Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

É UM negócio informal que está a ganhar espaço nas principais avenidas dos arredores da cidade de Maputo. Em quase todos os estabelecimentos de venda de assessórios para viaturas, o óleo do motor avulso é um “item” presente.

Pouco se sabe da qualidade e propriedade destes lubrificantes, mas ainda assim muitos automobilistas optam por este produto, vendido na rua, por causa do preço que é mais baixo comparativamente com o mercado formal. Ignoram a hipótese de estarem a usar óleo adulterado.

Segundo os vendedores, este produto tem sua origem na África do Sul e o tambor de 210 litros é adquirido a preços equivalentes a 16 a 22 mil Meticais. Na cidade de Maputo, o óleo é comercializado em recipientes de meio, um e 1.5 litro a preço que varia de 60 a 160,00MT.

Maria Cristina não tem estabelecimento de acessórios, mas vende lubrificantes. Diz ter iniciado o negócio há pouco tempo nas bermas da avenida Vladimir Lenine.

Apesar de o negócio ser sustento da sua família, explicou que vive constrangida pois a Polícia Municipal proíbe esta actividade na via pública.

“A Polícia disse que não devo vender óleo na rua. Por isso, o meu trabalho é muito difícil. Não tenho ainda condições de ter uma loja”, disse em conversa com o “Notícias”.

Segundo Cristina, os transportadores semi-colectivos de passageiros (chapeiros) lideram a lista dos maiores compradores daquele produto, mas há alguns carros particulares que preferem este óleo.

Por dia vende 15 a 20 litros, mas às vezes não consegue sequer um cliente.

Diferente de Cristina, pode-se encontrar ainda pontos fixos de venda de lubrificante, um destes é o  Mabamane Auto Parts na avenida de Moçambique, concretamente no bairro 25 de Junho. O proprietário contou que recebia regularmente o produto da África Sul.

“Este óleo é trazido da África do Sul pelos nossos fornecedores num período de um a dois meses. Pagamos cerca de 20 mil Meticais pelo tambor de 210 litros e vendemos a unidade por 150 ou 160,00MT”, disse o responsável do estabelecimento.

Questionado sobre quem seriam os potenciais clientes, a fonte afirmou que os operadores de transporte semi-colectivo são os que mais compram.

“Os nossos clientes são os chapeiros. Compram porque é acessível. O óleo avulso é mais económico para eles porque a troca de lubrificante é feita em menos tempo”, explicou.

Apontou ainda que nunca houve reclamação de danos em veículos por causa do uso deste tipo de produto.

Porém, declarou que os consumidores nunca perguntavam a marca deste óleo, facto que mostra alguma negligência.

O nosso interlocutor garante que o óleo avulso em questão, “Castrol-40”, é o melhor porque é de longa durabilidade. “Sai em conta comprar o produto a 160 do que o selado a 500 Meticais”, reiterou.

Algo que pode levantar suspeitas é o facto de a mesma quantidade e qualidade semelhante de óleo estar a ser comercializado a preços com uma diferença de 350 Meticais no circuito formal.

O “Notícias” foi até “Benfica”, na avenida de Moçambique, onde o óleo é exposto na berma da estrada. A presença de equipa da Reportagem incomodou alguns vendedores, mas mesmo assim reconheceram que não tinham licença para o exercício de actividade.

 

Consumidores divergentes

Os automobilistas usuários do óleo avulso Castrol-40 têm ideias divergentes sobre a qualidade e preço do produto. Enquanto uns preferem este lubrificante para poupar dinheiro, outros optam em investir um pouco mais para comprar um produto selado, como forma de assegurar a durabilidade do motor das viaturas.

Daniel Sitoe, motorista de um transporte semi-colectivo de passageiros, diz que prefere comprar o óleo avulso porque o motor do seu veículo exige lubrificação sistemática, chegando a gastar três a cinco litros por dia.

Facto curioso é que ele não se preocupa com o tipo de óleo que injecta no seu carro.

Afirmou que optava por óleo avulso porque é mais acessível comparado com o produto selado, que chega a custar 300 Meticais nas bombas de combustíveis.

Custódio Manjate, outro condutor, diz não apreciar o óleo avulso. “Eu não uso este produto por ser de baixa qualidade, dura menos tempo e danifica o motor do carro, que chega a emitir um fumo com cheiro estranho”.

Entretanto, afirmou que os produtos avulsos comercializados nas bombas de combustível são os mais adequados, embora o valor da sua aquisição seja mais elevado.

“O óleo avulso vendido nas bombas é mais seguro, mas caro. O litro custa 260, contra 160 Meticais nos vendedores informais”, colocou.

 

INNOQ sem meios

O director do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), Alfredo Sitoe, reconhece que a intervenção da instituição que dirige será difícil por se tratar de actividade comercial exercida em moldes informais.

“Tratando-se de venda informal, não temos como intervir ou fiscalizar este produto, mas posso assegurar que a qualidade do óleo é duvidosa, uma vez que nada se sabe sobre as propriedades,  formas de armazenamento e embalagem do mesmo. Por isso, o seu uso pode trazer sérios danos aos motores dos veículos”, alertou.

Sitoe acrescentou que os automobilistas devem ser vigilantes em relação ao tipo de produto que escolhem para a manutenção dos seus automóveis.

“Assim, cabe aos automobilistas terem atenção sobre o tipo de lubrificante que usam para as suas viaturas. Pois, há sempre normas específicas para tal”, sublinhou.

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