A UNIDADE de Intervenção Rápida da Polícia da República de Moçambique, lançou gás lacrimogéneo esta manhã, para dispersar os funcionários da Universidade Eduardo Mondlane, que se encontram em greve desde ontem em Maputo.

Os trabalhadores que se encontravam amotinados nas proximidades do edifício da Reitoria desta maior instituição de ensino superior em Moçambique, a exigir o pagamento do bónus de efectividade, foram obrigados a abandonar o local devido aos efeitos do gás. O mesmo aconteceu com os estudantes que se encontravam no local à procura de informação sobre os exames de recorrência que deviam se realizar esta semana, entretanto afectados pela paralisação das actividades.

Neste momento, o campus da UEM encontra-se sem ninguém. A nossa Reportagem constatou no local que está a decorrer uma reunião do conselho coordenador da Universidade Eduardo Mondlane.

Os manifestantes exigem o pagamento de bónus desde o passado mês de Novembro, mas devido à insuficiência de fundos, a maior universidade do país ainda não conseguiu efectuar, facto que ontem fez paralisar as actividades da instituição

Aliás, numa comunicação feita ao fim da tarde de ontem, primeiro dia da greve, o Vice-Reitor da instituição, Armindo Daniel Tiago, reconheceu que a UEM enfrenta problemas em várias áreas de funcionamento, tais que obrigam à redução de actividades lectivas e de investigação. “Portanto, não é só o Corpo Técnico Administrativo (CTA) que se ressente destes cortes. É toda a universidade”, explica o Vice-Reitor.

A interrupção está a comprometer, também, a realização de exames de recorrência nalgumas faculdades, uma vez que os funcionários vedaram o acesso dos estudantes à Biblioteca Central Brazão Mazula e às salas de aula.

As portas de quase todos os departamentos e serviços estão encerradas e os seus ocupantes manifestam-se diante do edifício da Reitoria, entoando canções e empunhando dísticos.

O Bónus de Efectividade, segundo o porta-voz dos funcionários, António Mazima, deveria ter sido pago em Novembro tal como noutros anos, mas não aconteceu por dificuldades financeiras, e nem se concretizou ao longo do primeiro trimestre deste ano, conforme havia sido prometido.

Na sequência de contactos encetados por carta pelos funcionários, o Reitor da UEM, Orlando Quilambo, orientou os directores de cada órgão/unidade funcional a explicar a situação em que a universidade se encontra, do que deriva a impossibilidade de pagar o bónus de efectividade.

Em 2015, o pagamento deste benefício representou 14 por cento da folha de salários, correspondente a 17.4 milhões de meticais para 1027 funcionários e o referente ao ano passado seria de 17 por cento, englobando 1118 pessoas, correspondente a 20.9 milhões de meticais.

Num documento levado a conhecimento dos funcionários, a universidade explica que outras medidas de cortes estão a ser efectuadas, nomeadamente das horas extraordinárias aos docentes, do subsídio de combustível e telemóvel e o aumento dos preços de refeição, cama na residência dos estudantes.

Entretanto, tal como soube o nosso jornal, os grevistas pedem a intervenção do Reitor e reclamam prioridade na resolução dos seus problemas, uma vez que são eles que garantem o funcionamento da universidade, mas sempre são relegados ao segundo plano.

Mais detalhes nas próximas horas.

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