O SECTOR bancário moçambicano, mesmo após duas intervenções do banco central, está-se a revelar bastante flexível, numa altura em que a economia está já em processo de aceleração do crescimento, depois de um 2016 muito difícil, consideram os analistas internacionais.

Moçambique sofreu, no ano passado, dificuldades económicas e financeiras devido à suspensão de ajudas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e principais doadores, depois que se divulgou que duas empresas públicas tinham contraído empréstimos no montante de 1,2 mil milhões de dólares com o aval do Estado.

Lembram os analistas que o empréstimo de 850 milhões de dólares contraído pela Empresa Moçambicana de Atum (Ematum) foi amplamente noticiado em devido tempo, tendo mesmo tido lugar em Cherbourg, norte de França, a assinatura do contrato para a aquisição de barcos de pesca e de vigilância costeira, no decurso de uma cerimónia que contou com a presença dos presidentes de Moçambique, Armando Guebuza e de França, François Hollande.

Na banca, a crise financeira agravou a saúde de dois bancos, Nosso Banco e Moza Banco, obrigando à intervenção do regulador, o Banco de Moçambique (BM), apesar de o cenário de agravamento não estar totalmente afastado, o sector mostra-se suficientemente flexível, de acordo com a Economist Intelligence Unit citada pela agência macauhub.

“O banco central permanecerá amplamente independente” e, apesar do “risco de uma crise em todo o sector”, a “previsão é de que os grandes bancos serão capazes de resistir às pressões e que os bancos mais pequenos não representam uma ameaça sistémica”, refere a EIU no seu mais recente relatório sobre Moçambique.

Os fundamentos macro-económicos de Moçambique melhoraram desde a crise de liquidez de 2016 e o ​​BM começou a flexibilizar a sua política monetária, mas, afirma a EIU, as “pressões que assolaram o sector bancário estão longe de terminar” devido ao crédito malparado e à exposição de alguns bancos ao sector público, nomeadamente, aos empréstimos “escondidos.”

Depois de o BM ter aumentado os requisitos de capital, a EIU espera que alguns dos mais pequenos bancos do país venham a encerrar nos próximos meses, mas os três maiores bancos, que colectivamente possuem mais de metade dos activos e depósitos totais, têm condições para resistir às adversidades, “recorrendo aos seus proprietários estrangeiros para financiamento adicional, se necessário.”

Particularmente, em relação à solução encontrada pelo Banco de Moçambique para o Banco Moza – a sua capitalização através do próprio fundo de pensões do regulador (Kuhanha), que veio diluir a participação dos dois principais accionistas, Novo Banco (Portugal) e Moçambique Capitais, para 10 por cento cada – a EIU considera uma solução justificável.  

 

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