Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

O Embaixador do Japão em Moçambique, Toshio Ikeda, esteve há dias na cidade da Beira onde, entre outras actividades, visitou os projectos financiados pelo seu país, nesta urbe, nomeadamente a dragagem dos portos nacionais.

 Assim, Toshio Ikeda manifestou-se satisfeito quanto à sustentabilidade da Empresa Moçambicana de Dragagem (EMODRAGA).

O governo do Japão é o único doador das primeiras duas dragas desta instituição pública sediada na cidade da Beira.

Falando à nossa Reportagem, na capital provincial de Sofala, Toshio Ikeda realçou que, consequentemente, novos apoios financeiros poderão vir a ser direccionados a esta  empresa tutelada pelo Ministério dos Transportes e Comunicações.

O diplomata nipónico fundamentou que tudo pode acontecer, mais uma vez, por via da Agência Internacional de Cooperação de Desenvolvimento do Japão (JICA) em montante ainda por ser apresentado na mesa dos entendimentos com Moçambique.

Durante um encontro de trabalho que manteve com a EMODRAGA, na Beira, o PCA desta instituição, Domingos Bié, disse ao visitante que a primeira draga doada pelo Japão, em 1999, denominada Aruangwa, com capacidade de mil metros cúbicos de porão que, na altura, custou cerca de 14 milhões de dólares norte-americanos, se encontra em reabilitação depois de 19 anos de actividade.

Anunciou que a referida embarcação deverá, entretanto, voltar a operar em pleno ainda este mês de Setembro.

Já em relação à draga Alcântra Santos, igualmente doada pelo Japão, em 2007, com a mesma capacidade e que custou aproximadamente 20 milhões de dólares norte-americanos, ainda está num estado quase novo.

Com estas duas dragas, conforme sustentou Bié, está garantida a dragagem dos Portos da Beira e de Quelimane, enquanto o de Maputo requer um concurso público internacional por ser de gestão privada.

O facto, segundo explicou, acontece quando exactamente a maior draga oceânica do país, baptizada com o nome de Macuti, de 2.500 metros cúbicos de arqueação bruta, se encontra em reabilitação completa no Porto de Durban, na África do Sul, depois de ter colidido no ano passado no Porto da Beira com um navio de carga que navegava com a bandeira do Panamá.

Com um efectivo de 195 trabalhadores, maioritariamente ligados ao ramo da dragagem, a EMODRAGA afirma-se disponível na dragagem de todos canais e bacias de manobras, incluindo repulsão de areias para aterro e obras de construção civil.

Entre 2000 e 2018 o sector em alusão atingiu 26.545.795 metros cúbicos do material dragado pelas duas dragas doadas pelo Japão.

O pico da produção foi em 2012, com 3.010.269 metros cúbicos e a pior produtividade registou-se em 2017, com 195.379 metros cúbicos, devido à dragagem de emergência do canal de acesso e bacia de manobras ao Porto da Beira pela sua congénere de origem holandesa.

Operações de dragagem retomam

A EMODRAGA volta ainda este ano a realizar operações de dragagem durante 24 horas por dia com horizonte de alcançar uma produção recorde.

Tal desiderato, segundo intenções manifestadas neste sentido, vai contar com as dragas Aruangwa e Alcântra Santos, para além das lanchas e rebocadores.

Para isso, o Japão disponibiliza fundos para assistência técnica das embarcações desta firma, havendo ainda saldo positivo nos cofres desta empresa.

O gestor da instituição coloca, assim, como desafios imediatos a formação do capital humano, garantia na dragagem dos portos nacionais e acabar com dragagem de emergência em Moçambique.

A repulsão de areias, garantia de financiamento contínuo das dragas, fazendo manutenções preventivas, e elaboração do Plano Estratégico constam ainda no rol das apostas desta instituição do Estado.

"Por isso, estou feliz pela dragagem, particularmente no Porto da Beira, que conta com a contribuição do Japão na aquisição das duas dragas, incluindo capacitação técnica através da JICA"- concluiu o embaixador Toshio Ikeda.

A visita de trabalho deste diplomata nipónico à EMODRAGA, na cidade da Beira, terminou depois de escalar todos os compartimentos da draga Alcântara Santos e na doca em que se encontra a draga Aruangwa em reabilitação final.

Ainda nesta urbe, o embaixador japonês teve um encontro de cortesia com o governador Alberto Mondlane e o presidente do Conselho Municipal, Daviz Simango, em que foram abordados aspectos de cooperação entre o Município e o Japão.

 Horácio João

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