Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

A expansão da rede nacional de energia eléctrica para o distrito de Macossa, norte da província de Manica, impulsionou a construção de casas melhoradas e o desenvolvimento da actividade comercial na vila sede. Os painéis solares e as baterias, que eram meios alternativos, foram substituídos pela instalação da energia convencional.

Mateus Anicho, comerciante local, revelou que a energia eléctrica trouxe uma “verdadeira revolução”, depois de muito tempo, que era preciso ter painéis solares para conseguir energia nas casas. “Já podemos trazer peixe fresco, carne, frangos, a partir de Chimoio ou da Beira e outros produtos que precisam de ser conservados em congeladores e geleiras para serem vendidos cá em Macossa”, disse Mateus Anicho.

Armindo Pitaland, residente num dos bairros periféricos da vila sede de Macossa, disse estar satisfeito com a nova realidade, decorrente da energia eléctrica, porque, hoje, carrega seus celulares e os da família sem sair de casa e usa televisão, bem como outros eletrodomésticos.

Segundo o serralheiro Prisito Manuel Dança, a sua profissão só ganhou expressão com a chegada de energia eléctrica de rede nacional, pois as máquinas precisam de uma boa corrente para poderem funcionar plenamente.

“Nos tempos tínhamos um gerador de energia eléctrica, o que implicava o uso de combustível para abastecer o gerador, tornando o trabalho menos rentável, o que complicava a actividade, por implicar desligar e ligar constantemente, como forma de poupar o combustível e os custos de produção. Consequentemente, o preço do produto final tornava-se elevado”, frisou Prisito Dança. 

Ao nível de instituições públicas, as mudanças são notórias. Os funcionários reagiram positivamente à chegada da energia eléctrica de Cahora Bassa, destacando-se a informatização de dados, uso regular de internet, bem como a facilidade de envio e recepção de relatórios e outros materiais.

No sector da Saúde, por exemplo, a nível das unidades sanitárias houve melhoria de serviços, principalmente, no uso de equipamentos que funcionam à energia eléctrica, assim como nos serviços de que dela dependem, como partos no período nocturno, que foram facilitados, conforme referiu o médico-chefe do Centro de Saúde local, Rogério Miranda.

“Nós temos uma mais-valia, na medida em que o nosso serviço melhorou, porque dependíamos, para o pleno funcionamento, dos órgãos dos sentidos como a visão. Então, a energia eléctrica aumentou a nossa visibilidade, pois, anteriormente, os nossos partos eram assistidos usando lanternas, mas, actualmente, as parturientes são atentidas em salas iluminadas, e em condições propícias”, salientou Miranda.

Fraca afluência na maternidade de Nhamagua  

A fraca afluência de mães grávidas à maternidade preocupa as autoridades sanitárias do Centro de Saúde de Nhamagua, em Dunda, o que contribui para a ocorrência de mortes materno-infantis.

Segundo a técnica da Saúde afecta no centro hospitalar de Nhamagua, Lúcia Obedio, as longas distâncias, que separam as comunidades da unidade sanitária podem estar na origem da fraca afluência de mães, registando desta forma números abaixo em relação à meta estabelecida mensalmente, que é de 34 mulheres grávidas. 

Lúcia Obedio disse ainda que o número referente a consultas de planeamento familiar caiu para uma média de 80, contra uma meta de 167 ao mês, estando na origem desse declínio, motivos relacionados com a má aplicação dos métodos anti-conceptivos.

“Há mães que, por exemplo, escolhem o método de pílulas, que, entretanto, por não seguirem rigorosamente os procedimentos, acabam tendo uma reacção contrária, influenciando assim outras mulheres a não aderirem ao planeamento familiar, só porque elas não seguiram as regras”, disse a técnica. Acrescentou que os agentes de saúde materno-infantil têm explicado às mães todos os métodos de planeamento familiar existentes na unidade sanitária, mostrando as vantagens e desvantagens de cada um, cabendo a cada mãe a escolha daquele que acharem melhor para si.

Para inverter a situação, segundo Lúcia Obedio, são promovidas palestras nas comunidades, com a ajuda de líderes locais e parteiras tradicionais (matronas) sobre a importância do planeamento familiar, quer nas comunidades como no hospital, durante as consultas pré e pós natais.

PARTOS INSTITUCIONAIS SOBEM EM MUSSANGAZE

No entanto, na maternidade do Centro de Saúde de Mussangaze, em Macossa-sede, registou uma subida do número de mulheres que fizeram partos institucionais, de Janeiro a Junho do ano em curso, ao atingir 86 partos, contra 76, no período análogo de 2017.

O facto foi dado a conhecer pela enfermeira de Saúde Materna Infantil, Covaela Rafael Jaquissone, que considerou de “gradual” a mudança de comportamento de mães, dentro das comunidades, como consequência do trabalho de mobilização, que tem sido feito pelas técnicas durante as consultas pré-natais.

 Covaela disse ainda que a mobilização tem sido levada a cabo com a ajuda de líderes comunitários e referiu-se a uma grande contribuição no processo de parteiras tradicionais.

As comunidades mais distantes, como Nhacapandira, Munhene Zembe, Nhampassa e Muase, que se localizam a mais de 50 quilómetros do centro de saúde de Nhamagua, e as que vivem nas proximidades, têm frequentado regularmente às consultas pré e pós-natais.

MALNUTRIÇÃO EM NHAMAGUA

Há registo de casos de malnutrição em crianças, em Nhamagua, posto administrativo de Dunda, distrito de Macossa, apesar de a população produzir alimentos, cujo consumo adequado evitaria este mal – disse a técnica de saúde afecta àquela unidade sanitária, Lúcia Obedio, afirmando que no primeiro semestre do ano em curso 34 crianças deram entrada naquela unidade sanitária, por causa da desnutrição.

Segundo a referida técnica, a malnutrição acontece naquelas comunidades, em que grande parte das mães não consegue cuidar devidamente os seus bebés, no que diz respeito à alimentação, bem como outros cuidados necessários, causados pela falta de planeamento familiar.

“No momento em que o bebé precisa de mais cuidados, a mãe já tem outra gravidez ou outro bebé. Uma mãe grávida geralmente já não presta muita atenção ao bebé. Ela está mais preocupada com a sua gravidez. Está muito estressada e o bebé já passa a não ter o número habitual de refeições e dessa forma ele começa a ter vários problemas”, disse Lúcia Obedio,

Falando especialmente da combinação de alimentos, a técnica referiu que a população local cria animais, como galinhas, cabritos, porcos e, nalguns casos, ovelhas, mas preferem vender, sempre que lhes falta dinheiro para resolver algum problema familiar. Nunca abatem para comer, o que poderia contribuir para uma boa nutrição.

“Mesmo no final da campanha agrícola, as esposas é que cuidam de tudo em casa e acabam vendendo toda a produção para comprar sabão, açúcar, sal, desleixando a parte da alimentação da criança” denunciou Lúcia, para depois acrescentar que as mães têm recebido instruções sobre como combinar e preparar os alimentos para além de suplementos alimentares para os bebés e controlo de vacinas.

Macossa recebe nova ambulância  

O Centro de Saúde de Macossa recebeu recentemente uma ambulância para viabilizar as suas actividades no transporte de doentes das unidades sanitárias periféricas para a sede.

Segundo o médico-chefe daquela unidade sanitária, Rosário Miranda, a alocação da ambulância vai sanar as dificuldades que o hospital vinha enfrentando, principalmente no transporte de doentes e de mães grávidas em situação grave para Catandica.

De acordo com o administrador de Macossa, Goodfree Chipalmire, a falta de meios de transporte naquela unidade sanitária reflectia-se em partos caseiros e mortes materno-infantis. “Uma vez tive de socorrer uma mãe com a viatura da administração”, disse o administrador, visivelmente aliviado.

 A fonte disse esperar que nos próximos anos a subida de partos institucionais continue a registar-se e para que isso aconteça  “estamos a alargar o nosso raio de mobilização, às comunidades, nos mercados, e sempre que temos oportunidade para fazê-lo", afirmou.

Comunidades fiscalizam caça furtiva em Macossa

Em Macossa, distrito onde se localizam duas coutadas, comunidades vivendo em zonas vizinhas das áreas de conservação concessionadas, participam da fiscalização, contra caçadores furtivos de animais e abate de espécies florestais e madeireiras, bem como queimadas descontroladas. Esta última prática é feita com o pretexto de caça à ratazana.

De acordo com a directora substituta, dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), Lídia Muchanga, existem a nível do distrito, um total de quatro comités de gestão de recursos florestais e faunísticos, que trabalham em colaboração com os fiscais, no controlo dos recursos naturais em referência, fazendo patrulhamento para impedir a acção de furtivos nas áreas de concessão.

Está a reduzir a ocorrência de furtivos, porque a população está envolvida na fiscalização. A outra medida adoptada para reforçarmos o controlo das suas actividades tem sido a fiscalização das casas onde era vendida a carne conseguida na caça furtiva e dos locais onde se confeccionava alimentos para a venda “, disse Lídia Muchanga.

Muchanga disse ainda que o SDAE tem trabalhado em parceria com as comunidades, através de técnicos na área de maneio, organização, revitalização dos comités de gestão de recursos, na gestão dos fundos, definição de estratégias e responsabilidade social em áreas de fiscalização.

“Os comités, cujos membros, entre homens e mulheres, variam entre 50 e 70, recebem anualmente do concessionário 25 por cento da renda anual da área concessionada, correspondente à respectiva comunidade” informou Muchanga.

Assim, segundo a nossa fonte, em 2017 a comunidade de Nhaunga recebeu 584 mil e 155 meticais, enquanto a de Sawewnga conseguiu arrecadar 305 mil e 355 meticais, valor que varia com a receita conseguida pelo operador durante o ano, em cada comunidade. "Com o dinheiro conseguido dos 25 por cento, as comunidades definem onde investi-lo, conforme as suas necessidades, que são geralmente consensuais, depois de um debate comunitário”, explicou a fonte.

Muchanga felicitou os três comités, designadamente, de Nhawata, Nhaunga e Nhawandje, que com o valor recebido realizaram alguns dos sonhos das respectivas comunidades. Até ao momento, com os 25 por cento, já foi construída uma sede, onde os comités funcionam, em Nhawange. Em Dunda, foi construído um centro de saúde com casa de mãe-espera, sala de consultas, farmácia, local de pesagem de crianças e reabilitadas fontes de água”, informou a dirigente.

Muchanga avançou que em Nhaunga, localidade de Mussangaze, posto administrativo de Macossa-sede, com o dinheiro recebido construiu-se uma casa mãe-espera, onde as parturientes vivendo muito distante da unidade sanitária aguardam pelo dia de parto, enquanto recebem de perto a assistência médica necessária ao seu estado. Construiu-se também uma casa de hospedagem. Do valor recebido no ano passado, está a ser construída na vila sede distrital de Macossa, uma casa para arrendamento.

“A população define prioridades sobre o que fazer com o dinheiro, escolhendo aquilo que pode alavancar o desenvolvimento da sua comunidade. Neste momento, está em curso a criação de quatro comités de gestão em Nhacassoro-sede, Nhamagua, Nguauwala, na localidade de Massenguere, povoado de Púnguè, pois, nestes locais também se faz a exploração. Então, não é justo que eles se beneficiem dos 25 por cento sem fazerem a fiscalização” defendeu Muchanga.

Queimadas descontroladas passam para a história 

As queimadas descontroladas, principalmente motivadas pela caça de ratazana, limpeza dos campos de cultivo, produção de mel e conflitos sociais, baixaram de forma significativa, conforme disse o director substituto de Infra-estruturas, na vila sede de Macossa, Raimundo Chengo Tebo.

Tebo referiu que o ambiente que se vive actualmente no distrito, caracterizado pela ausência de queimadas descontroladas, deve-se a palestras de educacão ambiental, levadas a cabo por esta entidade, a nível das comunidades, onde são abordadas matérias sobre as desvantagens das queimadas descontroladas.

“As queimadas descontroladas baixaram muito. No ano passado não houve casos de destruição de infra-estruturas ou propriedades familiares, como celeiros, casas, como acontecia no passado, que até pessoas sofriam. Os últimos casos de que tivemos registo foi em 2016, onde um celeiro foi queimado”, disse Tebo.

De acordo com Tebo, no primeiro semestre do ano em curso já foram realizadas 30 palestras contra 20 planificadas, sobre educação ambiental, visando a sensibilização, principalmente, contra queimadas descontroladas, envolvendo alunos da escola secundária local e das escolas primárias espalhadas pelos postos administrativos, bem como a nível das comunidades.

“Entretanto, no passado, Macossa teve uma experiência única no país, de criar em cativeiro ratazanas, visando a sua multiplicação, como forma de produção de carne a nível familiar, na perpectiva de combater queimadas descontroladas que assolam o distrito, por causa da caça àquele animal”, informou Tebo.

Chengo salientou que em 2013 um grupo de cinco membros da comunidade de Nhawata foi treinado a criar a ratazana, tendo, no segundo semestre daquele ano, capturado e colocado em cativeiro cinco roedores que se multiplicaram com o tempo até ao número de 20 em 2017, mas a iniciativa fracassou, devido à estiagem que assolou aquele distrito. O fenómeno obrigou boa parte da população a deslocar-se para outros locais à procura de alimentação.

  ONG promovem auto-emprego

A organização holandesa para o desenvolvimento – SNV - em parceria com o projecto Oportunidades de Emprego para os Jovens – OYE - formou de 2015 até ao ano em curso  3.867 jovens na área de agro-negócio, na província de Manica.

Segundo o formador do projecto OYE, Acácio Esquadro, a formação visa dotar os jovens de conhecimentos e ferramentas para o auto-emprego no ramo de agro-negócio, e a pretensão é de formar 7 mil e 500 jovens com idades compreendidas entre os 18 e 30 anos, que estão fora do sistema escolar.

Segundo o administrador do distrito de Macossa, Goodfree Chipalmire, o projecto OYE já formou, no seu distrito, 690 jovens nas áreas de pequenos negócios, apicultura, carpintaria e agricultura.

Em relação à capacitação, de acordo com o gestor do projecto OYE, Simon Gudo, foram capacitados 428 jovens empreendedores, mil e 380 apicultores e 144 colectoras de malambe (fruto do embondeiro) em quatro distritos da província de Manica: Macossa, Guro, Báruè e Sussundenga.

Ainda no âmbito da formação em auto-emprego, o projecto OYE instalou dois Centros de Multimédia Comunitários (CMC), combinação da rádio e de computadores para melhorar o acesso à informação e educação nas comunidades, nos distritos de Macossa e Sussundenga e distribuiu-se aos jovens empreendedores 500 telemóveis equipados de técnicas modernas de comunicação.

O oficial de monitoria e avaliação do projecto, Fernando Ketule, explicou que estes meios, além de potenciar os jovens empreendedores em habilidades de conquista de mercado e ligação com os clientes do país e do mundo, vão também beneficiar aos professores e estudantes nas suas pesquisas e a toda população dos distritos abrangidos.

O projecto OYE teve o seu início em 2015, tem duração de quatro anos e opera em oito distritos de três províncias do centro do país, nomeadamente, Sussundenga, Macossa, Guro e Báruè, na província de Manica; Marínguè e Caia, em Sofala; Namacurra e Nicoadala, na Zambézia.

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