NÃO acontece todos os dias uma mulher dar à luz trigémeos. Aconteceu com Isabel Lumbela, 33 anos, que teve dois rapazes e uma menina no meio de dificuldades, no bairro de Muhalaze, município da Matola, província de Maputo.

A situação da família é muito crítica, porque o pai, que responde pelo nome de A. Chivambo, quando soube dos trigémeos desapareceu, mudou de casa onde era arrendatário e trocou o número de telefone celular, de modo a que esteja incontactável. 

O caso de amor, que parecia ser para sempre, virou desilusão e Isabel Lumbela faz hoje contas à vida perante as dificuldades por que passa para se sustentar. 

Os trigémeos juntam-se a outros quatro filhos que Isabel já cuidava sozinha, depois de ter sido expulsa do lar em 2013. O pai dos menores não tem prestado o devido apoio.

Isabel conta que desde o dia do parto, a 14 de Dezembro, até ao presente momento atravessa uma das fases mais dolorosas da sua vida. Primeiro, porque o parto foi à cesariana e não tem quem lhe apoie no quotidiano, para além de que nesta condição não tem como trabalhar para o sustento da família.

Disse ter recebido três quilos e 200 gramas de leite para os bebés na maternidade do Posto de Saúde de Muhalaze, onde deu parto.

Para comer depende do primeiro filho de 19 anos que faz pequenos serviços na vizinhança ou quando é contratado como servente de obras.

“Nestas situações ele traz à casa entre 100 e 150 meticais e compramos algo para comer. Se o dinheiro não for suficiente, preparamos arroz simples e comemos, apenas para atenuar a fome”, referiu.

Felismina Uamba, chefe do quarteirão, disse que a situação é preocupante, porque mesmo as pessoas com boas condições financeiras têm dificuldades de assistir a três bebés da mesma idade.

“Neste momento só peço ajuda a quem de bom coração para criar estes filhos que vieram ao mundo sem nenhuma culpa. Eu saí duma relação e fazia a minha vida. Comercializava capulanas e nos últimos meses eu era retalhista no Mercado Grossista do Zimpeto. Apareceu alguém se intitulando de que me amava e queria construir um futuro melhor comigo, mas quando viu frutos da relação fugiu sem deixar rastos. Eu não posso fazer o mesmo. Vou resistir até às últimas consequências. Sei que mais tarde a família destes gémeos vai aparecer a reclamar a paternidade, mas agora, como é fase de sofrimento, ninguém se aproxima. Nem a irmã do pai que tinha boas relações comigo não quer saber nada dos sobrinhos”, lamentou Isabel.

Verónica Nhabomba, chefe do posto administrativo do Infulene, município da Matola, em nome do Conselho Municipal ofereceu aos gémeos e à mãe, em Muhalaze, durante as celebrações do dia da Matola, um um enxoval e ainda um colchão, leite e 25 quilos de arroz.

“A oferta surge em solidariedade e no quadro da assistência social aos munícipes, através de apoios às famílias necessitadas, sobretudo as vítimas de calamidades naturais”, explicou a chefe do posto.

Maria Augusta, técnica da área de Apoio Social Directo no Instituto Nacional de Acção Social (INAS), a nível da província do Maputo, disse ao “Notícias” que já foi feita uma visita à família e constatou-se que as condições não são agradáveis e a intervenção social é necessária e urgente.

“Ficamos muito sensibilizados com a situação. A primeira intervenção foi de dar um “kit” constituído por 3 quilos de açúcar, 3 de amendoim, 9 de arroz, 18 de farinha e 2 de sal; 4 latas de sardinha, 3 litros de óleo e seis barras de sabão. Neste lote faltou o leite para os bebés devido às dificuldades que tivemos, mas iremos deixar, nos próximos dias, juntamente com o enxoval completo. Temos a consciência de que a quantidade de produtos não é suficiente para aquela família, mas é o que neste momento podemos oferecer”, disse Maria Augusta. 

A fonte garantiu que nos primeiros seis meses os bebés vão receber 7 (sete) quilos e 200 gramas de leite latogen 1. Depois de um semestre passarão a receber 2 quilos de latogen 2 e 4 pacotes de cerelac.

Samuel Uamusse

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