O DRAMA humano gerado pelo ciclone tropical Idai e os ataques armados em Cabo Delgado estiveram ontem no centro das orações por ocasião da Sexta-Feira Santa, momento em que os cristãos recordam a morte de Jesus Cristo.

Considerado um dos momentos mais altos da Páscoa, o dia juntou milhares de cristãos nas rezas, que, em algumas igrejas como a Católica, incluem procissões em representação da caminhada de Cristo rumo ao local em que seria crucificado. 

Líderes religiosos ouvidos pelo “Notícias” convergem na necessidade de os cristãos traduzirem o sacrifício de Cristo em amor, atenção e solidariedade para com o próximo.

Chamam atenção para o facto de esta Páscoa coincidir com um momento difícil, em que se choram as centenas de mortes pelo ciclone Idai – 603 segundo dados oficias – e ainda se procuram formas de reconstruir as vidas e infra-estruturas dilaceradas pelos ventos e chuvas de 14 e 15 de Março na zona centro.

A título de exemplo, Carlos Chatuir, secretário-geral da Igreja Velha Apostólica de Moçambique, chama os seus crentes e a sociedade a tratar-se com justiça, considerando que cada um foi feito à imagem e semelhança de Deus, cujo filho se sacrificou pela humanidade.

Apontou que o momento no qual esta Páscoa acontece exige que se exaltem a solidariedade e o amor para com o próximo, partilhando tudo com os que nada têm.     

Em mensagem, Carlos Matsinhe, bispo da Igreja Anglicana em Moçambique, lembra que as congregações e lares devem ser casas de oração somente, e não lugares de conflitos e negociatas de qualquer forma.

Aponta que o momento representa uma nova oportunidade para todo o ser humano, sendo urgente que cada um reflicta, arrependa-se e deixe de fazer o mal aos outros e a si mesmo.

O bispo diz que a calamidade natural que assolou o país a 14 de Março e as inundações lembram o conto bíblico do dilúvio de Noé e o quão foi garantia fiel de um novo começo da humanidade. 

Neste último aspecto, o bispo anglicano coincide com Marcos Macamo, pastor da Igreja Presbiteriana de Moçambique, para quem o mistério pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo sinaliza que após o sofrimento pelo qual os moçambicanos passam agora, principalmente devido ao ciclone Idai, haverá vida em abundância.

Sem menosprezar a devastação humana e infra-estrutural provocada pelo ciclone que atingiu as províncias de Sofala, Manica, Tete, Zambézia e norte de Inhambane, Macamo chama todos para que olhem para o futuro com esperança e fé de dias melhores.

Por sua vez, o arcebispo de Maputo, Dom Francisco Chimoio, afirmou que a sociedade deve saber olhar para os problemas gerados pelo Idai e ataques em Cabo Delgado com fé e reconhecer que para o bom decurso da vida é indispensável uma colaboração com Deus.

José Chissano

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