Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

O ANO lectivo 2018 arranca oficialmente amanhã em todo o país. Este é o motivo da azáfama dos pais e encarregados de educação, que tentam adquirir o material e uniforme escolar, bem como das escolas, que procuram afixar atempadamente as listas de turma e criar condições para a disponibilização do livro escolar.

Por isso, os estabelecimentos comerciais que vendem material escolar, livros e  uniforme estão sem mãos a medir face à crescente procura. O desejo é corresponder às necessidades dos clientes.

A situação é tal que, de um momento para o outro, o material escolar virou cartão-de-visita nas principais ruas e avenidas da capital do país, com os vendedores informais a virarem as suas atenções para este negócio. Tal facto é visiível sobretudo na zona baixa da cidade, principalmente nas avenidas Zedequias Manganhela, Guerra Popular, Filipe Samuel Magaia, Josina Machel, Fernão de Magalhães, entre outras.

Até os que comercializam roupa usada, ferragens, sapatos, malas e electrodomésticos diversos momentaneamente viraram as suas atenções para a venda de material escolar, adquirido na sua maioria em estabelecimentos vocacionados para a venda de artigos similares, tornando-se potenciais concorrentes.

A Reportagem do “Notícias” visitou alguns pontos de venda, e os negociantes afirmam que abandonaram o negócio anterior, pois o lucro na venda de material escolar está mais que garantido por estes dias.

“Comecei a vender acessórios de telemóveis em 2015, mas o negócio não tem tido tanta procura. Nesta altura compra-se mais material escolar, por isso apostei nisso”, disse Lázaro Celestino, comerciante informal.

O mesmo motivo fez com que Isaque Fernando deixasse o negócio de calçado, no qual está há três anos.

“Por estes dias, temos tido um movimento significativo de procura de cadernos, material de desenho e outros itens de uso escolar. Mesmo quando a procura reduz, continuo a vender o pouco que posso para sustentar a minha família”, acrescentou.

Procura gera oportunismo

UMA das maiores barreiras dos cidadãos que se deslocam à baixa da capital em busca do material escolar é o oportunismo, com os desonestos a ultrapassarem os preços.

Jorge Tembe, jovem de 21 anos, encarregue de adquirir material escolar para si e seus irmãos, lamenta o facto de anualmente se inflacionarem os preços do material escolar.

“A explicação é sempre a mesma: o custo de aquisição aumentou, mas não entendo como isso ocorre porque está havendo uma valorização gradual do metical em relação ao rand e a outras moedas”, lamentou.

Entretanto, apesar de ser notória a avalanche de compradores, os nossos interlocutores já falam na redução do nível de procura em comparação com os anos anteriores, facto aliado à alegada especulação de preços.

Os vendedores afirmam que tal está relacionado com o aumentos sos custos de aquisição do material, mas garantem que tudo fazem para não lesar os clientes.

A caixa de cadernos de capa dura, por exemplo, passou a custar 2550 meticais contra os 2300 do ano passado. Assim, uma embalagem de cinco cadernos, antes vendida a 230 meticais, pode ser adquirida a preços que variam de entre 260 e 280 meticais.

Nos últimos dias, o negócio de uniforme escolar também tomou de assalto as ruas da baixa da cidade. Aqui, destaque vai para as camisas azul-claro e as calças de tom azul-escuro, características do ensino primário.

Filomena Bernardo foi uma das operadoras que não quis perder a oportunidade de fazer algum dinheiro com o uniforme e abandonou a comercialização de enxovais. Segundo a fonte, a roupa é adquirida na vizinha África do Sul e outra a alfaiates atentos ao ano lectivo.

Livros gratuitos no mercado paralelo

APESAR dos apelos do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano desencorajando a venda de livros de distribuição gratuita, estes continuam a ser comercializados em muitos pontos da cidade de Maputo, sobretudo no mercado informal.

Trata-se de manuais do ensino primário (1.ª a 7.ª classe), que se encontram disponíveis no mercado informal a preços que variam de entre 150 e 200 meticais por unidade. Um dos focos identificados é a baixa da cidade de Maputo, local que regista grande fluxo de vendedores informais e compradores.

Devido aos avisos constantemente lançados pelo Governo, desencorajando e falando em penalização aos vendedores de material escolar de distribuição gratuita, em especial do livro, os vendedores informais agem sob precaução.

Os manuais não são vendidos à vista, sendo que a sua saída depende de uma negociação que termina com sucesso depois dos informais terem a certeza de que não estão perante um fiscal. Os livros são retirados disfarçadamente de sacos contendo outros artigos.

A pedido do “Notícias”, uma transeunte questionou sobre a disponibilidade do livro da sexta classe, ao que a vendedora respondeu que havia disponibilidade de todas as disciplinas curriculares.

Nas principais livrarias, as enchentes também são um facto. Questionados sobre a situação, os comerciantes apontam que há uma tendência de os clientes deixarem tudo para a última hora.

Os pais e encarregados de educação defendem-se dizendo que a falta de recursos fez com que só nesta altura haja disponibilidade para adquirir apenas o essencial. Devido à falta de dinheiro, a maioria dos pais está a parcelar as despesas, remetendo para mais tarde a aquisição de outros materiais de que os educandos carecem.

Além da opção pelo uniforme vendido na rua, as casas especializadas também registam enchentes por esta altura do ano.

Uniformizados manuais

O MINISTÉRIO da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) divulgou, no ano passado, a lista dos 65 livros a serem usados em todas as escolas do ensino secundário geral.

Os manuais seleccionados, a serem usados também no presente ano lectivo, pertencem às editoras Longman Moçambique, Oxford, Emperadora, Texto Editores e Plural Editores.

Segundo o porta-voz do MINEDH, Manuel Simbine, o conjunto de manuais vai vigorar por um período de cinco anos, findo o qual se fará uma avaliação para renovação ou não do contrato.

Assim, para a 8.ª classe, os livros de Biologia, Educação Visual, Física, Geografia, História, Matemática, Português e Química são da Texto Editores. O de Educação Física, da Plural Editores, e de Língua Inglesa são da Longman Moçambique.

Na nona classe, os manuais são maioritariamente da Texto Editores, que garantirá as disciplinas de Física, Geografia, História, Matemática, Português, Química e Noções de Empreendedorismo. Por seu turno, a Plural Editores disponibiliza os livros de Biologia, Educação Física, Educação Visual e Francês. A Oxford ficou com o manual de Inglês.

A lista publicada pelo MINEDH aponta que, dos 13 livros da 10.ª classe, oito são da Texto Editores, nomeadamente Agro-Pecuária, Física, Geografia, História, Matemática, Noções de Empreendedorismo, Química e Tecnologias de Informação e Comunicação. Os restantes cinco – Biologia, Educação Física, Visual, Francês e Português – serão produzidos pela Plural Editores.

Enquanto isso, os 15 manuais da 11.ª classe serão de três empresas, sendo que a Texto Editores volta a liderar com oito (Agro-Pecuária, Biologia, Desenho e Geometria Descritiva, Educação Visual, Geografia, História, Introdução à Filosofia e Matemática); a Plural com seis e a Emperadora com dois manuais, das disciplinas de Introdução à Psicologia e Pedagogia.

Na 12.ª classe, os livros das 13 disciplinas são da Texto Editores e Plural Editores, sendo que o de Matemática será fornecido pelas duas editoras, tal como acontecerá na 11.ª classe. Os livros da Texto são de Agro-Pecuária, Biologia, Desenho e Geometria Descritiva, Física, Inglês, Filosofia, Empreendedorismo e Química, enquanto a Plural foi encarregue de fornecer os de Geografia, História, Português e TIC.

Uma ronda efectuada pelo “Notícias” constatou que a maioria das escolas ainda não dispunha do livro escolar. Entretanto, espera-se que até so arranque das aulas tudo esteja nos eixos, tanto é que alguns docentes ainda estavam por se apresentar.

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