RECENTEMENTE, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, visitou o Ministério da Saúde, onde escalou várias unidades de actividades deste sector, incluindo as unidades hospitalares.

Como tem sido apanágio, o Chefe do Estado dialogou com os responsáveis, gestores e a massa laboral, procurando saber como desempenham as suas tarefas; que expectativas têm em relação ao que fazem; os seus anseios e como esperam responder aos desafios lançados pelo Governo. Neste exercício, Filipe Nyusi ficou a saber como os trabalhadores desempenham as suas actividades no dia-a-dia, neste sector, que é um dos mais sensíveis por lidar com a vida humana.

Naturalmente, que as queixas não faltaram, mas depois de ouvir atentamente cada um dos convidados a pronunciar-se, o Presidente Nyusi deixou recomendações. Uma delas foi que os dirigentes deste pelouro devem sair dos seus gabinetes, com ar-condicionado, cafés e bolachinhas, e irem resolver os problemas que afectam os moçambicanos. Que são muitos.

Se o Presidente da República instou os responsáveis do Ministério da Saúde a deixarem de “aquecer as cadeiras”, como se diz na gíria popular, é por ter compreendido que ali há ainda muita sorna. E este “deixar-andar” abre caminho para a corrupção, o desleixo e o mau atendimento público. Quando o desvio de comportamento se instala num sector tão sensível como é a saúde, então tudo fica estragado. É que ao hospital somente recorremos quando estamos doentes. E sabemos também que não bastam os medicamentos para curar as mazelas, sendo também importante a forma como os médicos, os enfermeiros, os serventes e todo o pessoal técnico atende os doentes.

Por isso, não basta que “o nosso maior valor seja a vida”, que é o lema que o Ministério da Saúde espalha em todos os cantos deste país. De que vale o lema se ninguém o segue? Daí que, quanto a nós, para que o maior valor seja a vida, primeiro deve haver um bom atendimento, este que é a base para tudo. Que os médicos, enfermeiros e serventes e todo o pessoal técnico seja humano e atenda com humanismo os doentes.

Quantas vezes não fomos vítimas, testemunhamos ou ouvimos cenas de destrato de doentes por parte de alguns serventes ou enfermeiros, que até chegam a se considerarem mais importantes que a própria mnistra Nazira Abdula? Quem nunca viveu cenas de discussão entre serventes e doentes ou seus acompanhantes, justamente porque aqueles querem dificultar para venderem facilidades?

Como é que alguém que trabalha num hospital pode ter coragem de “pedir refresco” a um doente ou ao seu acompanhante?

Infelizmente, alguém deve estar a pensar que se o “cabrito come onde está amarrado, então é aqui que devo comer”, mas também queremos crer que há alguém que deve estar a dizer que já é tempo de acabar com estas práticas e pôr ordem nos hospitais. Enquanto isso não acontece, aí vai o apelo: que o vosso maior valor seja, primeiro, o bom atendimento!

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28.06.2017   Banco de Moçambique

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