LÁ se vão os tempos em que a capital do país a cidade das acácias  era um lugar aprazível, tal era o nível de limpeza e consequente recolha de resíduos sólidos. Hoje, restam apenas lembranças do tempo entre os citadinos que testemunharam ruas, avenidas e esquinas da urbe limpas e em que a deposição desregrada do lixo era sancionada pela fiscalização.

Os citadinos dão conta que há uma ligeira melhoria na recolha do lixo, mas os resultados ainda não são satisfatórios. Afirmam haver défice de contentores para o depósito de resíduos e de camiões para a sua remoção.

 Sérgio Ernesto, sapateiro que exerce as suas actividades na baixa da cidade, conta que a falta de contentores contribui, de certa forma, para a proliferação do lixo na urbe. Afirma que há lugares onde não há sequer um contentor para o depósito dos detritos. 

Por seu turno, Armando Chavane, residente no “Maxaquene-B”, aponta a falta de meios como um dos motivos que concorrem para a existência de muitas lixeiras no bairro.

“Os moradores recorrem a um único contentor que se encontra do lado oposto da Avenida Joaquim Chissano, no Bairro da Malhangalene e chega a não ser suficiente para o lixo que é produzido. Há que aumentar o número de depósitos”, disse.

Fina Manhiça, vendedeira de frutas, residente no Albasine, queixa-se do facto dos carros de recolha de lixo não exercerem o seu papel com a regularidade necessária. Situações há, segundo conta, em que passa um mês sem que se proceda à remoção dos contentores.

Manhiça também não deixa de apontar o dedo aos munícipes que, na sua óptica, devem pautar pela urbanidade.

Para além de insuficiência de meios para o depósito e remoção do lixo, a postura dos cidadãos no tratamento dos resíduos sólidos também conta. A atitude que assumem quando estão na via pública não é, muitas vezes, igual ao tratamento em casa.

Artur João, vendedor ambulante, interpelado pelo “Noticias”, na Avenida Karl Marx, aponta a imundície como sendo também consequência da má atitude dos munícipes, que chegam a depositar restos de papel, comida e outros resíduos em lugares impróprios. Todavia, considera este facto agravado pela falta de depósitos.

“Em princípio, as autoridades municipais é que têm a responsabilidade de gerir o lixo, colocando depósitos suficientes para posterior remoção. No entanto, os munícipes também devem ser sensíveis a esta situação”, disse.

Na expectativa de melhorias

O Conselho Municipal da cidade de Maputo (CMCM) tem em carteira vários projectos de melhoria do saneamento que pretende levar a cabo a médio e longo prazos.

Aquando do recente lançamento da “Plataforma Africana de Cidades Limpas” foram assegurados para a cidade de Maputo investimentos tendentes ao aperfeiçoamento do sistema de gestão de resíduos sólidos. A ideia é fazer a articulação entre as autarquias e os ministérios que lidam com o ambiente no desenho de estratégias favoráveis ao meio ambiente.

Durante a conferência de três dias que decorreu na capital, o governo japonês, através do seu Ministério do Ambiente, garantiu apoiar o país na formação de quadros para a gestão de resíduos sólidos bem como no seu aproveitamento para a produção de energia, acções que irão contribuir, significativamente, para a melhoria na gestão de detritos na cidade.

Ainda neste contexto, a Assembleia Municipal da Cidade de Maputo aprovou, no ano passado, umaposturasobre o saneamento que estabelece os padrões para construção de latrinas e fossas, além de disciplinar algumas práticas de gestão de lixo e águas residuais por parte dos munícipes e instituições.

O documento prevê ainda a punição de quem for contra as regras, para além de uma taxa para garantir o pleno funcionamento das instituições responsáveis pela recolha de lixo, lamas fecais e outros detritos nocivos ao ambiente. É ambição do Conselho Municipal contribuir, com esta postura, para a melhoria do meio ambiente na cidade das acácias.

A perspectiva do município é que se operacionalize o plano de construção de novas valas, centros de tratamento de águas, provimento de meios de médio e pequeno porte para a remoção de lamas e limpeza de fossas, investimento que se acredita virá dar novo alento à cidade. Este projecto abrange quase todos os bairros da cidade e alguns distritos como Boane, Marracuene, e Matola, por exemplo.

João Mucavel, director do pelouro de Salubridade e Cemitérios, afirmou que o projecto está, neste momento, na fase de apreciação e, posteriormente, seguirá para a implementação.

“A gestão do lixo requer um suporte financeiro, o que é possível com a boa vontade de todos os intervenientes sociais. Aliás, esta questão está na responsabilidade não só do município mas também de toda a sociedade”, disse João Mucavel.

O município de Maputo tem contado com empresas privadas de limpeza, desde 2012, facto que trouxe resultados relativamente satisfatórios com a remoção de resíduos sólidos 24 horas ao dia.

“O município, sozinho, não vai suprir esta situação, por isso, vamos contratar mais empresas que trabalham com resíduos sólidos e criaremos pequenas unidades que irão supervisionar o nível das melhorias nos bairros”, vincou.

A solução para esta problemática não se limita apenas na implementação de estratégias diversas mas também de normas capazes de garantir a boa postura na urbe.

Por isso mesmo, João Mucavel defende a necessidade de se pensar em leis tendentes à protecção do meio ambiente.

“Melhorar o saneamento na urbe implica que haja leis que sirvam de controlo da acção humana sobre o meio. Neste sentido, as autarquias e o Ministério de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural estão a trabalhar conjuntamente para o efeito’, disse.

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