DURANTE muitos anos foi terra de quase nada. A cidade cresceu e o sítio valorizou-se sobremaneira em função da construção do Estádio Nacional do Zimpeto e do já existente “Grossista”. Hoje é o local de encontros e desencontros e marca do mau atendimento aos utentes.

O Terminal Rodoviário do Zimpeto é, apesar de todas as vicissitudes por que passa actualmente, um espelho da expansão da cidade e símbolo da ligação com outros bairros da periferia de Maputo, Matola, Marracuene e não só, cujo transporte tem ali o ponto de partida e chegada.

Os terminais da Junta e da Praça dos Combatentes (Xikhelene) não chegam a registar, de longe, o movimento que este lugar tem desde o raiar do sol. Para além dos transportadores e utentes, o local também é “infestado” por vendedores informais e pelos amigos do alheio. Por isso mesmo, é também o lugar de desordem e do salve-se quem puder.

Muitos escalam o lugar por mera necessidade, na falta de outras opções para fazer ligações. Aliás, o mesmo foi concebido tendo como visão o funcionamento intermodal. A lógica era de que os transportes que demandam o centro da cidade teriam ali um ponto de transferência de passageiros que rumam para os bairros mais a norte da capital e vice-versa, e não houve preparação suficiente para atender aos desvios.

De facto isso sucede desta maneira desde a altura que os semi-colectivos, que tinham como destino final o Benfica, foram forçados a mudar de terminal para o Zimpeto.

O advento da COOTRAC veio dar dinâmica ao terminal, de modo que mesmo aqueles transportadores que insistiam nos encurtamentos tiveram que mudar a forma de estar. Parte dos informais que estão no terminal do Zimpeto também vieram do Benfica, seguindo o movimento.

No entanto, nos dias que correm nem tudo é um mar de rosas. Há cada vez menos autocarros a demandarem o terminal, devido às avarias e à falta de reposição dos meios, facto associado aos elevados custos de compra derivados da desvalorização da moeda nacional.

Neste contexto, o espaço que era destinado aos autocarros e mini-buses está paulatinamente a ser ocupado pelos popularizados “my love”. Esta situação traz desconforto e baixa qualidade no atendimento aos utentes.

INFORMAIS NO LUGAR DOS PASSAGEIROS

Quem demanda o terminal do Zimpeto é confrontado diariamente com a venda informal que a cada dia ganha espaço que era para a livre circulação e acomodação dos utentes. No local pode-se comprar desde roupa usada, chinelos, sapatilhas, refrigerantes, água gelada, cigarros, acessórios de telemóveis e recargas, amendoim torrado, alimentos confeccionados e prontos para o consumo, para além de frescos, como tomate, cebola, pimenta, pipino, entre outros.

Esta situação acontece, na maior parte das vezes, sob o olhar impávido da Polícia Municipal, que se limita a cobrar taxas pouco claras, uma vez que o local não foi destinado aos informais.

A presença dos vendedores no terminal está a contribuir, sobremaneira, para a degradação precoce do mesmo.

Na concepção dos terminais, o Conselho Municipal dispôs uma vedação, alpendres, assentos, sanitários públicos e outras facilidades para os utentes. É assim no Terminal da Junta, do Xikhelene e também no do Zimpeto.

À primeira fica difícil, para quem não está familiarizado com a situação, descortinar se o espaço foi mesmo concebido para terminal de transportes ou para um mercado informal, onde comprar e vender são as regras de base. Nesta desordem, tem lugar também a acção dos larápios que encontram terreno fértil.

Falando ao “Notícias”, os informais disseram que o município não tem legitimidade para “escorraçá-los”, porque as autoridades se fazem presentes para cobrar taxas, o que significa aceitação da sua actividade.

MUNICÍPIO ESTÁ ATENTO

O director municipal dos Transportes e Trânsito, Carlos Diante, disse que as autoridades não estão alheias à presença de vendedores ambulantes no interior dos terminais.

Segundo ele, está em curso um trabalho coordenado com a Polícia Municipal visando retirar os vendedores que contribuem para a degradação precoce das infra-estruturas. Explicouque se trata de violação da postura camarária que não permite a presença de vendedores ambulantes nos terminais dos transportes semi-colectivos de passageiros, como ocorre no Xikhelene e Zimpeto.

 “Não estamos alheios ao problema, pelo que estamos a trabalhar com vista a libertar o espaço apenas para transportadores. Não fica bem colocarmos a Polícia a expulsar os ambulantes. Eles devem perceber que aqueles locais não são ideais para a sua actividade. Primeiro vamos sensibilizar, mas em caso de resistência teremos que usar a força”, disse.

“Chapas” geram caos

O funcionamento dos semi-colectivos de passageiros também é a outra fonte de desordem e caos, sobretudo no final do dia, altura que há riscos acrescidos, quer para a segurança dos utentes, quer do tráfego, no geral.

O terminal, que serve de ponto de chegada e/ou partida durante o dia, praticamente fecha ao entardecer, e os embarques e desembarques passam a efectivar-se na entrada do Estádio Nacional do Zimpeto, o que concorre para o bloqueio da estrada e congestionamento do tráfego.

A desordem é justificada pela alegada proliferação de ladrões no terminal e falta de iluminação que afugentam os passageiros para a zona da entrada do campo de futebol. Em cadeia, os transportadores deixam de ir ao local recomendado e estacionam os carros onde os utentes se aglomeram.

Trabalhadores, alunos e outros utentes que regressam à casa lutam ombro a ombro para ter um lugar no semi-colectivo ou no “mylove”, num processo que sacrifica os mais fracos.

A Polícia Municipal, na voz do seu porta-voz Joshua Lai, garante que a situação é do conhecimento das autoridades e há algum trabalho com vista à sua normalização, mas é um assunto que leva tempo.

Acrescentou que agentes da Polícia Municipal se posicionam na zona para controlar o fenómeno, mas a sua presença não se nota, a avaliar pela persistência da situação.

COOTRAC insatisfeita

A COOPERATIVA de Transportes do Corredor N1 (COOTRAC1), que tem Zimpeto como uma das suas terminais, queixa-se de excesso de zelo do Fundo de Transportes e Comunicações (FTC) na gestão dos autocarros concedidos a operadores privados a título de crédito.

Segundo a COOTRAC, técnicos do FTC têm estado a emitir multas a autocarros surpreendidos a operar fora do corredor da avenida de Moçambique.

António Rodrigues, presidente da COOTRAC, disse que operam fora do corredor na base de coordenação com o município e tem em vista reduzir as enchentes nos terminais de outras linhas.

“A nossa missão é disponibilizar transporte para os munícipes, daí que quando há necessidade actuamos noutras linhas. Aliás, muitas vezes essa situação acontece no período da noite, altura em que há falta de transporte na capital”, disse Rodrigues.

Acrescentou que a obrigação da sua instituição para com o FTC é produzir dinheiro para amortizar o crédito usado, em 2016, na aquisição dos 50 autocarros entregues a operadores privados.

Rodrigues aponta que a não efectivação da concessão do corredor (avenida de Moçambique) e a revisão da tarifa retardam a organização do sistema de transporte na cidade.

“Aquando da implementação do projecto, desenhámos alguns pilares como, por exemplo, a operação em regime de exclusividade, a revisão da tarifa e o uso do bilhete para minimizar as fraudes protagonizadas pelos passageiros, mas nada está a ser cumprido”, frisou Rodrigues.

Na sua opinião, “é necessário um sistema de transporte sério, de modo que o utente tenha certeza de que sempre que se fizer à paragem terá o autocarro”.

Anotou que um estudo efectuado, recentemente, nos autocarros, através das câmaras de vigilância, constatou que pelo menos 100 passageiros não pagam bilhetes, comportamento que lesa a COOTRAC. 

Esta semana, segundo a fonte, 11 passageiros foram encaminhados à cooperativa, porque não tinham pago os bilhetes e não dispunham de dinheiro e tiveram que se sujeitar a lavar os autocarros.

João Mathombe, vereador para a área de Transportes e Comunicações no Conselho Municipal, disse ter recebido reclamações e está a trabalhar para ultrapassar os prováveis problemas.

Esclareceu que se o FTC estiver a actuar fora da lei será obrigado a parar de fiscalizar os autocarros, de modo a garantir que os operadores trabalhem para transportar os munícipes e amortizar os créditos.

“Há uma coordenação entre o município e a cooperativa, por isso, havendo problemas com o FTC, vamos buscar uma solução. Todo o esforço deve ser em benefício dos passageiros”, disse.

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