O PAÍS, de modo particular as zonas norte e centro, está a ser fustigado por intensas chuvas como, aliás, tem sido por estas alturas em todos os anos.

A propósito, os últimos dados divulgados pelas autoridades da especialidade falam de mais de 30 mortes e de mais de três mil pessoas afectadas.

Tudo começou precisamente no norte, onde as enxurradas deixaram também rastos de destruição em estradas, pontes e outras infra-estruturas, cenário que se está a repetir no centro onde já há, igualmente, relatos de vias intransitáveis e outros danos. Mau grado!

Contudo, mais do que os estragos em infra-estruturas, proponho-me, nesta aparição, a elaborar um pouco à volta do lado humano dessas calamidades.

No caso particular da província de Sofala, até ao início desta semana, pelo menos 400 famílias estavam ao relento, no distrito do Dondo, depois de forçadas a abandonarem os seus habituais locais de residência, por estes terem sido invadidos pelas águas ou mesmo, na pior das hipóteses, por terem desabado.

Em Nhamatanda, um arrolamento preliminar indicava que 1.227 hectares de diversas culturas alimentares estavam inundados, em prejuízo de 800 famílias camponesas, em Nhampoca, Tica, Metuchira, Lamego, Siluvo, Chirassicua e Nhamatanda-sede.

Na província de Manica, os dados colocados à disposição apontavam para cerca de 25 mil famílias isoladas, na sequência da submersão de uma ponte sobre o rio Metuchira.

Como se sabe, nestes casos, tem sido regra muitos compatriotas, além de ficarem desalojados, perderem os seus bens.

Nada a ver com aquela história meio divertida de pessoas que, durante todo o ano, apresentam-se como pobres e desprovidas de quaisquer bens, mas logo após os desastres naturais vêm a terreiro lamentar que perderam tudo!

Diversões à parte, a reflexão a que me proponho hoje tem a ver com o espirito que norteia as entidades ou instituições singulares e/ou colectivas que se predispõem a apoiar as vítimas dos desastres naturais.

E nisso, as chuvas têm sido apenas o exemplo mais recorrente de pessoas que, a dado momento, clamam por alguma ajuda. Temos tido outros fenómenos adversos como a seca ou mesmo os conflitos político-militares de tão triste memória.

Pois, sempre julguei problemático que essas entidades ou instituições singulares e/ou colectivas se predisponham a prestar auxílio, mas tenham que fazer muito barulho à volta disso.

No meu modesto entender, ajudar um necessitado e fazer questão de dizer “ao mundo” que o fizemos, só pode esvaziar o verdadeiro conteúdo dessa ajuda.

Lá diz a velha máxima: “faz todo o bem que puderes, mas não faz barulho acerca disso”.

Alguém também escreveu o seguinte:“Não nos deixemos enganar pelas notícias. O bem não faz primeira página porque a sua lógica é silenciosa como a semente. A maldade, a violência, os abandonos fazem mais barulho, mas não ganham o braço de ferro pelo condomínio da terra. A bondade ganha em todas as frentes, excepto no ruído”.

No meu percurso de jornalista, já testemunhei inúmeras situações em que tais entidades e/ou instituições organizam-se e oferecem produtos, ou seja o que for, a pessoas necessitadas.

No entanto, tal gesto é, invariavelmente, acompanhado de muita publicidade. Repetidas vezes, a cerimónia não começa porque a imprensa, “muito muito” a televisão, ainda não se faz presente. Ora essa!

Como sugere a máxima, a lógica do bem é, ou devia ser, silenciosa como a semente.

O bem não faz barulho!

ELISEU BENTO

GLÓRIAMaria, hoje tive a certeza de que a terceira idade é um cão farejador, incansável na sua busca. Tranquilo, sabe esperar, pois sabe que no final sairá triunfante.

Na infância, pensei que era possível contornar a idade, que existe uma fórmula para não envelhecer, mas depois de ver o meu docente da primária a contorcer-se de dores percebi que o cão já havia encontrado o fugitivo. Sim, somos fugitivos inconscientes, à busca de um abrigo incerto.

A juventude de meu ídolo quando o sol batia na janela da sala dois, a careca do professor Chico, reluzia, reproduzia arco-íris. Os dedos grossos daquele docente seguravam o giz com tal firmeza que a maioria não resistia e partia-se. O quadro negro, sim o quadro da minha escola primária era negro, preto como as panelas da minha casa, enegrecidas pelo fumo de lenha e dos papéis.

Voz imponente, roca e autoritária. Quando o professor Chico falava ninguém tinha o atrevimento de mover os lábios e emitir um som. “Quem tiver dúvidas levanta a mão”, dizia. No entanto, o que ele dizia era tão claro que os braços raramente se erguiam.

Naquela época não tinha dúvidas nas disciplinas de Matemática, Português e Ciências Naturais, pois tinha um professor que me guiava. Estudava em casa também, não por medo, mas porque as aulas eram saborosas como as laranjas e tangerinas que comíamos no intervalo de lanche.

A vida pessoal, as vivências do docente fora da escola eram um mistério, ninguém sabia. Reservado, a sua única conversa era a escola, os alunos e as técnicas e métodos de ensino.

Mas um dia vi o meu ídolo informal, com uns calções de jeans, uma criança a segurar a sua mão e a sua esposa, acho que era, estavam abraçados e tudo.

O reencontro ou a visita do cão

Num dia invulgar, em que as nuvens reinavam, vi o professor Chico. Duas pessoas seguravam-no. Sem forças, seus dedos fortes, que partiam vários paus de giz por aula haviam-se rendido, estavam moles, frágeis como a sua saúde.

Perguntei aos seus filhos o que havia acontecido com ele. Estes responderam que a idade não perdoa. “Ele não está doente, é a idade que está a cobrar a sua dívida. Infelizmente, o dinheiro de professor não lhe deu o suficiente para ajuda-lo nesta fase da vida”, fincaram.

Fiquei paralisado, não sabia o que dizer. Pensei em ajudar a carregar o homem, mas percebi que o meu doente estava em boas mãos.

Reparei para o trabalho dos filhos, o exercício que fizeram para coloca-lo no carro. Ouvi o motor do carro a roncar, vi a poeira a levantar-se. E, neste manto, vi um cão de raça a seguir o carro e ai disse para mim mesmo: o fugitivo já foi encontrado.

Glória Maria-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

DESDE que a 7 de Fevereiro, o mais alto magistrado da nação anunciou, ao país, consensos no quadro do diálogo político com a Renamo, visando a restauração da paz, tenho acompanhado, sempre com renovado entusiasmo, uma série de debates, opiniões, conversas, etc. sobre esta matéria.

Pessoalmente, entendi da declaração presidencial, salvo melhor percepção, que as partes chegaram à conclusão crucial de que será necessária a revisão pontual da Constituição da República para acomodar os consensos alcançados sobre a descentralização. Aliás, dois ou três dias após a comunicação, o Presidente da República, no uso das competências que lhe são conferidas pelo número um do artigo 291 da Constituição da República, remeteu à Assembleia da República, como o mais alto órgão legislativo, competente para fazer a emenda constitucional, a proposta de revisão pontual da Lei- Mãe, que será objecto de apreciação pela VII sessão daquele órgão, agendada para 28 de Fevereiro a 24 de Maio. E este assunto ocupa um dos lugares cimeiros na organização do rol de matérias a serem debatidas nesta sessão.

Ora bem: o que tenho ouvido nesses debates, opiniões e conversas e que me deixa desordenado é que o objecto em causa é a lei da descentralização. Qual lei?

No meu modesto entendimento, o que vai ser discutido é a emenda pontual da Constituição da República para, como se disse, acomodar os consensos sobre a descentralização, alcançados no contexto do diálogo político entre o Presidente da República, Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Ou seja, a revisão pontual da Constituição ora proposta pelo Chefe do Estado cinge-se ao artigo 8, sobre a natureza do Estado Unitário; o número um do artigo 135, sobre os princípios gerais do sistema eleitoral; o número um do artigo 137, atinente às incompatibilidades; o artigo 141, relativo ao Secretário de Estado na Província; a alínea b) do número dois do artigo 160, sobre as competências do Presidente da República, no domínio do Governo; a alínea c) do número dois, do artigo 204, sobre as competências do Conselho de Ministros; o título XIV que poderá passar a ser capítulo VIII, integrado no título XIII-A; o artigo 275, relacionado com os órgãos deliberativos e executivos; a alínea j) do número um do artigo 292, sobre os limites materiais e o artigo 306, sobre a entrada em vigor.

Compulsando as alterações propostas, nada me diz que o que está em causa seja a lei da descentralização como se veicula por ai. O que se pretende é ajustar a Constituição da República ao processo de consolidação da reforma democrática do Estado, ao aprofundamento da democracia participativa e à garantia da paz, respeitando os valores e princípios da soberania e da unidade do Estado.

Tratemos, pois, as coisas pelos próprios nomes. Deixemos então que a Assembleia da República determine sobre a proposta de revisão da Constituição, ao abrigo do número dois do artigo 179 da lei-mãe e verificados os pressupostos dos artigos 291 e 293, todos da Constituição.

Auguro um debate parlamentar profícuo e que, no seu melhor critério, a Assembleia da República, sem prejuízo da demais legislação, determine em razão da paz e da reconciliação nacional. Profetizo, igualmente, consensos no prosseguimento do diálogo político entre Nyusi e Dhlakama, em relação aos assuntos militares, sobretudo no que diz respeito ao desarmamento, desmobilização e reintegração dos efectivos remanescentes da Renamo para que, finalmente, os moçambicanos possam viver em paz e em liberdade.

Salomao Muiambo-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

CÁ estou eu de novo, depois de um repouso que já roçava a preguiça. O desenvolvimento de um país não se compadece com pessoas que dormem muito. Na verdade, eu nem estava a dormir. Encontrava-me numa espécie de hibernação, pensando naquilo que seriam os próximos meses. Hoje estou aqui, retomando a longa caminhada.

Parecendo que não, enquanto não voltava ao ritmo semanal, à sexta-feira vivia entre o relaxamento e a ansiedade. Libertava a minha imaginação para distâncias longíquas. Para lugares onde poderia buscar inspiração. E nesse exercício lembrei-me de alguém que me dizia assim: “Sabes porque é que a China atingiu em pouco tempo o patamar dos galáxinos? É porque os chineses não dormem. A China está acordada 24 sobre 24”.

É  espantoso. Isso equivale a dizer que quem está permanentemente acordado mantém o cérebro ininterruptamente ligado. É isso, meus caros compatriotas. Eu fiquei este tempo de defeso pensando nisso. E cheguei à conclusão de que no nosso país deviamos diminuir as horas de sono. Parece que dormimos muito. Assim sendo, teremos dificuldades de chegar longe.

Outra coisa que me saltou à mente, ou voltou a saltar-me à mente, é o meu questionamento em relação à ostentação de um grupo de moçambicanos considerados da classe média-alta. Eu não sei se temos uma classe média-alta no nosso país. A verdade é que há muito carro espampanante nas avenidas e ruas da cidade de Maputo. Carros conduzidos por jovens moçambicanos. Quando é que trabalharam esses meninos para adquirir máquinas luxuosas  de tão alta cilindrada? O pior é que estão toda a hora a passear. Aparentemente sem destino. Exibindo-se perante os pobres, sem qualquer remorso.

Isso remete-me às palavras de um jovem “tchoveiro”, que no meio de toda essa opulência e demonstração de poder financeiro diz: “Olha, meu irmão, vê lá isto! Nós corremos e eles é que chegam. Eles ‘fumam’ e nós é que ficamos paulados.”

Estas palavras do “tchoveiro” são uma manifestação de revolta contra as injustiças escarrapachadas no nosso país. E o “tchoveiro” não pára de empurrar a sua carroça de tracção manual. Percorre a cidade de lés-a-lés. Muitas vezes com uma garrafa de “Tentação” no bolso, no lugar de uma garrafa de água.

É isso, meus compatriotas: o “tchoveiro” é produto das injustiças. E ele luta contra essas injustiças, trabalhando. Empurrando um carro que nunca pega. Mas ele empurra sempre, acreditando na canção do grande Abílio Mandlaze: “Tchova xita duma” (empurra, que vai pegar). Qual pegar?

Ao pensar no “tchoveiro”, o meu sono dilui-se porque este homem é uma ferida na minha alma, e penso que é também na alma de todos os moçambicanos sensatos. Por esta figura que come todos os dias o pão que o diabo amassou, o sono já não faz sentido. Quem me dera que todos nós pensássemos assim e a partir de hoje não dormíssemos mais, como os chineses! Daqui a 30 anos haveria pão à fartura, na mesa de todos os moçambicanos.

Por tudo isto, e  sempre me inspirando nos  ideais nobres de Samora Machel, digo: “A luta continua!”.

ALFREDO MACARINGUE

DURANTE as escaramuças que opuseram as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e os homens armados da Renamo, alguma imprensa “independente” batia na Frelimo e no seu Governo, acusando-os de matar a democracia, por estarem a tudo fazer para evitar os ataques contra os alvos escolhidos pelas forças daquela organização política. Entendia tal imprensa que o partido de Afonso Dhlakama tinha todo do direito de realizar ataques para “defender” a democracia. Editoriais, artigos de opinião, notícias e reportagens de todo o tipo e tamanho enchiam jornais e estações de rádio e de televisão com matérias bombásticas descrevendo supostas atrocidades praticadas pelas FDS e glorificando as acções dos atacantes.

Alguns meses depois de tomar posse como Presidente da República, Filipe Nyusi encetou contactos com o líder da Renamo visando encontrar caminhos para o restabelecimento da paz em Moçambique. Como resultado das conversas havidas, foi decretada a interrupção dos confrontos militares entre as duas partes. Seguiram-se negociações dirigidas pelo Chefe do Estado, Filipe Nyusi, e pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, culminando com o anúncio recentemente feito ao país e ao mundo sobre os consensos alcançados.

Em reacção à boa-nova tornada pública pelo Chefe do Estado, de vários quadrantes, nomeadamente de instituições nacionais e de figuras nacionais do mundo político e de negócios, de cidadãos comuns, bem como da comunidade internacional, ouviram-se vozes não só a congratular os feitos, como também a encorajar as partes para o que resta da caminhada. Sobretudo quando se sabe que ainda falta concluir o dossiê militar. Em resumo, a informação anunciada pelo do Chefe do Estado foi acolhida com satisfação. O caso não é para menos. O país está cansado de guerras.

Moçambicanos e muitos outros cidadãos que habitam o país há muito anseiam por um clima de paz para poderem realizar os seus desafios. Para poderem produzir e melhor contribuir para o desenvolvimento social e económico do país. Ao congratularem os feitos de Nyusi e de Dhlakama, esses cidadãos estão, na verdade, a engrandecer as duas figuras pela visão estratégica que levou a que abdicassem de dar ordens de combate aos seus comandados, passando a concentrar atenções na discussão de pontos de vista diferentes para alcançar pontos de vista convergentes.

As vozes de satisfação manifestadas no seguimento do anúncio do Chefe do Estado, quer pela comunicação social quer em tertúlias de ocasião, nos mercados, nas casas de pasto, na igreja, entre outros espaços, testemunham, portanto, o sentimento de todos aqueles que, não tendo tido a possibilidade de expressar publicamente os seus sentimentos, comungam da satisfação de saberem que, finalmente, estão a ser dados passos seguros para que o país volte a estar em paz.

Tenho consciência de que não fui investido de nenhum mandato para falar em nome de todos os cidadãos que vivem no país. Contudo, não estarei longe da verdade se disser que grande parte dos moçambicanos e não só está satisfeita com os consensos alcançados pelo Governo e pela Renamo nesta “empreitada” pela paz. A paz, como se sabe, é condição-base para as pessoas poderem dedicar-se à realização dos seus variados objectivos da vida. O país precisa da paz para se desenvolver, para criar condições para que os seus cidadãos tenham condições de vida melhoradas.

A ausência da paz, principalmente quando essa ausência é causada pela guerra, propicia muitas outras “guerras”. A começar pela luta pela sobrevivência que, perante as circunstâncias adversas, pode ser feita de formas muito mais violentas e nojentas. Pois, como se sabe, em momentos de dificuldades impera o salve-se quem puder. E nesse salve-se quem puder tudo pode valer. É como se de repente dezenas ou centenas de pessoas, encontrando-se num salão à noite e faltando luz sem explicação, todos querem sair ao mesmo tempo. O resultado é aquele que todo-o-mundo conhece: caos, confusão, mortes e feridos por asfixia, etc. Portanto, a paz é um bem maior que todos almejamos. E se todos almejamos, devemos todos lutar por ela.

 

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Marcelino Silva

 

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O NOME do estadista moçambicano, Filipe Nyusi, ecoou pelo mundo, não só pela simpatia que granjeou dentro e fora do país, quando da pré-campanha e campanha eleitoral, altura em que alternava o país e a diáspora, na promoção da sua imagem, mas também quando, mais recentemente, quebrou o protocolo do Estado, viajando à Serra de Gorongosa para dialogar com o seu opositor político, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

Com esta coragem e determinação, Nyusi, confirmava aquilo que o trovador Banze, dono de um grupo de canto coral, em Chivalo, distrito de Panda, em Inhambane, tinha dito, ao apelidá-lo de Alfa Ómega, pelo facto de ter sido o primeiro líder mundial, a parar com a guerra através de uma simples chamada telefónica. A ida a Gorongosa, consolidou essa designação de Alfa e Ómega, o princípio e o fim, segundo as escrituras sagradas, Apocalipse, capitulo 20 versículo 7.

Na sua última aparição pública, em Inhambane, finais do ano passado, a partir da vila turística de Inhassoro, Nyusi já dava indicação de surpresas agradáveis porque, segundo disse no seu comício, não devia ser preocupação da sociedade moçambicana saber como convenceu o seu “irmão” Dhlakama a decretar tréguas por tempo indeterminado porque, quando tomou posse, em Janeiro de 2015, disse que não descansaria enquanto Moçambique continuar a “arder” e que as suas idas à Gorongosa somente visavam pôr fim à guerra.

Parte das expectativas dos moçambicanos foi satisfeita, semana passada, quando, de forma surpreendente, o Presidente da República divulgou o produto do diálogo com o seu “irmão” sobre o processo da descentralização.

As reacções não se fizeram esperar. Alguns compatriotas acham que esta matéria abocanha o poder popular, ou seja, o povo perdeu a possibilidade de escolher o seu próprio dirigente ao nível da base alegadamente porque tal possibilidade ficou restringida a um determinado grupo de pessoas.

Mas o próprio Presidente da Renamo já sossegou a estas pessoas, explicando que esta inovação foi lançada para debate popular, onde todos podem expressar as suas opiniões para o aprimoramento do documento, pois, no computo geral, o pacote sobre a descentralização pretende operar mudanças na concepção das coisas, de forma a encorajar um equilíbrio na instalação do poder politico no pais.

De qualquer forma, na minha modéstia opinião, as mudanças lançadas pelo Presidente da República, não deixam de significar um acto de coragem e determinação.

Quero convidar a todos os compatriotas no país e na disporá, a apoiar esta arrojada iniciativa do estadista, sem deixar de lado o líder da Renamo que, contra aquilo a que nos habituou, tem estado a colaborar para o alcance da paz.

E para dar o exemplo desta sua abertura, convido o Dhlakama a se juntar ao Presidente da República, na explicação ao povo e não em teleconferências sobre como isto vai funcionar. Seria isto um grande exemplo de reconciliação nacional e de aprofundamento da democracia. Imploro assim a Afonso Dhlakama para sair do lugar incerto e voltar ao convívio normal junto de todo o povo moçambicano. Normal 0 false false false EN-GB X-NONE X-NONE

 

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VICTORINO XAVIER

 

 

 

 

O DEBATE sobre a paz no nosso país é e sempre será inesgotável e incontornável, enquanto ela não for duradoira e efectiva. Isso deve estar sempre nas nossas mentes como cidadãos moçambicanos. Enfatizando, falar da paz em Moçambique não é uma mera diversão porque ela mexe, de forma profunda, com os nossos corações, por sabermos quanto custou e está a custar para trazê-la efectivamente. Há muito que esperamos por ela na nossa pátria.

De facto, não há tempestade que perdure para sempre e a seguir nas nuvens às vezes surge o sol (solução). Com a fé e coragem alcançamos os nossos objectivos.

E pode ter sido acreditando nisso que o Presidente da República, Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, acordaram, de forma consensual, alguns aspectos importantes sobre a descentralização administrativa do país, cujo documento o estadista moçambicano já  o submeteu à Assembleia da República para os devidos efeitos.

Com isso, entendemos que aqueles concidadãos fizeram a prova de muita consideração para com o povo moçambicano, que sempre clamou sobre a necessidade de o país viver em paz duradoira e efectiva rumo ao desenvolvimento.

Abordamos este assunto aqui cientes de que os consensos alcançados entre os dois dirigentes não terão sido fáceis, exigiram grandes esforços num dos processos conflituoso e longo do continente africano. Acompanhamos, por exemplo, a ida à Gorongosa do Presidente Nyusi ao encontro de Afonso Dhlakama.

Os cidadãos deste país agora já têm a noção de que algo está sendo feito para que a paz que almejamos esteja próxima, bastando a seriedade e responsabilidade de todos nós, que devemos também pensar na unidade nacional para proteger os mais sagrados interesses da pátria.

 O sinal disso é que depois de o Chefe do Estado ter submetido o documento à Assembleia da República, o facto está a suscitar vários debates no seio da sociedade moçambicana, o que é muito bom, não só para a paz, como também para a consolidação da democracia participativa sustentada na justiça e inclusão social.

Falamos da justiça porque, no nosso país, a justiça ainda não responde aos anseios do cidadão comum, recorre, por exemplo, aos tribunais para ter alguma assistência jurídica. E com a paz efectiva acreditamos que as autoridades podem ter possibilidades de criar condições infra-estruturais e de recursos humanos e financeiros para responder a esses anseios.   

Todavia, a submissão do documento sobre a descentração àquele órgão legislativo, constitui uma oportunidade ímpar, de os nossos ilustres deputados demonstrarem que não são políticos assumidamente adeptos de uma prática retrógrada, no exercício das suas funções, como às vezes se comportam nos debates, privilegiando os interesses político-partidários em detrimento do bom servir, neste caso ao povo que o representam naquela assembleia.

Precisamos de deputados que nos digam a verdade, cuja prática seja consentânea, particularmente nos momentos dos debates dos problemas que afectam o país. O documento que já está em sede da nossa Assembleia da República exige responsabilidade, seriedade e sentido patriótico no seu debate, por parte dos nossos parlamentares.  

 Se nunca houve soluções rápidas, consistentes e eficazes do conflito político-militar que o país sempre enfrentou, esperamos que seja desta vez. Até porque esperamos, igualmente, que não seja difícil prever o que poderá acontecer com os debates do documento na nossa Assembleia da República.

Com a paz duradoira e efectiva os moçambicanos terão opções dignas de vida, circulando livremente em todo o território nacional. Vamos dar outra vez ao mundo, o exemplo de um país de reconciliação depois de uma longa guerra fratricida, trazendo essa paz.

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE

 

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O QUE está a acontecer na África do Sul lembra-me o antes do Iraque, Líbia, Egipto, Tunísia e a tentativa feita na Síria e, muito recentemente, na Venezuela. A intenção é a mesma: descredibilizar as lideranças em exercício, catalogando-as com os mais variados adjectivos nocivos e apresentando “novos, limpos e exemplares” para tomarem os destinos dos países nas suas mãos. O mesmo é dizer, os promotores dessas “revoluções” querem, isso sim, controlar os destinos dos países e, principalmente, a forma como esses destinos são traçados.

Em relação a Moçambique – reagindo aos esforços pela paz, reagindo à forma como o país se está a aguentar no capítulo económico e social – não se estão a verificar os levantamentos populares que esperavam, a estabilidade política é uma realidade, reina uma paz social significativa, os promotores das primaveras aí estão a porem em marcha os seus planos b, c, d, etc. Expoentes máximos desses planos são os ataques armados lá p’ra o norte do país. Para os justificarem baptizam os atacantes de membros de grupos extremistas sobejamente conhecidos.

Como se sabe, as principais consequências do anúncio das chamadas dívidas ocultas foram a suspensão do apoio ao Orçamento do Estado moçambicano por parte do Fundo Monetário Internacional e dos parceiros tradicionais contribuintes para aquele “cofre”. Como era de esperar, a suspensão da ajuda resultou no aumento das dificuldades de acesso aos produtos de consumo e de outros serviços indispensáveis para a vida das pessoas. O emagrecimento do orçamento estatal, que se reflectiu no natural emagrecimento das previsões programáticas dos cidadãos, traduziu-se na redução do cabaz dos produtos básicos dos cidadãos. Ao nível das instituições públicas, optou-se pela priorização de serviços efectivamente indispensáveis.

Para fazer face aos problemas impostos pela redução da fatia do orçamento estatal, as autoridades aprimoraram os processos de cobrança de impostos para assegurar condições financeiras para o funcionamento do Estado. Paralelamente, o reitor das finanças do país, o Banco de Moçambique, tomou medidas que podem ser consideradas acertadas no capítulo cambial. Objectivo: balizar a actuação dos agentes económicos, dos bancos comerciais e de todos os agentes envolvidos, evitando assim, a bangunça que os “primaveristas” esperavam.

E os objectivos foram alcançados. O país continuou a funcionar, o governo e as suas instituições continuaram a funcionar, a sociedade “ouviu” e assumiu os apelos dos dirigentes governamentais e empenhou-se na produção nos mais variados campos de actividade. O metical estabilizou-se, garantindo que os preços dos produtos e de outros bens essenciais não despancassem. Em resumo, sobrevivemos à tempestade.

Estes sucessos – sim, são sucessos - não agradaram e nem podiam agradar aqueles que nos querem mal. Esperavam é que por estas alturas estivéssemos a comermo-nos uns aos outros. Na tentativa de contrariar os sucessos, uma das formas que encontraram foi a promoção de ataques armados, neste momento centrados em alguns distritos de Cabo Delgado. A escolha daquela província não é aleatória como se pode imaginar. Então, não é lá onde estão concentrados os grandes investimentos para a extracção de gás e de petróleo alguma vez vistos no país? A alegação de que os ataques estão a ser realizados por membros integrantes de grupos extremistas conhecidos é, na minha opinião, uma tentativa de lançar areia aos nossos olhos. Entendo, por outro lado, que um dos objectivos desta estratégia é provocar outro tipo de conflitos, nomeadamente para que se olhe para a comunidade islâmica como inimiga “do resto” dos moçambicanos.

A última cartada – provavelmente muitas outras virão - é a tentativa de “grudar” Moçambique ao conflito que opõe os Estados Unidos da América à Coreia do Norte, por causa dos tais de mísseis nucleares. Não é por acaso que os “states” mandaram a sua televisão-mor, a CNN - Cable News Network -Rede de Notícias a Cabo, fundada em 1980 por Ted Turner, “investigar” supostos negócios coreanos em Moçambique na área das pescas. Refira-se que há uns meses circularam informações indicando que Moçambique e Angola estariam a cooperar militarmente com a Coreia do Norte, violando assim as sanções decretadas pelas Nações Unidas contra aquele país.

O que se espera após os resultados da suposta investigação da CNN? Nada mais nada menos do que sancionar Moçambique. O mesmo é dizer, bater ainda mais num povo cujo aperto do cinto atingiu o ponto em que só falta partir o que resta da espinha dorsal. Aí sim, estaria atingido o nível-3 da desestabilização, que é levar os cidadãos a revoltarem-se reeditando o 5 de Fevereiro de má memória. É assim como age o inimigo. Cria casos para depois usá-los para criar instabilidade e caos…

MARCELINO SILVAEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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