POR algumas horas, estudantes que fazem as aulas práticas no Instituto Agrário de Umbeluzi, em Boane, abandonaram o campo para se juntarem numa sala, aos produtores, extensionistas e gestores, em prol de um objectivo comum: colocar a produção e produtividade no topo e espevitar o desenvolvimento do agro-negócio.

 Aliás, melhorar as técnicas usadas na agricultura, transferir tecnologias já acabadas aos que têm o cultivo da terra como seu instrumento de trabalho e de rendimento é o grande propósito da capacitação que desde segunda-feira decorre no Centro Internacional de Transferência de Tecnologias Agrárias de Umbeluzi (CITTAU), organizada pelo Instituto de Investigação Agrária IIAM.

Das variedades de bandeira que o IIAM tem na área de horticultura, destaque vai para a cebola tropicalizada, tomate de crescimento indeterminado, alho fino de alta produtividade e livre de vírus, bem como o maracujá.

Estas culturas são algumas das cinco alternativas que o IIAM já coloca à disposição dos produtores, e que aparecem como oportunidade para gerar grandes negócios.

Falando a propósito do primeiro curso de treinamento de extensionistas e agentes de desenvolvimento de agro negócios, a directora-geral do IIAM, Olga Fafetine, disse que neste momento, o grande desafio é, para além de transferir as tecnologias usadas para extensionistas e produtores de referência, estimular a adopção de práticas mais apropriaras na produção de hortícolas.

Moamba e Boane são alguns exemplos de sucesso no cultivo do alho fino antes marginalizado mas que, graças a estudos feitos e à introdução de novas tecnologias, revelou tratar-se da melhor variedade, em termos de rendimento e qualidade.  

A fonte adiantou que ferramentas para fazer da horticultura um negócio economicamente viável podem ser adquiridas na Estação Agrária do Umbeluzi.

“Neste espaço, investigadores, extensionistas, estudantes de universidades agrárias, institutos, Escolas Agrárias, centros, camponeses, líderes de associações, administradores, gestores, entidades do governo e outras entidades, têm oportunidade de encontrar implantadas as principais tecnológicas prontos para serem transferidos para o produtor”, disse.

sessenta hectares

de batata reno na forja

Para melhorar a renda de pequenos produtores intervindo em três áreas da horticultura, mandioca e carnes vermelhas está o projecto de desenvolvimento da cadeia de valores nos produtores de Maputo e Limpopo (PROSUL).

Daniel Mate, director da PROSUL, disse que o desafio permanente é melhorar a capacitação dos interveninetes sobre técnicas e conhecimento sobre a agricultura no contexto das tecnologias, desde a selecção de sementes, até às tecnologias do pós-colheita.

Sobre a técnica que já tem resultados, a fonte falou do fomento da batata Reno no distrito da Moamba.

“Há grande adesão na produção desta cultura que é de alto rendimento. Temos agora 60 hectares em exploração no regadio de Moamba e apostamos, igualmente, na produção em ambientes protegidos através da técnica de sombrites ou estufa. A ideia é garantirmos a produção todo o ano, pois, na época quente, com as culturas expostas a elevadas temperaturas e chuvas há muitas pragas e doenças”, disse.

Mate fala de comunidades de Namaacha, regadio de Mafuiane, Manguisa, Marracuene Boane e KaMavota na cidade de Maputo, que já aderiram à produção em ambientes protegidos, para além do tradicional sistema de ambientes abertos.

 “Os produtores têm conseguido gerar uma renda significativa. Não tenho aqui todos os dados mas a nível de cinco sombrites que estamos a explorar já foi possível termos uma receita estimada em nove milhões de meticais, num período de cerca de ano e meio”, disse.

Moçambique importa

90 por cento de alho

Carvalho Ecole, Coordenador do programa Nacional de Horticultura no IIAM, disse que cerca de 90 por cento do alho que se consome em Moçambique é importado de países como China e África do Sul.

É pensando não só na rentabilidade deste produto como também na valorização da produção local que o IIAM está a trabalhar com seis variedades do alho fino, altamente produtivo. A ideia é revolucionar a comercialização desta variedade.

Segundo Ecole, Moçambique está em condições de competir com o mercado internacional no que diz respeito à comercialização de cebola e reduzir a dependência pelas importações. “O país tem condições climáticas adequadas, solo apropriado e produtores que fazem cebola de alta qualidade. Falta apenas a consentaneidade entre os geradores de tecnologias e a cadeia de distribuição do alho, pois, os produtores têm que ter a certeza de que ao apostarem no alho fino como principal negócio não incorrerão em prejuízos”, disse.

O IIAM está actualmente a assistir uma área de 12 hectares de produção de alho livre de vírus, mesmo nas imediações da Estação Agrária de Umbeluzi. É um trabalho desenvolvido por um produtor local que apostou nesta nova tecnologia.   

“Existe um tipo de alho que muitos consideram cafreal. Ele é mais fino comparativamente ao importado, tem uma cor avermelhada e bem cheiroso. Testámo-lo e ficámos surpreendidos com os resultados. Após a pesquisa concluímos que a variedade é extremamente produtiva ela só não vingava por conta de ataques dos vírus e que sem eles é de longe rentável”, exemplifica.

Albertina Alage, directora da Transferência de Tecnologias no IIAM, fala com satisfação dos resultados obtidos do casamento entre a ciência e o conhecimento dos produtores que colaboram com a sua instituição.

Refere que a aposta é levar a técnica de sombrites e estufas para ter uma produção controlada. Para o sucesso deste desafio, explica, faz parte um outro interveniente: empresas provedoras de insumos que ligam a componente de materiais para sombrites e estufas e também uma participação arrojada no agro negócio.   

O curso de capacitação contempla cinco distritos da províncians de Maputo e cinco da província de Gaza e será feito em duas fases.

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