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IMAGINEMOS assim: uma bateria soa, enquanto um saxofone encaixa, e o baixo se anuncia.

Crianças uniformizadas espreitam pelo pátio e à sua saída aproximam-se para ver de perto. Logo ao lado, algum escultor exibe as suas peças e dialoga com um outro que passou para visitar-lhe. Imaginemos. Noutro canto, imaginemos, um grupo de teatro ensaia o seu próximo espectáculo.

E os alunos, ao entrar no interior pelos muros, à saída são brindados diariamente com esse meio artístico. Imaginemos este cenário. Imaginemos o adulto que vai sair dali.

Naturalmente que será um ser sensível, imbuído de humanismo e ponderado, mais não faz senão buscar conhecimento, isto por aquilo que foram as suas referências na infância e o meio no qual cresceu e estudou.

Na realidade, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo anunciou que iria retirar todas as barracas que vendem álcool em frente às escolas. A informação foi tornada pública como se faz com todos os assuntos sérios. As promessas animavam pelos seus argumentos, que até são verdadeiros. Até houve prazos para os proprietários dessas mesmas barracas retirarem-nas voluntariamente, pois, ao fim de 15 dias seriam removidas compulsivamente.

Defendia o município que a ideia era iniciar o ano lectivo de 2018 sem barracas que vendem bebidas em frente às escolas.

Mas isso não passou de mais uma exibição porque, ora vejamos, não vimos nada a acontecer.

As barracas ainda estão lá a vender todo o tipo de bebidas. Reconhecemos que o problema não está apenas no facto de ser vendido ali em frente às escolas, porque em qualquer lugar pode-se comprar bebida. Mas, convenhamos, em frente às escolas primárias e secundárias não fica nada bem.

Neste caso, a solução tem que ser conjunta e deve contar com o envolvimento do município da cidade de Maputo, os vendedores das bebidas alcoólicas, que devem aceitar retirar as suas barracas, a Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE), a Polícia da República de Moçambique (PRM), o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano e toda a sociedade. E deve haver medidas tal como assistimos, recentemente, com a campanha do banimento dos enchidos de carne proveniente da África do Sul.

A pretender-se que seja uma campanha isolada, tal como ensaiou-se, nunca vai dar certo e jamais conseguiremos resolver o problema.

Estamos de acordo, como já se observou, que a solução do problema de consumo de bebidas por parte dos alunos não está somente em retirar as barracas, mas também é verdade que o ambiente que se vive actualmente é parte do problema.

E no lugar de termos espaços baldios, que advirão da retirada das barracas para lugares apropriados - e não em frente ou nas proximidades das escolas - iremos nesses locais construir jardins e praças com as suas paredes pintadas de multicores, onde haveria eventos culturais, sobretudo aos fins-de-semana, para animar a pequenada e ensinar-lhes a amarem artes e a escola.

Em frente às escolas podem se instalar galerias de arte, alfarrabistas, costureiros, escultores, curadores, escolas de música e esse seria um espaço de lazer lúdico para toda a sociedade, mas cujo benefício maior é a fruição do conhecimento, cruzamentos de culturas e partilha de saberes diversos.

Esse espaço igualmente atrai turismo, o que colocaria os alunos a lidar com a globalização e com as diferenças que constituem a diversidade, que é a unidade que somos - a humanidade.

Imaginemos que em frente às escolas, ao invés de barracas de álcool, estivessem lojas de arte, ou seja, um mundo da arte.

Deixando que as barracas, que vendem álcool ao desbarato, tomem conta, nalguns sítios, de pátios das escolas, que futuro e que juventude estaremos a construir?

É óbvio que não se pode ter controlo de toda área, mas podemos começar a intervenção gradualmente, até ao dia que conseguiremos completar todas as escolas.

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