AGORA que se aproxima o período eleitoral - a 10 de Outubro realizam-se as quintas eleições autárquicas - muitos emergirão da letargia para “pulverizar” os munícipes - estes que só são prestáveis por estas alturas - com promessas do irrealizável, em troca do voto.

Muitos aparecerão de forma individual ou colectiva - partido político, coligação de partidos políticos ou grupos de cidadãos, com “slogans” enganadores, procurando ludibriar os munícipes e assim ganharem o voto que lhes possibilite o alcance da direcção das cidades e vilas autarcizadas.

No passado ouvimos candidatos a fazerem promessas totalmente falsas, do estilo “vou dar água e electricidade a todos os munícipes”; “vou acabar com a fome e a mendicidade”; vou dar emprego”; “prometo estradas e pontes, mercados, escolas, postos de saúde”, enfim… um rol de promessas que, quando bem analisadas, conclui-se, facilmente, tratar-se de falsidades.

Já vamos para as quintas eleições municipais. Os tímpanos de cada um dos munícipes quase que se furam de tanto ouvir este tipo de promessas. Salvo algumas excepções, a maior parte não é cumprida. O saneamento do meio continua deficitário; os mercados continuam desorganizados e os “dumba nengue” na dianteira, os transportes públicos são uma lástima; a venda de parcelas, num país em que a terra é propriedade do Estado, não podendo ser vendida nem alienada, é uma realidade. Os serviços públicos enfermam de uma doença chamada corrupção, a prometida boa governação deixa muito a desejar e muito mais…

Na recente eleição intercalar, em Nampula, os candidatos pareciam “unidos pelo mal” ao fazerem promessas totalmente infactíveis, a julgar pelo tempo de que dispunham até ao final do mandato. Venceu a eleição o candidato da Renamo, Paulo Vahanle. Ele tem pela frente apenas seis meses de governação. A minha pergunta é a seguinte: terá Vahanle tempo suficiente para materializar o seu manifesto eleitoral? Um manifesto que apregoava a boa governação, respeito pelo bem público, combate à corrupção e por aí em diante? Irá Paulo Vahanle reabilitar as estradas e os mercados municipais em seis meses? Sejamos honestos. Seja qual for a “engenharia” a que recorrer, Vahanle não irá cumprir as suas promessas. Não sei o que dirá aos munícipes quando dentro de seis meses observar que o seu programa redundou em total fracasso.

Falo de Vahanle apenas como exemplo. Posso falar também da Matola onde dezenas de famílias se rebelam porque os seus quintais viraram autênticos pantanais, na sequência da falta de sistemas de drenagem nos bairros para a evacuação das águas pluviais. E os miúdos lá se divertem, nadando e “pescando”, com todos os riscos, ante a apatia das autoridades municipais. Os bairros da Liberdade, Nkobe, Machava, entre outros, são testemunho disso. Ainda na Matola, quantas famílias “vivem e convivem” com o lixo nos seus quintais, porque o carro da recolha destes resíduos jamais passou pelos seus bairros? Não obstante as promessas eleitorais, o que dizer da reabilitação das estradas Patrice Lumumba/São Dâmaso; T3/Patrice Lumumba; Khongoloti/Boquisso; Patrice Lumumba/Singatela, só para citar alguns exemplos. Na Beira e em Quelimane também se chora porque o saneamento do meio é deficitário, o sistema de transportes públicos é deficiente e há muitas promessas feitas bastante longe de serem cumpridas.

Temos que encontrar formas de responsabilizar aos que, de forma individual ou colectiva, surgem como cogumelos, sobretudo em períodos eleitorais, “enganam” o povo com falsas promessas, aproveitam-se dos cargos que ocupam para se enriquecer e no fim vão se embora sem que nada lhes aconteça. É mesmo caso para dizer muita parra, pouca uva.

Salomao Muiambo-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O ACTUAL cenário que se desenha com a provável mudança de figurino do “Nacional de Futebol” no nosso país vem adensar aquilo que já se dizia em todo o lado, de boca cheia, com uma certa frustração: a transbordante e metafórica música de Alexandre Langa, cujo título é “Prefiro ir ao futebol”, já não faz sentido. Foi queimada pela actual realidade.

Alexandre Langa, quando produziu o tema, apenas vinha transmitir um semtimento que afinal era da maioria dos moçambicanos. Um sentimento de revolta e frustração perante a guerra, fome e crime. Para o músico, o melhor era ir assistir a um jogo de futebol, do que ruminar as dores criadas por clivagens políticas sem fim. Porque na verdade, o futebol é também um bom ópio para o povo.

Naquele tempo, realmente, o futebol valia a pena. Desfilavam jogadores de primeiríssima água, em grandes equipas como Textáfrica, Palmeiras da Beira, Têxtil do Púnguè, Ferroviário do Maputo, Costa do Sol, Maxaquene, Namutequeliua, “Pembinha”, Desportivo e mais. Até no “recreativo” havia partidas estonteantes. Quem não se lembra das enchentes dos campos do Xipamanine e do Mahafil?  Derimidas com a alma inteira. Mas o auge antigia-se nos grandes jogos da Primeira Divisão.

Temos um filão inesgotável de nomes de ouro dessa época, que eu poderia escusar-me a referi-los aqui neste texto, porque eles são maiores. Porém, Alexandre Langa, na sua inultrapassável música, faz mensão a alguns deles: Dóver, Nuro Americano, Joaquim João, Zé Luís...Pois é: se eu me atrevesse a citar mais nomes, se calhar poderia lembrar-me de Ângelo, Gerónimo, Boror, Chinguia, Evans, Marcos I, Marcos II, Gil Guiamba, Nico, Nelson Mafambana, Luís, Ramos e mais. Muitos. Mas, prefriro não evocar ninguém, porque todos eles eram bons demais.

O Estádio da Machava ficava sempre pequeno para acolher as partidas. A miudagem e também adultos penduravam-se nas torres de iluminação para ver futebol de primeira água. E, por serem bons, conheciamos os nomes de todos eles. De cor e salteado. Ninguém ficava em casa quando houvesse futebol na “Machava”. Martinho de Almeida lá estava com a sua “Marcia” e Bondareko dizia aos seus jogadores: é preciso muita “rabota”. É preciso muita “rabota”. Ou seja, muito trabalho na lingua russa. Na verdade, tudo aquilo era uma loucura.

Hoje, praticamente, não conhecemos os nomes dos jogadores, porque nenhum deles tem o sangue para nos atraír. Salvo raras excepções, que também só cintilam numa espécie de “sol de pouca dura”. Ora, se já estávamos com um grande défice de qualidade, como é que vai ser agora, com o actual cenário? Eu, pessoalmente, sou obrigado a primar pela realidade. E a minha realidade é o cepticismo, até que me venham provar o contrário.

Já não vou aos campos para ver futebol. Amiúde, tenho ouvido afirmações referentes a algumas partidas do “Moçambola” a dizer que “perdemos, mas foi um grande jogo de futebol”. Então, se aquilo que nos é servido é “grande jogo de futebol”, o que vemos em outras latitudes é o quê? Temos que colocar os pés no chão e rever tudo, incluindo as mentalidades. Pessoalmente, sugiro que pensemos a longo prazo, porque temos talentos inesgotáveis.

Como disse, já não vou aos campos para ver futebol, porque já não há “chamariz”.Tenho a certeza antecipada de que não vou ver nenhuma explosão para descompassar o coração. E enquanto não vier uma revolução a sério, prefiro ficar em casa e, aos sábados, assistir ao programa do Renato Caldeira, “Do Fundo do Meu Baú”. Pelo menos, aí, revejo as estrelas daquele tempo. Do meu tempo. E finjo que ainda estou nesse tempo. E sinto-me feliz.

Um forte abraço.

Alfredo Macaringue

HÁ sensivelmente um mês, a Inglaterra lançou um autêntico estardalhaço, ao gritar, para “todo o mundo” ouvir que a Rússia havia mandado envenenar o ex-espião, russo Sergei Skripal e sua filha, em Salisbury, na Inglaterra, onde reside. A primeira-ministra, Theresa May, chegou a afirmar que a atitude da Rússia representava uma agressão ao país. Garantia, para sustentar as acusações, que possuía dados “seguros” de que o agente tóxico usado para o envenenamento é de origem russa e que teria sido o Governo daquele país a ordenar a intoxicação.

Reagindo ao grito de Theresa May, países como os Estados Unidos da América, França, Alemanha, Espanha e outros pequenos países seguidores dos primeiros manifestaram-se solidários, condenaram e ameaçaram a Rússia com represálias. Estas materializaram-se através da expulsão de dezenas de diplomatas, para além da sugestão de aplicação das mais variadas sanções económicas. A Rússia, claro, refutou as afirmações sobre o seu envolvimento e dispôs-se a participar das investigações para apurar a verdade. As autoridades britânicas não acataram o pedido. Como é da “praxe”, também retaliou, expulsando diplomatas dos países que o haviam feito primeiro.

Para mal dos pecados da “turma”, a investigação realizada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) não produziu os resultados que os amigos da Inglaterra esperavam. O relatório produzido na sequência das análises efectuadas ao material detectado aponta que o antigo espião e sua filha “não poderiam ter sido envenenados com o agente tóxico A-234 (também conhecido como Novichok). Adiantam os dados apurados que “a informação da OPAQ sobre uma substância tóxica de grande pureza prova que não se tratou do Novichok  [substância A-234] […] O Novichok é um agente nervoso complexo, constituído por uma mistura de vários componentes e aditivos que se descompõem de forma diferente. Se foi encontrada uma substância pura, então não é Novichok”, explicou um técnico do laboratório.

O mesmo especialista acha que Sergei Skripal e sua filha Yulia podem ter sido envenenados com fentanil, utilizado na produção de substâncias narcóticas populares no Reino Unido. Explicou ainda que as características de recuperação dos Skripal foram similares ao quadro que se observa após envenenamento com fentanil, quando as vítimas se recuperam muito rapidamente. Para o especialista, o ex-agente e sua filha poderiam ter sido vaporizados com fentanil quando estavam sentados no banco onde foram depois encontrados inconscientes.

Parece, pois, estarmos perante uma luta desenfreada para encontrar justificações para atingir a Rússia “de qualquer jeito”. Repare-se no seguinte: quando foi lançado o alarido sobre o suposto envenenamento de Skripal e sua filha, na Rússia estavam em curso eleições visando escolher o presidente do país. Interessava, portanto, agitar a sociedade russa para o facto de um dos candidatos, por sinal o até então presidente, Putin ser um criminoso, portanto um indivíduo que não devia continuar a merecer a confiança. Os russos, não só não ligaram patavina à “chamada de atenção” dos ocidentais, como até elegeram Vladimir Putin com uma margem de mais de 80% dos votos. Saia assim o tiro pela culatra aos “donos da democracia e dos direitos humanos”. Perante a derrota “retumbante, convincente e asfixiante” havia que encontrar outras saídas, pois, corria-se o risco de os seus povos olharem para os chefes como uns incompetentes e mentirosos. Adjectivos estes não podem vingar. Theresa May está assombrada pelos problemas relacionados com a saída do país da União Europeia.

Emmanuel Macron, Presidente francês, está assustado com o abaixamento progressivo da sua popularidade em consequência das medidas reformistas que está a tentar implementar e que não estão a ser bem recebidas pelo povo. Para os lados da América, as coisas também não andam lá muito bem. De “twiter” em “twiter” Donald Trump vai lançando cada vez mais confusão e incerteza. De semana em semana vai demitindo este e aquele outro responsável. Retoricamente vai ameaçando este ou aquele outro país. Em fim, está-se perante situações desesperadoras a exigirem acções que mostrem aos respectivos povos que os chefes têm “de facto” o poder…

E eis que chegamos “à resposta enérgica”, dada pelos dois países ao suposto ataque com armas químicas pelas tropas do Governo de Bashar Assad, contra a “população indefesa”. As imagens divulgadas pelas televisões - com maior destaque para as dos países ocidentais, valem o que valem. Principalmente se se tiver em conta a facilidade com que se fabricam factos falsos recorrendo-se as famosíssimas redes sociais e transformando tais factos “na hora” em notícia. Algumas dessas imagens mostram-nos recipientes (que supostamente portariam os gazes) em cima de camas intactas em casas com vidros fechados. O que levanta a questão de se saber, como é possível realizar-se um ataque num compartimento fechado e nada no seu interior ficar danificado? Lembre-se que o ataque dos americanos, franceses e ingleses, com mais de 150 mísseis, foi feito antes da comprovação de que sim, foi o gás sarin, supostamente produzido pela Síria, que foi usado no tal ataque. Porquê a pressa?

Marcelino Silva

UNS chamam “praxe académica” e outros “recepção de caloiros”. Independentemente do nome que se atribui ao acto, é uma prática bem conhecida e generalizada no mundo académico. Em Moçambique o procedimento vai ganhando espaço à medida que se multiplicam as instituições do ensino superior.

Sobre o assunto, o dicionário da língua portuguesa define “caloiro” como estudante do primeiro ano de um curso superior; principiante em qualquer matéria, ou indivíduo acanhado. O vocábulo é igualmente associado à palavra grega Kalógeros, que significa “bom velho, monge”. Alguns escritos referem que o acto tem uma conotação religiosa, provavelmente pela pureza dos novos estudantes.

A recepção de “caloiros” ou “praxe académica” visa a integração rápida dos novos estudantes no meio universitário. A história reza que não é obrigatório participar nesta cerimónia, mas é uma oportunidade para os estudantes (antigos e novos) divertirem-se um pouco, fazer novas amizades, até com professores, e ganhar um padrinho ou madrinha que lhes vai ajudar a conseguir “aquele livro de difícil acesso”, ao longo das aulas.

O baptismo consiste em verter farinha e água limpa sobre a cabeça dos novos estudantes, sem excessos nem penalizações a quem não quiser participar.  

Este intróito vem a propósito de uma denúncia, através das redes sociais, de uma cerimónia de recepção dos “caloiros”, recentemente realizada na Faculdade  Agronómica  e Engenharia Florestal da Universidade Zambeze (UniZambeze), em Mocuba, província da Zambézia, que teve todos os “condimentos” para ser tratado como um crime.

Segundo a denúncia, os estudantes infligiram aos do primeiro ano sevícias, derramando sobre estes excrementos humanos, resíduos sólidos, produtos alimentares putrefactos, micróbios, urina, entre outros dejectos, para além de lhes ter obrigado a despir a roupa (rapazes e raparigas) e rebolar no chão, enquanto recebiam pontapés e eram forçados a andar como animais de quatro patas, lambendo fezes, cortar cabelo, etc. Em suma, foram submetidos a um tratamento desumano e abominável.

De acordo com a mesma denúncia, estes actos, de todo condenáveis, ocorreram na presença de alguns docentes da universidade, que assistiram ao triste espectáculo impávidos e serenos.

 Entretanto, quando o assunto começou a circular nas redes sociais, a direcção da faculdade da UniZambeze emitiu um comunicado distanciando-se do acontecimento que ocorreu no recinto universitário! Pelo sim, pelo não, mais do que se distanciar dos factos a universidade devia, em coordenação com os Serviços de Investigação Criminal, procurar identificar todos os envolvidos nestas barbaridades, para responderem em juízo e, se necessário, expulsá-los. Conheço casos similares, até com menos violência do que esta, cujos autores acabaram por ser escorraçados da universidade.

Os estudantes têm de entender que as universidades são lugares de formação de quadros e não de marginais que não sabem separar o bem do mal. Aliás, entendo que as direcções devem impor ordem, respeito e valores de cidadania. Não se pode tolerar actos de violência gratuita camuflados em cerimónias de integração dos novos estudantes. Se a universidade não tem condições criadas para a realização destes eventos que abandone a prática, pois o que aconteceu na UniZambeze vai traumatizar os estudantes e repelir os outros que ainda tinham a pretensão de lá adquirir o conhecimento científico. Ninguém vai à escola e muito menos a uma universidade para ser humilhado.  

As imagens publicadas nas redes sociais reportam muito mais do que humilhação. É uma grave violação à integridade, saúde e vida das vítimas. Percebe-se que tudo foi milimetricamente organizado para acontecer daquele jeito. É por isso que os agressores foram munidos de máscaras para não inalarem o cheiro dos excrementos que lançaram sobre os seus colegas. Acho que não preciso de ter formação em Direito para perceber que as vítimas deviam ser indemnizadas pelos dados físicos e morais causados. Ainda por cima os estudantes foram deliberadamente retirados da sala, em plena aula, para serem ultrajados e o “dito baptismo” realizado à revelia da direcção da faculdade. Onde já se viu, sair de casa munido de excrementos para derramá-los sobre os colegas…? Que haja civismo!

Delfina Mugabe

O GOVERNADOR de Inhambane, Daniel Chapo, antes de exercer a actual função, trilhou vários caminhos de liderança na função pública, nomeadamente, docente universitário, homem da comunicação social, actividade que realizou com paixão numa das estacões televisas nacionais, entre outros.

Não obstante a sua agenda carregada, tem nos ombros a vida de cerca de dois milhões de habitantes, num território que ainda esta em busca de melhores estratégias para transformar os recursos e potencialidades naturais, em riqueza. Todavia, este “corre-corre”, não o afasta de acompanhar as noticias do país e do mundo, pois, como intelectual, não se dissocia da velha máxima segundo a qual, homem informado vale por dois.

Ele que na construção da sua rica personalidade, embora ainda muito jovem, gastou a sola do sapato em busca de informação para alimentar os seus admiradores a partir de uma estacão televisiva nacional, não se divorciou completamente desta profissão. Encontrou tempo para ouvir, assistir e ler notícias e quando necessário, analisar a colocação dos conteúdos noticiosos que consome nos variados ângulos, como jornalista, académico e político.

Para matar saudades da paixão que nutre sobre a actividade jornalística, Chapo procurou, domingo passado, os seus colegas não só para transmitir felicitações do seu executivo e de si próprio, por ocasião do 11 de Abril, dia do jornalista moçambicano, mas também para um dedo de conversa sobre o dia a dia da província, do país e do mundo.

Li as suas intervenções em três ângulos se não em vários, pois, Chapo, falou como amigo, jornalista, académico e político. Disse que o governo que lidera se revê no desempenho de todos órgãos não obstante as dificuldades de ordem material e financeira que estes enfrentam para o cumprimento cabal das suas obrigações.

Ao dizer que a imprensa é uma espécie de termómetro do desempenho do executivo, pois, é dela que mede a sua prestação, esta análise pode ser considerada de um académico que atribui ao chamado quarto poder, o trabalho de crítico no verdadeiro sentido da palavra e não de exclusiva caça de bruxas escamoteando a necessária observância das regras elementares da actividade.

Como jornalista, Chapo falou que este profissional se pode comparar ao feijão. Sim feijão. Disse isto Chapo. Quando numa panela com feijão se despeja uma quantidade de água, o bom, feijão, fica por baixo e o podre flutua, fixando-se na superfície da água.

O que quis dizer o governador com estas palavras?

“Sim, isto é verdade”. Continuou Chapo. “Bom jornalista não é aquele que se auto-avalia como sendo o melhor, porque esse, na primeira água, simplesmente é levado pela onda”, disparou Chapo para uma gargalhada na sala.

Na sua qualidade de alto dirigente da província, tomando já esse lugar inteiramente seu, aconselhou a imprensa para a necessidade de  pautar por um jornalismo sério, sob pena de perder de vista a credibilidade e cair no descrédito da sua profissão.

“O governo, está aberto para trabalhar com todos, respeitamos as linhas editoriais de cada órgão de comunicação social, o que é importante é que cada profissional não passe por cima das regras estabelecidas no exercício desta profissão”, indicou o governador.

 “Parabéns colegas jornalistas, divirtam-se pelo nosso, vosso dia”, disse chapo finalizando a sua intervenção para depois ficar o tempo que foi necessário convivendo com seus antigos colegas.

Victorino Xavier

Ainda este mês, o “Timbilando” publicou uma triste situação que se regista no terminal dos semicolectivos do bairro da Zona Verde, no Município da Matola, onde os sinais luminosos de regulação de trânsito, vulgo semáforos, ali montados há quase uma década, estão fora de funcionamento, há mais de um ano, por falta de manutenção.

Um dos nossos leitores atento a essas coisas a quem agradecemos a sua colaboração, enviou-nos mais informações sobre o assunto. Afirma que esta situação abrange mais semáforos do município da Matola, onde os automobilistas passam maus bocados por causa daqueles reguladores de trânsito avariados.

Diz que, por exemplo, os sinais colocados na zona que vai dar à Liberdade, saindo do Infulene, também já não funcionam, o mesmo acontecendo com os semáforos que foram montados no entroncamento para Machava, ali na antiga Coca-Cola. Tudo parado e só a Polícia de Trânsito é que regula ali a circulação, nas horas de grande ponta.

Tal apagão regista-se também na zona de entrada para o bairro Patrice Lumumba, onde já há vários anos anda sem semáforo, com o agravante de ser um entroncamento com desvio, dos que vem dos lados da Manduca para se fazerem àquele bairro.

Outro sistema com problemas, mas funcional, é o que está na zona da BO. De vez em quando, ele regula o trânsito, de qualquer maneira, com vermelhos e verdes trocados ou baralhados, confundindo os automobilistas e transeuntes.

E depois, temos o já falado entroncamento da Zona Verde, muito movimentado e com engarrafamento a toda a hora e que fica entupido, sem grande saída para lado nenhum.

Quando foi montado o semáforo, falava-se à boca pequena que talvez fosse melhor montar uma rotunda, porque poria toda a gente a circular, sem que uns tenham que parar longo tempo e outros circularem a seu bel-prazer ou ainda todos ficarem bloqueados e parados.

Parece que o problema teve também a que com possibilidade de reassentar boa parte dos que iam sair da zona para dar lugar à rotunda o que pesou bastante para naqueles que olham pela bolsa.

O que parece não ter solução nenhuma são todos os semáforos destes lugares já referenciados que permanecem naquele apagão, que embirra e chateia toda a gente.

Será que o município não vê estes problemas todos com os sistemas de regulação luminosa do tráfego? Será que não existe uma entidade que trata disto dentro do próprio município ou a ele ligado? Ninguém cuida disto? Ninguém olha por isto? 

Alfredo Dacala-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

PARA além das famosas igrejas que conhecemos, que têm Jesus e Deus como seus ídolos e fontes de cura, assiste-se hoje a homens, aparentemente não inspirados pelo verdadeiro Deus, que estão a promover actos supostamente milagrosos.

Os nossos olhos estão fartos deste tipo de exemplos. Para além dos exemplos já citados, ocorre-me lembrar que há alguns anos atrás, surgiu aqui em Chimoio, um suposto profeta zimbabweano, conhecido por Chidangue, que, tendo-se alojado no Monte Chissui, efectuava curas a tudo que é doença, incluindo deficientes físicos, visuais, mentais, etc.

Na altura, mais deduas centenas de pessoas portadoras de deficiências diversas tiveram cura milagrosa na cidade de Chimoio. Durante mais de duas semanas, estando abrigado no monte Chissui, Chidangue “devolveu” a esperança a milhares de pessoas na capital provincial de Manica.

Supostos cegos recuperaram a visão, surdos e mudos passaram a ouvir e a falar, deficientes físicos diversos retomaram a sua actividade locomotora, deixando para trás as muletas e carrinhas que os apoiavam. Multidões ficaram estupefactas e gritaram graças a Deus. Milhares de pessoas deixaram de ir aos seus afazeres para se encontrarem com Chidangue.

Portadores de deficiência física que se dirigiram ao profeta, segundo testemunhas na altura, regressavam andando pelos seus próprios pés, deixando para trás as carrinhas de rodas pelas quais se faziam transportar.

Familiares e doentes alegadamente curados, boquiabertos, dirigiram-se aos órgãos de comunicação social em Chimoio, a fim de enaltecer os supostos milagres de Mark Chidangue, homem que na altura lembrou-nos que “vinha curando no Zimbabwe, mas que o seu poder curativo cresceu substancialmente após ter chegado a Chimoio e se ter instalado no monte Chissui”.

A rádio comunitária GESOM foi a que mais o promoveu. Várias vezes compareceu nos estúdios daquela rádio em grandes entrevistas e em debates sobre as suas qualidades proféticas, apresentando publicamente o seu poder curativo.

Na época, Chidangue dissera que os milagres que estava a desencadear não eram produto da sua criação, mas sim a manifestação do poder divino através de seu filho, Jesus Cristo.

Sem medicamentos e apenas com a oração e fé dos necessitados, ele afirmou ter curado várias pessoas. Com as suas mãos pousadas na cabeça dos enfermos, ele expulsava os demónios que eram a fonte das doenças em humanos e outras desgraças.

Porque não cobrava dinheiro, foi difícil perceber que não se estava em presença de um eventual charlatão. Autoridades da Saúde em Chimoio chegaram a ser tentadas a confirmar tais milagres. Terão dito que doentes em situação grave foram enviados e curados pelo profeta, uma vez falhados os tratamentos médicos modernos.

Três semanas não passaram para que Chidangue não fosse mais encontrado no Chissui. Hoje, falar de Chidangue em Chimoio é quase lembrar uma desilusão, um aparente burlão que, sem cobrar nada e eventualmente sem curar também ninguém, viveu da sua fama.

Hoje, muita gente vive assim. Trabalha com os milagres e ganha dinheiro. Agora a pergunta que fica no ar é: onde está Chidangue e onde faz hoje os seus milagres? Ao que tudo indica, tanto Chidangue como outros profetas acabaram desaparecendo. Não poucos terminaram nas celas.

O que nos falta agora, irmãos, é tentarmos ver até que ponto as nossas igrejas nos tiram tempo para produzirmos e fazermos coisas úteis à sociedade. Pessoas que parecem sãs do ponto de vista mental aceitam tudo e vão, aos milhares, dar oferendas em troca de supostas curas. Será?

Não serão os falsos profetas que a bíblia insiste que haviam de chegar? Temos que começar a pôr o pé nos travões de alguns para que não nos desviem do essencial. Podemos aceitá-los para assuntos políticos, mas devemos rejeitá-los para assuntos divinos. Pelo atrevimento, o meu muito obrigado.

Víctor Machirica

NICOLAS Sarkozy, antigo Presidente da França, esteve detido recentemente, durante cerca de 48 horas, para investigações por suspeitas de que a sua campanha eleitoral de 2007 teria sido paga pelo governo líbio, liderado na altura por Muammar Kadhafi, no valor total de 50 milhões de euros. A Lei Eleitoral da República Francesa proíbe terminantemente os políticos de receberem apoios financeiros provenientes do estrangeiro, para custear as suas campanhas de “caça ao voto” visando o exercício de funções pública.

Há sensivelmente oito anos, Sarkozyrecolhia palavras de admiração do falecido (famosíssimo) colunista brasileiro da BBC, Ivan Lessa. Mesclando humor e seriedade, Lessa classificava o então presidente francês de bom falante “num francês danado de bonito”. O cronista classificava ainda Sarkozycomo um cantador de loas – uma forma de falar destinada a captar as simpatias de um auditório. A apreciação do falecido Ivan Lessa resumia na verdade um “modus operandi e faciend” daquele indivíduo, visando alcançar os seus objectivos. Pois, de tão “simpático e amável”, convenceu o então líder líbio a ajudá-lo na batalha pela eleição, provavelmente apresentando como contrapartidas o apoio às políticas defendidas e promovidas de Kadhafi.

A caracterização feita por Ivan Lessa em relação ao então chefe do Estado francês, assenta que nem uma luva a muitos outros políticos que, para alcançarem os seus objectivos, não olham a meios para lá chegar. Esta forma de ser e estar é característica do malandro mais perigoso que “anda” neste nosso planeta. Perigoso porque fala sorrindo, não nos deixando hipóteses para sabermos o que está por detrás desse sorriso, principalmente porque este tipo de indivíduos apresenta-se com aspecto caloroso, amistoso, simpático. Já dizia o “outro”, de resto, ser preferível enfrentar um tipo que nada esconde. Aquele tipo de gente que nos diz o que pensa. Forte e feio. Doa a quem doer. Pois porque perante uma atitude directa, clara, sem subterfúgios, você fica sabendo com quem contar.

A detenção do antigo presidente francês para interrogatório peca por tardia. Sim, porque mesmo antes da invasão da Líbia pelas tropas da NATO, acção durante a qual o então presidente francês desempenhou um papel determinante, levantavam-se suspeitas de que Nicolas Sarkozy ganhou as eleições de 2007 graças à utilização de dinheiros ilegais. Exigia-se, na sequência, que as autoridades policiais e da justiça investigassem as suspeitas.

Não se percebe por que é que as autoridades francesas demoraram tanto tempo a agir! Estariam a seguir a teoria segundo a qual o tempo é remédio para tudo? Que com o passar dos anos as pessoas iriam esquecer? É provável que sim. Tenha sido por esta ou por outra razão, o que é facto é que só agora decidiram agir. Se calhar por vergonha perante o estado de caos, de destruição e de desestruturação em que a Líbia está hoje, em consequência de uma gigantesca invasão militar que contou com a participação das forças armadas francesas que tinham como comandante-geral, precisamente o homem que foi eleito com a ajuda de dinheiros do país que “mais tarde” decidiu invadir e destruir. Hipocrisia.

Esta tentativa de “agir para defender os princípios” que a França tenta mostrar nos hoje, é, para mim, uma tentativa vã de mostrar seriedade para nos convencer que são sérios e merecedores de respeito. É uma tentativa de embalo para boi dormir. É assim, de resto, como agem todos os países ocidentais. Quando se vêem perante vergonhas difíceis de esconder, quando se vêem perante as chamadas camisas de sete varas, ensaiam espectáculos para nos entreter. Lembram-se do que aconteceu recentemente em Inglaterra? Para aqueles que não se recordam: em mais um teatro destinado a lavar a cara do país, o parlamento britânico chamou Tony Blair para explicar o seu papel na invasão ao Iraque.

Blair coseu-se e descoseu-se, tentando explicar o inexplicável. Acabaria “dando a palmatória”, reconhecendo que a Inglaterra partiu para a invasão ao Iraque na companhia dos americanos e outros aliados, induzido em erro pelos seus serviços secretos, que garantiram que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Uma informação que como se sabe não correspondia a verdade. Tony Blair terminou pedindo desculpas ao povo britânico pelo erro cometido. Só que o Iraque, de país estável que era, hoje transformou-se numa manta retalhada difícil de juntar.

Tony Blair reconheceu a incúria, reconheceu a falta de seriedade dos serviços secretos do seu país. Em suma, reconheceu que a “comunidade internacional” destruiu um país por causa de uma mentira grosseira. Mas, “tirando” isso não lhe aconteceu mais nada. Francamente, é o desfecho que espero do processo Sarkozy. Não lhe vai acontecer nada. Não será preso e prontos… Recordando: nada aconteceu a George W. Bush, nada aconteceu a Durão Barroso e nada vai acontecer a qualquer outro político ocidental que se meta em acções “democratizadoras” por esse mundo fora. E ainda temos entre nós gente que lhes aplaude.

Marcelino Silva

Breves

Editorial

EDITORIAL
Sexta, 20 Abril 2018
O recente anúncio, pela direcção da Liga Moçambicana de Futebol (LMF), da falta de fundos para levar o Campeonato Nacional de Futebol – Moçambola - até ao fim, apanhou muitos moçambicanos de surpresa, em particular a família do futebol.... Ler mais..

Primeiro Plano

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Jornal Notícias é repositório da história de...
Quarta, 18 Abril 2018
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