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Categoria: Economia
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A Electridade de Moçambique (EDM) perde anualmente cerca de 100 milhões de dólares americanos, devido a falhas na gestão de alguns processos ao longo da cadeia que vai desde a geração até à colocação da energia eléctrica à porta do consumidor.

Reconhecendo que estas perdas fragilizam as suas contas e reduzem a capacidade de investir na expansão do serviço pelo país, a EDM acaba de aprovar um pacote de acções destinadas a melhorar os processos, a exemplo do controlo rigoroso do volume de energia que sai das centrais de produção para as redes de transporte em alta tensão, e destas para as linhas de distribuição em média e baixa tensão.

As acções incluem também a melhoria da facturação para evitar que haja instalações a consumir energia eléctrica não contabilizada.

O porta-voz da empresa, Luís Amado, explica que a ideia é também aumentar as rotinas de monitoria e inspecção às instalações dos clientes, onde se acredita haver grandes volumes de energia eléctrica consumida de forma clandestina.

Segundo a fonte, a EDM considera que é igualmente importante melhorar as redes de distribuição, cuja má qualidade concorre para quedas de tensão e priva os utentes do normal acesso a uma electricidade de qualidade.

“Falamos da melhoria de processos por acreditarmos que se tivermos redes boas, se fornecermos energia como deve ser, facturarmos devidamente e inspeccionarmos os clientes, principalmente os de baixa tensão, certamente que vamos reduzir o volume de perdas”, disse Luís Amado, que falou há dias a jornalistas a propósito da reunião de balanço anual das actividades da EDM, em 2018.     

Actualmente, aquela empresa pública tem cerca de 29 por cento de perdas e, segundo o porta-voz, grande parte destas ocorre na rede de distribuição doméstica, ou seja, perto do cliente final, área que deverá, doravante, merecer maior atenção.

Paralelamente à luta contra as perdas técnicas e administrativas, a empresa tem o desafio de ligar cerca de 300 mil novos consumidores à rede nacional de energia eléctrica até final de 2019, apesar do desvio de fundos que foi necessário fazer para atender às necessidades de reposição dos danos causados pelos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram sete províncias do país em Março e Abril últimos.

No ano passado, 257 mil instalações passaram a usar energia da EDM, fazendo com que o número de clientes se aproximasse aos 1.9 milhão, contra cerca de 1.6 milhão com que se fechou o ano de 2017.

A ligação de 300 mil consumidores ao longo do corrente ano está alinhada com o programa governamental “Energia para Todos”, que preconiza a universalização do acesso ao serviço até 2030, numa altura em que a taxa de acesso se situa ainda nos 31 por cento da população moçambicana.