ESTA semana, o país testemunhou um caso prático de violência doméstica, de muitos que ocorrem diariamente nas residências dos moçambicanos e não só.

Este último teve as suas repercussões devido às entidades envolvidas e por ter atingido o extremo da racionalidade, culminando com a morte de uma das partes, o que causou choque e consternação.

Não é o caso nem são as pessoas que interessam abordar nesta conversa, mas o fenómeno da violência em si e os seus efeitos prejudiciais.

A violência assume diversas formas, desde a física, psicológica, verbal ou sexual, que podem ser causadas por actos intencionais ou como consequência de descontrolo ou alguma perturbação emocional. São situações que, na nossa sociedade, ocorrem com alguma frequência, mas poucos são os casos reportados ou de vítimas que procuram ajuda de outras pessoas para a solução.

Também são poucas as vezes em que são esclarecidas as causas que geram as várias formas de violência. Porém, a certeza é que as suas consequências são sempre drásticas para as vítimas. Este é um fenómeno que afecta todas as classes sociais, daí que devia ser discutido pela sociedade moçambicana com a profundidade necessária. Aliás, a nosso ver, é importante que a sociedade procure criar plataformas para reflectir sobre a violência, visando encontrar alternativas para a solução de qualquer diferença entre as partes envolvidas.

Outros desfechos dos problemas gerados numa determinada família podem vir, por exemplo, da forma como os mais velhos viveram e os ensinamentos que transmitem aos mais novos.

Tanto no seio da família como na via pública, a violência ocorre e é replicada supostamente por se confundir com atitudes e comportamentos normais. O que torna este tipo de situações mais preocupante é a maneira como a maioria dos cidadãos reage quando está diante dos factos. Ao invés de ajudar as vítimas a buscar uma solução pacificadora, muitos preferem fazer do fenómeno motivo de piada. Muitas vezes, isto desencoraja as vítimas a pronunciarem-se sobre o fenómeno, com o receio de serem vistos como pessoas fracas, sem capacidade para resolver os seus problemas.

Por isso, chamamos à consciência de todos para optar, sempre, por abordagens que conduzam à solução do problema via pacífica e de reconciliação das vítimas.

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24.01.2017   Banco de Moçambique

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