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NA semana passada a euforia era a tónica do final de semana, devido às celebrações dos 130 anos de elevação Maputo (na altura Lourenço Marques) à categoria de cidade. Os aromas eram de guisados e temperos para ocasiões especiais, concertos e espectáculos. Mas, passados, precisamente, sete dias, a chuva fez questão de nos recordar que ainda há muito a ser (re)feito.

Ainda na ressaca do aniversário da cidade de Maputo, na tarde de quarta-feira, as avenidas da baixa da cidade mais uma vez ficaram alagadas, pelo facto de as águas não terem por onde escorrer, pois o sistema de esgoto é, sejamos sinceros, uma autêntica lástima.

Esta é uma situação recorrente. É sempre a mesma história. Ainda que seja uma chuva de poucas horas e sem grande intensidade, o que leva a deduzir que das duas uma: ou nada está a ser feito ou o que está a ser feito não está a surtir os efeitos pretendidos.

Neste contexto, não deixa de constituir preocupação que as autoridades municipais herdaram, da antiga Lourenço Marques, um sistema todo já a funcionar, cabendo-lhes apenas garantir a sua manutenção.

Caso se tivesse feito essa manutenção com regularidade, por estas alturas, as atenções já poderiam estar viradas para o seu alargamento, na medida em que a cidade hoje tem muito mais gente e as suas necessidades, igualmente, são outras.

Reconhecemos que, enquanto munícipes, em algumas vezes, contribuímos com a nossa negligência, falta de higiene e de bom gosto, ao, sem o mínimo remorso, atirar para o chão a embalagem de doce, do pacote de bolachas, da garrafa de refrigerante, da cerveja e… que, invariavelmente, terminam nas grades ou na entrada dos drenos.

Nesse ritmo, na ignorância – não sabemos se deliberada – acabamos semeando o que, como vimos na última quarta-feira, transtorna a nossa circulação, não apenas como peões, mas como automobilistas, igualmente.

Porém, essas atitudes não podem retirar as autoridades municipais as competências que lhes cabem, atribuídas por nós.

Ao que se diz, por quem visita a cidade, depois de várias voltas pelo mundo, é que a arquitectura dos edifícios de Maputo, sobretudo, os da baixa, são uma relíquia a ser preservada, de tão belos e cada vez mais raros pelo mundo.

Entretanto, para que os mesmos sejam valorizados e possam gerar receitas através do turismo é necessário que haja uma estrutura a funcionar e condições, à sua volta, que atraiam. De certeza que as fragilidades de enchentes em situações destas não são nada abonatórias.

Por outro lado, não se pode ignorar que quando chove, devido ao desagradável riacho que a baixa de Maputo se torna, o comércio fica impossibilitado de funcionar, colocando, deste modo, a circulação de dinheiro comprometida.

Parecendo que não, são milhões de negócios e de impostos que ficam comprometidos com esta situação. É grave!

O que na verdade se pretende é que se faça, antes de mais, uma avaliação sobre a actual situação do sistema de esgoto da cidade capital do país.

Inevitavelmente, neste contexto, discutindo esta questão, vem ao de cima o questionamento, se já se pensa em vias alternativas de depósito desse mesmo esgoto para evitar que as águas negras continuem a poluir as águas das praias, que perfazem a orla de Maputo. Igualmente, negligenciando esta questão, mata-se a possibilidade do turismo paisagístico que daí poderia decorrer.

Pede-se urgência nas soluções!

 

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