A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou ontem que a falta de um enquadramento financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) levará o Governo de Moçambique a adiar as reformas para depois das eleições, adoptando políticas "ao acaso".

"Na ausência de uma moldura de reformas completamente apoiada pelo FMI, a definição de políticas será feita ao acaso e as grandes reformas devem ser adiadas para depois das eleições, ainda que a crise financeira obrigue o Governo a implementar algumas medidas politicamente sensíveis, como a retirada gradual de subsídios e a privatização de alguns activos do Estado", escrevem os analistas.

De acordo com uma nota enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, sobre a confirmação de que o FMI não vai adoptar um programa para Moçambique, ficando-se pelo tradicional acompanhamento da economia ao abrigo do artigo IV, os analistas da revista britânica “The Economist” escrevem que "as prioridades de despesa do Governo serão populistas, motivadas pela necessidade de melhorar a qualidade de vida e evitar a agitação social nas vésperas das eleições de Outubro".

Assim, a EIU antecipa que o Governo "deverá manter a expansão dos programas de subsídios, isenções fiscais e a substancial factura com os salários dos funcionários públicos", o que elevará o défice orçamental para 8,1% do PIB este ano, segundo as previsões destes economistas.

"As reformas estruturais para fortalecer a gestão das finanças públicas e melhorar o ambiente de negócios serão lentas e a continuada ausência de assistência técnica por parte do FMI expõe as ineficiências operacionais das entidades públicas moçambicanas", lê-se na análise enviada aos clientes da EIU.

No final de Janeiro, o representante do FMI em Moçambique disse à Lusa que "a relação entre Moçambique e o FMI, em 2019, será somente ao abrigo das consultas do artigo IV", que requer consultas do FMI às economias dos países membros, por forma a exercer a sua monitorização e consequente aconselhamento com vista ao crescimento e estabilidade económica e não inclui ajuda financeira.

Ari Aisen respondia a questões colocadas pela Lusa, depois de o ministro das Finanças, Adriano Maleiane, ter anunciado em meados de Janeiro, num encontro com editores de órgãos de informação, em Maputo, que em 2019 ainda não haverá desembolsos do fundo, mas que a relação poderá ser mais próxima.

Mesmo sem um programa de apoio financeiro ou um programa monitorado, Moçambique compromete-se a cumprir metas a que estaria sujeito naquelas modalidades, nomeadamente na área do combate à corrupção e reestruturação do sector público, acrescentou o governante.

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