Oscriadores moçambicanos de gado reconhecem estar abertas as oportunidades para preencherem o vazio criado pelo recente banimento da importação de carnes da vizinha África do Sul.

As condições apontadas como cruciais para aproveitarem estas oportunidades têm a ver com o associativismo dos criadores e o abate de parte das cabeças disponíveis para satisfazer o mercado.

A província de Maputo conta com uma população de cerca de 100 mil cabeças, mas por razões culturais muitas delas não são abatidas, perdendo-se, por conseguinte, oportunidades de negócio.

Alguns passos desse associativismo já começaram a ser dados, graças aos contactos mantidos no âmbito da 53.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), recentemente terminada.

As outras condições estão dependentes do Governo, segundo afirma Victor Filipe, vice-presidente do pelouro do Agronegócio e Pescas da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

De acordo com a fonte, há, no entanto, muita burocracia no tratamento de documentação necessária para os criadores comerciais levarem a cabo as suas actividades, o que faz com que percam mais tempo a resolverem, por exemplo, problemas de Direitos de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), do que necessariamente a tratar do gado.

O roubo de gado e as queimadas são outros problemas expostos pelos criadores, bem como a redução do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC), de 32 para 10 por cento, medida que se espera venha impulsionar os criadores familiares.

“São problemas gravíssimos que têm que ser combatidos pelo Governo. Precisamos do apoio do Governo também para o melhoramento da cadeia de valor da carne bovina”, disse Filipe.

No entanto, nem tudo vai mal para os criadores: dizem estar satisfeitos pelo melhoramento genético e de raças que o Governo desenvolveu para o sector comercial.
Os criadores estão ainda motivados pela actual revisão da Pauta Aduaneira, que entendem que vai melhorar a qualidade da carne através das engordas.
Esta preocupação dos criadores já foi expressa ao Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que disse não estar surpreso em relação aos problemas apresentados, pois já são do conhecimento do Governo.

Do Rosário, que falava no fim-de-semana, também na FACIM, disse ser do interesse do Governo que se continue a produzir mais comida em Moçambique para garantir a segurança alimentar, daí que se mostra aberto para continuar a apoiar os produtores de gado e não só.

“Estaremos atentos às questões colocadas. O nosso Governo definiu como primeira prioridade a alimentação, apostando na produção de alimentos e, nesse caso concreto, de carne de todas as espécies”, disse o governante.

Para o Primeiro-Ministro, deve-se aproveitar as oportunidades existentes e produzir-se carne de modo a evitar a importação de carnes dos países vizinhos, porque o país tem condições agro-ecológicas mais do que suficientes para produzir alimentos, neste caso a carne.
 

 

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