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“O DIRIGENTE deve ser o primeiro no sacrifício e o último no benefício”, dizia o saudoso Presidente Samora Machel. Era suposto ser este o guia das nossas lideranças. Entretanto, conforme os relatos que preenchem a media com relativa regularidade, estas palavras, hoje, não passam de letra morta.

Em teoria, a indicação para um cargo de chefia é, em muitos casos, o ponto mais alto da carreira de um profissional. É o prémio de excelência, alcançado com mérito, e os requisitos passam pela assiduidade, alto nível de responsabilidade, integridade mas, sobretudo, de honestidade e idoneidade.

A realidade, porém, está a mostrar o contrário. É com tristeza, assumamos, que ouvimos relatos de casos de corrupção envolvendo figuras de topo na hierarquia de instituições públicas envolvidas no saque, a níveis astronómicos, do erário do público.

As investigações judiciárias ilustram que os mesmos ocorrem em esquemas de uma inteligência que, se aplicada para o bem comum, produziria resultados incalculáveis, cujo benefício seria comum, partilhado por todos.

Em meio a este cenário tenebroso, vários protagonistas poderiam ser arrolados como culpados, das mais diversas esferas. A idoneidade de muitos poderia ser colocada em causa, daí que este problema não pode ser encarado de forma leviana.

A calcular pelos valores envolvidos, é preciso assumir que a corrupção já constitui um cancro que aflige sobremaneira a nossa sociedade. Nesta perspectiva, convidamos os nossos sociólogos, que hoje, pelas estatísticas das universidades, são vários a estudar este fenómeno, de modo a esclarecer o que realmente se está a passar. Diz o ditado que “conhecer a sua doença é o primeiro passo para a cura”.

Podemos oferecer algumas pistas que o pesquisador poderia seguir. Parece-nos que, descendo alguns degraus, é fácil observar que esta doença não atinge apenas os altos dirigentes. A sociedade, sem muito exercício, nota-se, está contaminada.

Desde o automobilista que dirige embriagado na absoluta certeza de que a nota de 200 meticais no bolso será suficiente para prosseguir viagem ou, noutros casos, por saber que possui um “way” no INATTER ou na secretária da Polícia. Ao cidadão que suborna o servente no hospital para que possa passar na frente da fila e ser rapidamente atendido, sem apontar aqui o pai que “molha” a mão do professor para que o seu filho, mesmo com a média abaixo de 10 valores, passe de classe.

Há tantos outros exemplos lamentáveis que se poderiam usar para ilustrar, entretanto não caberiam aqui. Já avançamos com uma hipótese segundo a qual esta problemática pode estar associada a questões culturais.

Só para o situar, vamos a um comportamento corriqueiro nos convívios familiares. Nas festas de família, é comum que, a dado momento, os convivas parem de consumir o banquete porque alegadamente acabou, quando, na verdade, foi fechado para um grupo restrito de consumidores. Parecendo que não, este é um princípio de corrupção, na medida em que uns, isoladamente, beneficiam “à francesa” de algo que era suposto ser para todos.     

Os resultados desse estudo poderiam ajudar a perceber porque é que balúrdios de dinheiro são desviados das instituições para fins pessoais...

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