A HISTÓRIA prova que a educação é o adubo para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Para atestar, basta observar que as civilizações mais avançadas sempre tiveram na educação um dos pilares fundamentais, embora em muitos casos restrita apenas a um grupo privilegiado – justamente porque sempre se soube o poder que ela possui.

O introito foi uma tentativa de ilustrar a dimensão e a responsabilidade que carregam os responsáveis por garantir que este edifício se mantenha imponente. Daí a obrigatoriedade de, com a mais elevada estima, antes de mais, curvarmo-nos para congratular os professores pela celebração do seu dia, 12 de Outubro.

Por um lado, não é de hoje que esta classe reclama melhores condições de trabalho e salário mais digno. Por outro lado, não é de hoje que reclama da qualidade dos seus alunos. Arriscamo-nos a dizer que, com raras excepções, não há na história nenhuma época em que os professores saíram satisfeitos das salas de aula pelo facto de os seus alunos terem acatado bem as suas lições. Entretanto, sempre lá estiveram. Eis a perseverança e exemplo de persistência.

Porque as celebrações não são apenas oportunidades para cortes de bolos, copos e banquetes, vamos reflectir para chamar a sociedade de volta à razão, pois, ao que parece, está a demitir-se de algumas das suas funções no que diz respeito ao tema em alusão, a educação.

Antes de avançar, é preciso notar que, na nossa percepção, professor não é apenas aquele homem ou mulher que diariamente se dedica, com marcador ou giz na mão, diante de alunos, a ensinar a ciência. Transcende. Cada membro da sociedade o é na medida em que as atitudes, palavras e gestos, podem ser interiorizadas e replicadas por quem as observa, independentemente da intenção de quem os pratica.

É neste sentido que, a partir do momento que as nossas acções ignoram esta dimensão, estamo-nos a demitir da possibilidade de semear o bem. Não raras vezes, nas ruas, deparamo-nos com crianças com comportamentos negativos, e a nossa atitude nada mais foi do que simplesmente ignorar e prosseguir o nosso percurso, como se nada tivéssemos visto.

Provavelmente o façamos na ilusão de que o que aquela criança desconhecida faz não tenha nenhum efeito sobre as nossas vidas, esquecendo que, como diz o adágio, “o mundo dá voltas” e, numa dessas, a mesma criança pode estar com um revólver a apontar para os nossos miolos para nos arrancar a viatura. Seria triste recordar aquele rosto e perceber que palavras como “isso é errado, não faças isso! Faz aquilo”, que não dissemos naquele dia, poderiam ter evitado aquela situação penosa.

Na verdade, professores somos todos, e essa é uma consciência que não se pode apagar.   

 

Leonel Matusse Jr.

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