NOS últimos tempos a comunicação social tem reportado uma “ofensiva” presidencial aos ministérios, instituições tuteladas e subordinadas, e os resultados têm sido a exposição sucessiva, da forma desagradável, irresponsável, desmazelada e desinteressante com quem os gestores seniores e funcionários públicos desempenham as suas funções, preservam as instalações onde trabalham, cuidam e lidam com o bem público.

Nessas visitas, o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, tem-se indignado com a forma como esses gestores e seus subordinados prestam serviços ao cidadão. Mas também, se é que o fazem. Até agora, as visitas já decorreram, de forma intercalada, nos ministérios das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos; Cultura e Turismo; Juventude e Desportos; Transportes e Comunicações; Administração Estatal e Função Pública; Educação e Desenvolvimento Humano. Em todos estes locais o Presidente da República chateou-se – isso mesmo, essa é a expressão correcta – com tudo o que viu. Desde o desconhecimento de respectivas funções, a inaptidão na busca de soluções para os problemas dos cidadãos, a incapacidade de manutenção dos recursos materiais, a falta de preservação de equipamentos e infra-estruturas até à frustração dos cidadãos pela péssima qualidade do serviço que lhe é prestado. A falta de primor no servir o cidadão vai desde o topo à base. Esta semana o Chefe do Estado escalou o sector do Trabalho, Emprego e Segurança Social e os respectivos subsectores, um dos quais o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), cuja missão é garantir assistência social aos trabalhadores aposentados. Tal como nas outras instituições, o Presidente Filipe Nyusi não gostou, nem tão pouco, do que viu e ouviu. O desagrado do Chefe do Estado foi de tal forma que chegou a sentenciar que aquele local, o INSS, não era nenhuma “capoeira” pública, onde cada um passa e escolhe a melhor galinha ou ovo e zarpa, como se da casa da tia Joana se tratasse. E nós vamos mais longe, nenhuma instituição pública é “capoeira”. Por causa disso, todos servidores devem trabalhar com zelo e dedicação, evitando envolver-se nas “doces” malhas da corrupção, no desvio do erário público, no nepotismo, no ócio, na pilhagem e em todas outras práticas que atentam contra o bem público, a excelente prestação dos serviços ao cidadão. Ou seja, todos os funcionários devem deixar de ser uns autênticos “lesa-pátrias”, de modo a contrariar o actual cenário de descontentamento colectivo dos moçambicanos, devido a razões diversas que não se esgotam neste pequeno espaço. Se o Chefe do Estado anunciou que as instituições públicas não são “capoeiras” e o cenário permanece, então é tempo de propor uma limpeza geral, e a sério. Este saneamento deve afastar todas as pessoas de má-fé que estão a contribuir para comprometer todo um projecto de boa governação que o Presidente Filipe Nyusi se propôs a implementar em Fevereiro de 2015, quando tomou posse para este cargo. Se já foram identificadas as causas da inoperância das instituições públicas, é altura de fazer as mudanças necessárias para que estas saiam do marasmo em que se encontram. É preciso que os gestores e funcionários públicos aprendam a valorizar o seu trabalho e assumam que os seus postos não são “capoeiras”. Para que isso aconteça, eles devem saber que desperdiçaram a oportunidade que lhes foi cedida para mostrar que podem servir bem a pátria, mas não o fizeram porque levaram todo o tempo a cuidar dos seus interesses individuais. Sem se importar, que ao primar por esta via estão a sabotar a governação do Presidente Nyusi. Por isso, para os seus lugares/cargos podem ser indicados outros moçambicanos com igual ou melhor competência que podem exercer essas funções com zelo, qualidade e excelência que se pretende. Por isso, basta! Depois do que já se viu, nada mais resta senão começar a limpar a “capoeira”.

ALCIDES TAMELE

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