O PRIMEIRO-MINISTRO, Carlos Agostinho do Rosário, considera primordial o estabelecimento de sinergias entre os sectores público e privado, por forma a capitalizar as potencialidades e oportunidades de investimento existentes no quadro das iniciativas estratégicas da economia azul.

Intervindo ontem, em Maputo, num painel de alto nível, subordinado ao tema “Financiando a Economia Azul: Perspectivas para o Desenvolvimento e Sustentabilidade da Região do Oceano Índico”, o governante afirmou que estudos disponíveis apontam que até ao ano 2050 o desenvolvimento das diferentes áreas integradas na economia azul poderão gerar cerca de três triliões de dólares norte-americanos.

“Não podemos perder de vista que centenas de milhares ou, talvez mesmo, biliões de crianças, mulheres e homens dependem do oceano para a sua sobrevivência. Decorrendo desta realidade, devemos assumir responsabilidades acrescidas, a nível da região, para encorajar iniciativas, quer de natureza pública, quer privadas, para que a economia azul se constitua, de facto, numa fonte de rendimento da população e, consequentemente, factor de desenvolvimento económico dos nossos países”, disse.

Na ocasião, o primeiro-ministro exortou ao estabelecimento de mecanismos que assegurem a mobilização de recursos que permitam financiar acções concretas no que tange ao desenvolvimento sustentável, produção de alimentos, erradicação da pobreza, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, e desenvolvimento em infra-estruturas.

“Muitos destes investimentos serão feitos nos oceanos, ao longo da costa, nas cidades costeiras. Por isso, temos em mãos a possibilidade de decidir se estes investimentos respondem à tripla visão que comungamos de economia, sociedade e natureza”, frisou.

Segundo ele, Moçambique está ciente das possibilidades de crescimento económico através da exploração dos oceanos.

“Por isso, consideramos prioritária a necessidade de se investir em áreas como a pesca, turismo, transporte multimodal, maricultura, tratamento de lixo, biotecnologia, indústria farmacêutica, de entre outras”, afirmou.

Banco Mundial defende soluções inovadoras

O Banco Mundial defende que o Governo e sector privado devem se envolver, directamente, na protecção dos valores económicos gerados pelo oceano, com soluções novas e inovadoras, com vista a alcançar o crescimento azul.

Falando ontem, em Maputo, o representante residente do Banco Mundial em Moçambique, Mark Lundell, defendeu que os oceanos suportam economias e meios de vida de muitas maneiras em todo o mundo.

Globalmente estima-se que uma em cada dez famílias tem na pesca a base do seu sustento e as mulheres compõem metade da força de trabalho.

O representante do Banco Mundial falava durante a cerimónia de abertura da Conferência Crescendo Azul, um evento que junta mais de 500 individualidades, entre nacionais e estrangeiros.

Na ocasião, a fonte fez saber que a produção pesqueira marinha mundial é superior a 80 milhões de toneladas, contribuindo com mais de 260 biliões de dólares para o Produto Interno Bruto (PIB) global, e que o comércio internacional não seria o mesmo sem os oceanos, para além de que 80 por cento de todos os bens usados são transmitidos através dos mares.

O valor económico dos oceanos tendem a aumentar nos últimos tempos e até 2030 deverá duplicar, alcançando mais de três milhões de dólares por ano.

“Não há dúvidas que a saúde dos oceanos está a degradar-se rapidamente. Estima-se que 30 por cento do stock de peixe seja hoje sub-capturados com cerca de 80 biliões de dólares por ano, em receitas perdidas. Por outro lado, cerca de 80 por cento das fontes de poluição marinha têm origem na terra e há 150 milhões de toneladas nos oceanos hoje em dia”, disse.

O representante do Banco Mundial referiu, igualmente, que as mudanças climáticas têm um impacto enorme nos oceanos com consequências, potencialmente, catastróficas.

Por isso, a sua instituição tem investido mais recursos na economia azul e hoje em dia. A carteira global activa situa-se em torno de 4.5 biliões de dólares, com cerca de dois biliões adicionais em preparação, para o apoio da implementação de programas regionais e de desenvolvimento costeiro.

"Os desafios das mudanças climáticas são enormes. Ao embarcar no desenvolvimento da economia azul, os países precisam de ter caminhos claros para fazê-lo, de forma a promover, em paralelo, a mitigação e adaptação às mudanças climáticas", referiu.

Exemplificou que as zonas costeiras devem ser protegidas, utilizando infra-estruturas verdes, porque o crescimento azul só será, verdadeiramente, azul se os programas de desenvolvimento sustentável forem integrados de forma inteligente, do ponto de vista climático.

 

 

 

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