O INCREMENTO da cooperação nas áreas económica e de infra-estruturas é um dos ganhos que poderão advir da visita oficial que o Presidente da República, Filipe Nyusi, realiza a partir de hoje ao Japão a convite das autoridades locais.

Liderando uma delegação que integra a esposa, Isaura Nyusi, membros do Governo, empresários e quadros da Presidência da República, o Chefe do Estado será recebido pelo Imperador Akihito e manterá conversações oficiais com o primeiro-ministro nipónico, Shinzõ Abe, além de participar no fórum de negócios Moçambique-Japão.

A visita de Filipe Nyusi a este país asiático surge em resposta a um convite formulado por Shinzõ Abe e acontece numa altura em que os dois países celebram, este ano, 40 anos das suas relações diplomáticas.

Nos primeiros anos da independência nacional, o Japão estabeleceu a sua representação diplomática para Moçambique, a partir do Zimbabwe, mas foi no ano 2000 que abriu a sua Embaixada em Maputo.

Esta é a primeira visita de Filipe Nyusi ao Japão como Presidente da República de Moçambique, no entanto não será a primeira vez que se vai avistar com Shinzõ Abe. Ambos encontraram-se no Quénia durante a última conferência do TICAD, realizada em Agosto do ano passado.

O Japão tem em Moçambique um parceiro importante, sobretudo na sua relação com a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), da qual o nosso país é membro.

A descoberta de recursos naturais, sobretudo o gás natural e o carvão mineral, tem ajudado a atrair o interesse de algumas empresas japonesas para Moçambique, com destaque para a Mitsui, que tem uma participação nos campos de gás natural operados pela norte-americana Anadarko, na bacia do Rovuma.

A Mitsui também tem uma participação do corredor logístico de Nacala, uma infra-estrutura estratégica para o escoamento de carvão mineral extraído em Tete. Outras companhias japonesas com interesses em Moçambique são a Mitsubishi Corporation, que detém uma participação na fábrica de fundição de alumínio Mozal, ao mesmo tempo que outras empresas como a Chiyoda, Hitachi e Nippon Koei têm vindo a consolidar a sua presença no país.

Para além do sector empresarial, o Japão tem-se assumido como um parceiro estratégico do Governo moçambicano na construção de pontes, agricultura, educação, abastecimento de água, agricultura, meio ambiente, entre outros. Em média, este país disponibiliza 50 milhões de dólares por ano em ajuda ao desenvolvimento de Moçambique.

No Japão, um arquipélago da Ásia com cerca de 372.819 quilómetros quadrados, mais de 90 por cento da energia consumida é produzida com base na importação de recursos, daí o interesse na diversificação das fontes. De Moçambique, o país já importa o carvão mineral.

Jiro Maruhashi, conselheiro-chefe adjunto da Missão na Embaixada japonesa em Maputo, assume que o seu país tem interesse no gás do Rovuma e considera que a participação de empresas nipónicas nestes projectos é um sinal claro desse desejo.

Mas destaca que o seu país também tem interesse no incremento do comércio, agricultura, construção de infra-estruturas, em que os japoneses podem trazer muita experiência para o desenvolvimento de Moçambique numa cooperação que se pretende seja mutuamente vantajosa.

Titos Munguambe, em Tóquio

 

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