaquene.

O historiador Aurélio Rocha, no seu estudo intitulado “Associativismo e Nativismo em Moçambique: Contribuição para o Estudo das Origens do Nacionalismo Moçambicano”, publicado em 2002, escreve que a área composta pela Mafalala, Chamanculo, Munhuana e Hulene, a que pertence Minkadjuine, foi “delimitada a área do Conselho de Lourenço Marques por decreto de 1 de Agosto de 1903 para efeitos de concessão de terrenos, o limite dos subúrbios da cidade”.

Foi nestas cercanias, como explica outro historiado, Rui Laranjeira, que a partir de 1930 surgiram as primeiras manifestações da Marrabenta, ritmo simbólico para o país. Por outro lado, é um bairro que já ofereceu alguns ícones na área das artes nacionais.

Minkadjuine acolheu nomes como Miguel Chiau, João Cabaço, António Marcos, Noel Langa, para citar apenas alguns exemplos.

Há, ainda, vestígios da vida dos subúrbios lourençomarquinos, nomeadamente, as casas de madeira e zinco, que se pretende elevar à categoria de património cultural da cidade de Maputo e, quiçá, do país, pelo seu valor histórico.

“Escolhemos este lugar pelo seu valor histórico, está próximo ao bairro da Mafalala e, a partir daqui, ainda é possível ver as casas de madeira e zinco”, esclareceu Faizal Jumá. Por outro lado, assumiu a vontade de capitalizar o turismo na zona.

Contou que a iniciativa começou em 2012, a sua fase de concepção, em 2013, foi a aquisição do equipamento nos Estados Unidos da América e, finalmente, em 2016 a inauguração.

“É verdade que o mundo está em crise, mas nem por isso podemos deixar de abraçar a cultura que é a nossa identidade e é o que vai nos diferenciar dos cidadãos das outras partes do mundo”, reforçou.

Um país, prosseguiu, não pode desenvolver ignorando a sua cultura, pois essa é a sua essência, retrata e representa cada moçambicano.

“O facto do Chefe do Estado ter abraçado o projecto já mostra que vale a pena continuar na área”, concluiu.

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