Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

O NULO do Ferroviário da Beira no Zimpeto frente ao Al Hilal do Sudão é mais um daqueles resultados que demonstram que as feridas do abalo "sísmico" de Sahel frente ao Etoile SC (goleada, por 0-5), ainda não estão completamente saradas, sendo que as réplicas fizeram-se sentir ontem, sobretudo na primeira parte.

Aliás, o Ferroviário da Beira entrou em falso, permitindo que o Al Hilal se instalasse no seu meio-campo e jogando solto, seguro e a seu bel-prazer, atitude típica de uma equipa experiente, organizada e habituada a estas andanças.

 Os "locomotivas" experimentavam enormes dificuldades para saírem do seu reduto com a bola controlada, contanto que os sudaneses, astutos, haviam bloqueado todas as saídas, tendo a felicidade de serem possantes, o que lhes conferia imensas vantagens nas disputas com Amarachi, Thomas ou Fabrice no miolo. Com Maninho ligeiramente recuado, Andro jogava mais perto de Dayo, a referência ofensiva da equipa nacional. O jovem avançado denotava imensas dificuldades para ombrear com os latagões, defesas sudaneses, ao mesmo tempo que lá atrás Áurio tinha uma pedra no sapato que responde por Tetteh, mesmo sofrimento (mas brando) que estava submetido Amorim por um tal de Abdel.

Os instantes iniciais foram de aflição para a baliza beirense com três "raides" aéreos provocados por sucessivos pontapés de canto, sendo que um deles, Mambucho teve de tirar sobre a linha de golo com Willard já batido. O Ferroviário aparentava ser uma equipa parca em soluções, até porque nem conseguia controlar a bola sempre que esta estivesse na sua posse. Andro foi quem mais bolas perdeu, mas a mais flagrante perda foi de Amarachi no ataque, numa jogada que deu origem a uma contra-ofensiva rápida conduzida por Tetteh e que culminou com um forte tiro rasteiro para a defesa segura de Willard. Aliás, os sudaneses sempre optaram por ataques rápidos, diferentemente do Ferroviário que fazia tudo de forma pausada e denunciada, o que contribuiu para que não perigasse a baliza contrária. Nos últimos 10 minutos do primeiro tempo, finalmente, os "locomotivas" pareciam mais libertos e um pouco ousados. Uma combinação entre Maninho e Dayo, numa jogada de insistência terminou com um portentoso remate deste último, por cima, com muito perigo. Foi o lance mais vistoso dos "locomotivas" nesta etapa.

O intervalo chegou com os sudaneses exaustos, optando, por via disso, pelo anti-jogo.

O segundo tempo começou tal como o primeiro, com os sudaneses no ataque. Entretanto, a dado momento estes decidiram "matar" o jogo como quem estivesse a jogar para não perder, sendo que a tímida equipa beirense embarcou na mesma onda. O público decidiu puxar dos galões, acordando o Ferroviário que se via obrigado a retribuir o apoio. Babo chegou ligeiramente atrasado para acorrer a um passe bem emitido por Fabrice, um lance que "despertou" os 'locomotivas' e o próprio desafio, pois o Al Hilal começou a sentir-se ameaçado e para o efeito tinha de responder. O desafio ganhou com isso frenesim, mas as balizas de ambos pouco eram ameaçadas. Foi preciso esperar-se pelo minuto 89, no qual Andro rematou, na cobrança de um livre, na direita, para uma enorme defesa para canto do guardião Maxime, numa bola que ia entrar do ângulo superior. O nulo prevaleceu, sendo um resultado aceitável para aquilo que ambos produziram. Do Ferroviário pede-se mais. Ontem, apesar de ser uma tarde de terça-feira, em Maputo, não lhe faltou apoio.

A arbitragem zambiana foi bastante segura.

FICHA TÉCNICA

ÁRBITRO:Wedson Chewe; auxiliado por Romeo Kasengale e Kabwe Chansazembe. O quarto foi Wellington Kaome, todos da Zâmbia.

COMISSÁRIO DA CAF:Soihily Msahazi (Comores).

FER. BEIRA:Willard; Hagy, Áurio, Mambucho, Amarachi, Thomas, Amorim, Andro, Maninho (Babo), Fabrice (Nelito) e Dayo.

AL HILLAL:Maxime; Mohamed, Youssif, Shareef (Modasir), Azeez (Okran), Tetteh, Nazar, Hussein, Quatara, Abdel e El Tahir.

DISCIPLINA:Amarelos para Thomas (Fer. Beira) e Modasir (Al Hilal).

LEGENDA:

Dayo ganha uma das mais repetidas batalhas frente a Hussein (Al Hilal) que, no entanto, não dá frutos

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