ANDANDO pelo país a dentro, constatamos um retrato repleto de vários designs arquitectónicos em ruína, mas que marcam a nossa história.

No interior, como se pode atestar em Chibuto, Derre, Inhassoro e lá mais para dentro, quando não foram reaproveitadas, sobretudo por comerciantes, estes edifíciospermanecem cravados de balas, com “cicatrizes” de morteiros, pintadas de uma cinza escura, mais próximo de ser preto.

Nos centros urbanos, igualmente, os prédios, vivendas e algumas lojas encontram-se abandonadas à sorte dos amigos do alheio, que lá se instalam e se apropriam dos cómodos existentes, para seus aposentos. Ou mais, como aconteceu na cidade de Inhambane, onde as ruínas do primeiro hotel foram deitadas abaixo para a construção de uma igreja evangélica.

Mais exemplos há, como reportámos esta semana, em Quelimane. A Associação dos Bons Sinais convidou as autoridades, amigos e parceiros para juntos mobilizarem recursos financeiros para a reabilitação da Igreja Nossa Senhora do Livramento.

Até pouco antes da sua manifesta preocupação, o edifício albergava moradores de rua e larápios que espalhavam pânico nas redondezas.  

O bairro da Mafalala, na cidade de Maputo, com as suas casas de madeira e zinco, que desde a década 30 configuram aquele bairro, que na época colonial era reservado apenas aos nativos. Há lá casas abandonadas.

Podemos ainda ir até a Ilha do Ibo, na província de Cabo Delgado, entre outros registos importantesdispersos pelo país.

É preocupante. Construídos no período colonial, estes edifícios constituem marcos de um momento da nossa história. São o testemunho inequívoco desse passado, que jamais se pode desprender do tecido social.

Não se pode ignorar o risco de as crónicas do nosso passado permanecerem confinadas “às poeiras” das estantes das instituições, nas quais era suposto discutir-se e conceber-se estratégias para a sua valorização. 

Na Necrópole de Gizé, no Egipto, Alepo – arrasada pelo Estado Islâmico -, na Síria, e em várias cidades europeias, há exemplos de sucesso que podemos ter como modelos.

Acreditamos que a moçambicanidade, esse conceito em permanente construção, que apelamos, ao defender a unidade nacional – sempre reconhecendo não se tratar de algo homogéneo -, tem nas memórias comuns os seus alicerces.

Para tal, é preciso fazermos um exercício de valorização destes patrimónios e a propagação dos valores à sua volta para que essas lembranças estejam enraizadas no nosso censo comum.

À semelhança desses, pode-se abarcar os Centros Arqueológicos, como o de Manyikeni, dos quais nada se diz.

O caminho para a preservação desses espaços que marcam a nossa história passam pela restauração e reaproveitamento desses espaços para vários fins que os valorizem, pois enquanto se mantiverem abandonados – e por mais que se reaproveite -, sem actividade, é só um conjunto de pedras sem serventia nenhuma.

Somos nós, a nossa orientação que molda o significado das coisas, daí que temos que ser nós, em conjunto, a investir o nosso suor. É tempo para preservar essas relíquias que configuram a narrativa que nos difere dos outros. 

Esses edifícios, como todo o nosso património, incluindo o imaterial, são os parágrafos que temos que reivindicar na história do mundo. A preservação das nossas memórias é um acto de cidadania, é a reivindicação de uma identidade que deve ser preservada e exibida na aldeia global.

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 58,31 59,47
ZAR 4,74 4,83
EUR 70,23 71,64

25.01.2018   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

AGORA que se aproxima o período eleitoral - a 10 de Outubro realizam-se as ...
2018-04-20 00:30:00
O ACTUAL cenário que se desenha com a provável mudança de ...
2018-04-20 00:30:00
HÁ sensivelmente um mês, a Inglaterra lançou um autêntico ...
2018-04-20 00:30:00
UNS chamam “praxe académica” e outros ...
2018-04-19 00:30:00
O GOVERNADOR de Inhambane, Daniel Chapo, antes de exercer a actual ...
2018-04-19 00:30:00