AS águas das praias de KaTembe há muito que deixaram de ser cristalinas. As suas areias, que um dia foram brancas, além das conchas e algas são o repositório de garrafas de plástico, vidro e outros resíduos sólidos.

São vários os factores que contribuem para a situação. Um deles é a dificuldade que as empresas responsáveis pela recolha do lixo têm em satisfazer as necessidades dos moradores. De acordo com o ambientalista e activista, Carlos Serra, o problema da fraca abrangência dos serviços sanitários é derivado do distanciamento físico do distrito municipal em relação ao centro da cidade de Maputo.

Os moradores, à procura de uma forma para se livrarem da sujidade, optam por enterrar, queimar ou depositar em locais inapropriados. O ambientalista acrescenta que grande parte do lixo é produzida por indivíduos da capital e de outros locais que visitam a praia.

O especialista referiu que o conhecimento tradicional, as questões antropológicas, devem ser usados para gerir os problemas do presente. “É verdade que no passado devolvíamos o lixo à natureza, porque tudo pertence a ela. No entanto, actualmente o lixo produzido não é apenas orgânico: folhas de árvores ou alimentos deteriorados”, explicou.

Serra acrescentou que existem resíduos sólidos com um grande teor de substâncias químicas nocivas para os seres humanos. Este tipo de lixo, quando colocado directamente no meio ambiente, sem tratamento prévio, demora décadas, séculos, para se decompor. Quando queimado polui o ar. Quando enterrado contamina o solo e as correntes de água subterrânea.

“O lixo inorgânico inclui todo o material que não tem origem biológica, ou que foi produzido através de meios humanos, como plásticos, metais e ligas metálicas, vidro. O plástico, por exemplo, é formado por imensas moléculas contendo milhares de átomos de difícil digestão por agentes decompositores. O lixo tóxico inclui pilhas e baterias que contêm ácidos e metais pesados, que por vezes são radioactivos, que podem causar sérios danos ambientais e/ou à saúde de muitas pessoas”, detalhou.

Além de representar danos ao meio, traz um impacto negativo para as actividades económicas, como o turismo. “O lixo e as águas sujas repelem os turistas e investidores”, disse.

 

plástico: a praga comum

O lixo que polui as águas da praia da KaTembe vem, maioritariamente, da cidade de Maputo. A população local e a força das correntes, que atraem resíduos sólidos de outras margens (países estrangeiros), pouco contribuem para o processo.

Citando um estudo estrangeiro, lançado este ano, o ambientalista Carlos Serra referiu que anualmente os seres humanos consomem cerca de 11 mil pedaços de plástico. Acrescentou que estes produtos podem trazer problemas para a saúde, pois os mesmos são criados usando derivados de petróleo e outros produtos químicos.

“Apesar de 99 por cento do plástico que é digerido ser retirado pelo organismo humano, o que sobra é capaz de causar grandes distúrbios”, referiu, acrescentando que a acumulação do lixo no mar é causada pelo desrespeito pela natureza, pelo desleixo, por actos inconsequentes como lançar uma garrafa no chão de formas descuidada.   

 COM A Ponte NADA SERÁ COMO DE ANTES

Com a construção da ponte Maputo-KaTembe, os moradores deste distrito municipal e não só acreditam que as entidades responsáveis pela limpeza terão melhores condições para pôr o lixo longe das praias e de outros locais.

Carlos Serra reforça a teoria, afirmando que a capacidade material das instituições poderá aumentar, sendo que o efectivo destacado para a recolha de lixo será maior.

Na opinião do especialista, através do lixo é possível atrair investimentos, gerar rendimentos. É necessário encontrar alternativas para que o mesmo seja útil através da reciclagem. “A acção parte não apenas de grandes instituições, mas as pessoas devem conhecer outras formas de usar o lixo”, disse.

Exemplificou que através do papel é possível fabricar carvão. Referiu que o lixo orgânico, folhas, cascas de frutas, alimentos putrificados podem ser usados como fertilizantes. Refere que com a acção o sector agrícola é o mais beneficiado.

“O aterro sanitário é uma boa alternativa, mas requer fundos que nós ainda não temos. A técnica não afecta negativamente o solo, o ar atmosférico e, consequentemente, a saúde das pessoas. Mas também temos o aterro controlado que requer, relativamente menos custos, e apresenta resultados próximos do aterro convencional”, disse.

No entanto, alertou que é necessário encontrar um lugar apropriado, isolado da população e uma estratégia sólida para a sua manutenção.

Faltam bons exemplos

A realização de campanhas de sensibilização, a educação ambiental nas escolas é uma das formas de vencer a poluição. O ambientalista Carlos Serra defende que as instituições do Ensino Primário devem pegar nesta causa, não apenas emdatas comemorativas, como o Dia do Ambiente, mas em todo o ano, com a renovação de apelos no início de cada ano lectivo.

“A mudança de atitude é o primeiro passo para a alteração do cenário. É preciso que as pessoas saibam que lixo no chão não! Que é necessário recolher os resíduos sólidos produzidos ou não por nós. Temos de ensinar os mais velhos para que estes possam ensinar aos mais novos e vice-versa”, disse.

A oficial de ambiente do meio e presidente da ADE, Lina da Silva, refere que são necessários bons exemplos, acções concretas para que os mais novos sigam. Referiu que se deve investir mais em actividades que protejam o meio ambiente, pois é a saúde do planeta que está em jogo.

Chelton Manjanguiço, de 12 anos de idade, reside no bairro Chali, no distrito municipal da Katembe. Conta que na escola tem aprendido como tratar os resíduos sólidos. Relata também que tem assistido muitas pessoas que não sabem cuidar da natureza.

“Faço o que os meus pais e professores dizem, ponho o lixo na lixeira. Apanho o papel na sala, varo o lixo em casa”, disse o pequeno Chelton.

Florência Simango é professora na Escola Secundária Completa de Guaxene. Há dias, participou de uma capacitação em matéria de ambiente e melhores práticas para a gestão de resíduos sólidos. Afirmou que são necessárias mais iniciativas de género, pois os professores precisamde ter conhecimentos profundos sobre a matéria para poderem transmitir aos alunos.

“Com formações, capacitações e seminários estaremos em melhores condições para usar métodos mais adequados, cuidar melhor das substâncias nocivas ao ambiente. Precisamos de saber, para ajudar os nossos alunos”, enfatizou.

Na escola onde ela leccioona, a matéria sobre gestão do lixo é abordada com alguma profundidade, e, por isso, não se atira papel, garrafas de plástico e outros resíduos ao chão.

“Antes de se entoar o hino nacional, ensinamos a criança a importância de deixar o lixo nos locais apropriados. Nossas crianças têm esses ensinamentos em mente. Fico triste em saber que nem todas as escolas do distrito municipal KaTembe seguem o nosso exemplo”, disse.

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