É INQUESTIONÁVEL que a embriaguez é uma das razões que regularmente está por trás dos acidentes de viação que têm feito várias vítimas nas nossas estradas. E, pelo impacto violento de muitos embates, a velocidade é outro factor indiscutível.

Entretanto, limitamos o debate nesses pontos, quando há ainda muito pano para mangas. Um dos questionamentos que poucas vezes nos fazemos é sobre a qualidade da instrução nas escolas de condução.

Parece estranho que tal pergunta ainda não tenha sido colocada, tendo em conta situações flagrantes que o quotidiano nos oferece. Mas o resultado que, ontem, o Instituto Nacional dos Transportes Terrestres (INATTER) divulgou trás à ribalta este debate.

Só para contextualizar: na quinta-feira foi feito o primeiro exame multimédia aos candidatos a instrutores de condução. E o resultado foi desastroso, pois nenhum dos 51 concorrentes que fizeram o exame naquele dia passou. O total é de 90 candidatos.

Em termos matemáticos, mais de 50 por cento dos candidatos a instrutores não deram cobro aos requisitos exigidos pelo INATTER, reprovando, depois de submetidos a seis meses de formação, quando para o condutor normal são três meses em média.

O que nos salta à vista é que logo na primeira vez que a avaliação é electrónica, portanto, sem nenhuma interferência humana, temos uma taxa de reprovação de 100 porcento. O que nos leva a questionar a qualidade de todos os outros que passaram no regime manual.

Há quem possa alegar que este resultado seja consequência de pouco domínio do sistema digital, o que agrava ainda a situação porque é inconcebível que tenhamos instrutores que não dominem estes sistemas em pleno século XXI.

Um outro fenómeno que se assiste é dos automobilistas com problemas sérios de comunicação. O motorista não pisca, não buzina, não sinaliza os seus movimentos.

A consequência é que quem o segue tem dificuldades sérias de se mover porque nunca sabe se o outro vai curvar, travar, parar ou continuar a marcha.

Este é um problema que pode resultar de uma escola fraca, até porque sabe-se que durante as aulas os aprendizes devem levar sempre alguns meticais (rechonchudos, diga-se) no bolso para que o instrutor não veja as suas gafes. O instrutor, por sua vez, bem-educado que é não nega a oferta e cega-se, em consequência.

Também quem nunca ouviu falar da “oferta” que o instrutor aconselha aos seus instruendos a levar no dia do exame prático, num envelope bem “gordinho” para o examinador, só para garantir a nota positiva!

Numa primeira análise questiona-se a deontologia e ética deste profissional que se submete a estes esquemas e depois interroga-se a sua consciência quanto ao risco que ele está a colocar nas ruas.

Assim, podemos concluir questionando que instrutores temos nas nossas escolas de condução e se a reposta for triste, igualmente, triste será a resposta sobre os automobilistas que temos nas vias...

 

 

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