AS cidades de Maputo e Matola, e arredores acordaram ontem debaixo de um intenso nevoeiro que, de entre várias consequências, condicionou a circulação de viaturas, a navegabilidade aérea e marítima na baía.

O trânsito rodoviário, quer no centro da capital, quer nos diferentes bairros se processava em marcha bastante lenta devido àfraca visibilidade.

Os transportadores semi-colectivos de passageiros iniciaram as suas actividades tardiamente, provocando enchentes nos terminais e paragens intermédias, com as pessoas a procurarem o “chapa” para os diferentes destinos. Como resultado, citadinos há que não conseguiram chegar aos postos de trabalho a tempo, o mesmo acontecendo com alguns estudantes.

A navegação dos “ferry-boats” e outras embarcações de pequena dimensão, que garantem a ligação  dos dois pontos da baía de Maputo, ficou, igualmente, condicionada. Aliás, apenas o barco “Nossa Senhora da Boa Viagem” é que “madrugou”, uma vez que dispõe de sensores que permitem detectar obstáculos à distância, mesmo em condições de má visibilidade, como era o caso.

A situação só veio a normalizar-se pouco depois das 9.00 horas.

Wanda Tereza, estudante de Engenharia na Universidade Eduardo Mondlane, foi uma das prejudicadas devido à circulação tardia do “ferry-boat”. Ela devia estar na faculdade às 8.00 horas para defender a tese de licenciatura, mas só às 9.00 horas é que conseguiu desembarcar em Maputo.

Das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) recebemos a indicação de que as operações aéreas ficaram condicionadas desde às 05:00 horas, devido à fraca visibilidade, de 50 metros, reportada no Aeroporto Internacional de Maputo, muito aquém dos 400 metros e 800 metros requeridos para as descolagens e aterragens seguras, respectivamente.

Por via disso, nenhuma aeronave descolou ou aterrou no AeroportoInternacional de Maputo, facto que afectou os primeiros voos, como é o caso do percurso Maputo/Nampula/Lichinga  que deveria ter partido às 06:30 horas e Maputo/Joanesburgo/Maputo, que deveria ter partido às 07:00 horas. O atraso destes voos acabou comprometendo outros que  são operados pelas mesmas aeronaves, situação que implicou reprogramações da operação da LAM no dia de ontem.

Acácio Tembe, do Departamento de Análise e Previsão de Tempo no Instituto Nacional de Meteorologia, explicou que a ocorrência de nevoeiro ou neblina é normal durante o período seco, sobretudo nos meses de Junho e Julho.

A fonte clarificou que na segunda-feira a temperatura atingiu 33 graus centígrados e durante a noite baixou drasticamente, mantendo a pressão, facto que provocou uma saturação atmosférica.

O interlocutor disse ao “Notícias” que a visibilidade, entre as 5.00 e até perto das 8.00 horas, esteve reduzida sendo possível ver até 50 metros, o que geralmente complica a circulação de pessoas, viaturas, embarcações e até aeronaves.

“Entre as 5.00 e as 8.00 horas, não era possível visualizar um obstáculos há uma distância de 50 metros. Quando é assim recomenda-se que os carros circulem com luzes acesas. É a primeira vez que temos nevoeiro intenso este ano, mas a ocorrência deste tipo é característico do período seco”, explicou Tembe.

Contactadas pelo nosso jornal, as autoridades policiais disseram que não houve registo de nenhum acidente de viação resultante da má visibilidade. Reiteraram. No entanto, os apelos para que em situações como estas os automobilistas sejam mais cautelosos, circulando em marcha lenta e com luzes acesas.

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