As autoridades moçambicanas negam que o peixe kapenta, da albufeira da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), na província de Tete, esteja em risco de extinção, devido à crescente procura, maioritariamente por estrangeiros ilegais.

Esta é a reacção do Governo perante constatações apresentadas por empresas sul-africanas e zimbabweanas, sugerindo que a espécie esteja em risco de extinção.

Falando à AIM na cidade de Tete, Fátima Cinco Reis, directora provincial do Mar, Águas Interiores e Pesca, descarta a possibilidade da extinção deste peixe, também bastante apreciado internamente.

A fonte reconhece que, nos últimos tempos, houve uma redução dos volumes de produção da espécie, fenómeno que não pode ser visto, à partida, como desaparecimento, segundo sugerem as companhias que operam no ramo.

No contacto com a AIM, a fonte disse haver uma redução drástica da captura da kapenta, mas não se pode considerar a descida dos níveis de produção reflexo da sua extinção.
“A quebra da produção da kapenta associa-se a vários factores, com destaque para a redução do nível da água do rio da Zambeze e a falta das chuvas, devido ao fenómeno climático El Nino”, explicou, acrescentando que a espécie se reproduz em águas profundas. Enquanto o nível das águas do Zambeze não for reposto, o peixe não se vai reproduzir de forma conveniente.

Entretanto, a AIM apurou nas áreas de Nhabando e Nova Chicoa, no distrito de Cahora Bassa, e Daque, na região de Mágoè, que uma embarcação que há 15 anos conseguia entre 60 e 80 caixas do pescado, numa base diária, hoje não vai para além de uma caixa.
Na tentativa de tranquilizar os operadores do sector, Fátima Cinco Reis disse que as autoridades estão a acompanhar o desenrolar da situação, através de medidas de fiscalização contra aqueles que usam artes nocivas, que não só lesam as empresas licenciadas, como também o próprio Estado.

No sentido de garantir a preservação da kapenta, ao longo da albufeira, o governo provincial criou missões integradas, que envolvem sectores da polícia lacustre fluvial, administração marítima, migração e trabalho.

As equipas, de acordo com a fonte, monitoram todas as actividades desenvolvidas pelos operadores da kapenta espalhados pela albufeira, com vista a neutralizar a grupos de ilegais, na sua maioria zimbabweanos, zambianos e congoleses.

Estes cidadãos, que afluem à região do Zambeze, utilizam redes mosquiteiras ou “xicocota” - que significa arrasar tudo, facto que, para além de criar uma competição desmedida com empresas licenciadas, ameaçam a sobrevivência das espécies.
A fonte admite que o impacto das medidas levadas a cabo pelo Governo, para a protecção da kapenta, pode não ser imediato, pelo facto de não ser fácil distinguir os moçambicanos de zimbabweanos ou zambianos, em ambas margens do Zambeze até porque falam as mesmas línguas.

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