SE existe uma classe de trabalhadores a quem devemos prestar a nossa homenagem é a dos transportadores de semicolectivos da cidade de Maputo, pois dela depende parte significativa da movimentação dos seus habitantes na urbe.

Ante um cenário de avenidas esburacadas, alguns membros da Polícia de Trânsito, de Protecção e Municipal, que usam esses transportadores como autênticas caixas automáticas (ATMs), entre outros constrangimentos que compõem o seu quotidiano laboral, os “chapeiros” não arregaçam as mangas. E faça sol, faça chuva, estes se fazem às ruas para garantir que os cidadãos cheguem, embora muitas vezes atrasados, aos seus destinos. E, claro, também garantir o seu pão.

Não obstante o nosso reconhecimento – e porque há sempre dois lados da moeda – temos que assumir que eles têm defeitos. Muitos defeitos. E que devido à sua gravidade, eles tendem, em algumas circunstâncias, a ofuscar as qualidades que possuem.

A sua pressa de fazer as viagens pelas ruas e avenidas, e a “gula” de querer levar sempre muito mais gente leva-os a exceder a velocidade recomendada por lei. E isso sempre coloca a vida dos passageiros e a sua própria, também, em risco. Quantas vezes não acompanhamos e reportamos histórias de aparatosos acidentes de viação, muitas vezes causados por actos irresponsáveis de automobilistas que, em alta velocidade, levaram as suas viaturas para o precipício, provocando dor e luto a muitas famílias.

Acrescentado isso está o facto de amontoarem passageiros, como se de algum tipo de carga se tratasse, retirando a pouca dignidade e humanidade que ainda resta aos cidadãos moçambicanos.

Habilidosos como só eles conseguem ser, os “chapeiros” vão, nas suas manobras perigosas, fintando a Polícia, os engarrafamentos e os sinais vermelhos dos semáforos, num acto de absoluta irresponsabilidade. E, nessas circunstâncias, muitas vezes nem se quer respeitam o pacato peão.

É verdade que, em alguns casos, sobretudo a hora da ponta, são os próprios passageiros a pedir que os automobilistas sejam velozes, justificando a pressa com a necessidade de não querer atrasar aos seus compromissos.

Este problema é bem antigo, porém, surpreendentemente, nunca consegue ter uma resposta à altura, tal como não encontra resposta o “bicudo” fenómeno dos encurtamentos de rotas. O “chapa” pára a escassos metros da terminal e leva gente que terá de pagar por duas viagens.

Com a maior naturalidade do mundo, os “chapeiros” gritam aos quatro ventos, para quem quer ouvir, que encurtam rotas porque o dinheiro que os passageiros pagam é pouco. E nestas circunstâncias, os passageiros mais não fazem, senão se submeter às terríveis ligações ou “dobradinhas”, porque os próprios “chapeiros” dizem, de “boca cheia”, que eles têm o controlo do sistema, dando a entender que ninguém lhes sancionará.

Dito isto, nada mais resta senão solicitar uma maior intervenção das autoridades policiais.

 

Mais recentes

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 59,55 60,70
ZAR 4,37 4,45
EUR 69,97 71,32

15.12.2017   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

HÁ uns anos um deputado da Assembleia da República, meu amigo,  ...
2017-12-15 23:30:00
IMPLICÂNCIA sem motivos. É comum não nutrirmos simpatia por ...
2017-12-15 23:30:00
AS FESTAS!... EM boa verdade elas, sobretudo as que se avizinham, são ...
2017-12-14 23:30:00
DEFINITIVAMENTE  não sou dono do meu tempo. Nunca fui, e jamais serei. ...
2017-12-14 23:30:00
TERMINEI o último artigo manifestando pesar pelo facto de as obras de ...
2017-12-14 23:30:00