Moçambique está, uma vez mais, a ser posto à prova. Outra vez, a natureza, com todo o seu poder divinal e discricionário, volta a desafiar o sonho e a inteligência colectiva dos moçambicanos, fazendo-os marcar passo na sua trajectória de desenvolvimento. O ciclone tropical Idai, que atingiu o território nacional na noite de 14 de Março, chegou violento, com chuvas diluvianas e ventos fortes que chegaram a soprar a velocidades superiores a 200 quilómetros por hora.

As províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Tete e Inhambane, que testemunharam a passagem do ciclone, com as duas primeiras a registarem o maior caudal de danos tanto humanos e como de infra-estruturas, em parte porque já se vinham ressentindo do impacto das cheias que atingiam diversas zonas do Centro do país.

Embora tivesse sido notável o empenho na disseminação de avisos para evacuação de zonas de risco face ao fenómeno, nada fazia imaginar que todo o cuidado seria pouco para evitar que a chuva intensa que vinha, e que caiu durante praticamente uma semana, alagasse extensas áreas habitadas, enquanto os fortes ventos que sopraram com intensidade invulgar durante vários dias arrasavam tudo o que encontravam na sua trajectória, deixando para trás um rasto de destruição só comparável a um cenário de pós-guerra.

De facto, muita gente foi surpreendida pela violência do ciclone, que anulou todo o esforço de prevenção levado a cabo pelas comunidades e por todos quantos acataram as recomendações das autoridades, representadas pelo Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC). Em teoria, era improvável que alguém assumisse a prevenção a níveis tais que pudessem evitar os danos que acabaram acontecendo, com cidades como Beira e Dondo literalmente reduzidas a escombros.

Mas, o grande teste é mesmo à criatividade do Governo do Presidente Filipe Nyusi, ele que foi confrontado com um cenário de calamidades naturais quando assumiu o poder, em 2015, e que é agora colocado perante mais uma contingência, a poucos meses do final do mandato. 

Impressionante é a maneira criativa como este Governo foi lidando com cada situação, preocupado com as limitações impostas por factores exógenos, mas sem perder de vista o objectivo central de transpor os obstáculos e conduzir os moçambicanos ao bem-estar.

São vários os desafios que a natureza foi impondo ao Executivo de Filipe Nyusi ao longo da sua trajectória de governação, com diversos episódios que, definitivamente, condicionaram a implementação de alguns dos seus projectos.

Basta lembrar das intensas chuvas que, em Janeiro de 2015, “desligaram” as regiões Sul, Centro e Norte do país, e aquelas 1ue na época chuvosa 2017/2018 voltaram a causar estragos no Centro e Norte, enquanto o Sul embarcava para um cenário de seca severa que dura até aos dias de hoje.

Ainda em 2017, temos memórias do ciclone Dineo, que atingiu de forma particularmente violenta a província de Inhambane, causando danos severos em infra-estruras públicas e privadas, e fragilizando o desempenho da sua economia em áreas estratégicas como o turismo.

Como se pode ver, é uma mescla de fenómenos naturais a que o país foi sendo exposto ao longo dos anos, aos quais o país tem sabido responder à medida da sua capacidade e, claro está, contando com apoio de países amigos e outros parceiros internacionais.

É toda essa experiência que hoje torna este Governo capaz de gerir o impacto desastroso do Idai com a prudência, objectividade, responsabilidade e perspectiva, adjectivos que temos testemunhado em cada intervenção do Chefe do Estado e dos membros do seu Governo, que ajudam a orientar a acção das várias organizações envolvidas na assistência às vítimas.

Apesar dos embaraços e constrangimentos que a natureza voltou a causar, conforta-nos perceber que há, entre os moçambicanos, uma interessante onda de solidariedade. Particularmente agradável é ver a dinâmica com que se identificam com a causa; a impressionante entrega por um movimento que, no passado, víamos corporizado apenas por entidades estrangeiras.

É refrescante perceber como os moçambicanos deixaram crescer o seu sentido de pátria e de solidariedade para com o próximo. Ainda assim, preocupa-nos o notável esforço que muitos fazem ora para aproveitarem o momento e tirar dividendos de vária ordem, ora para por em marcha projectos criminosos à custa do sofrimento de outrem.  

A tudo isto, é chamada toda a atenção das autoridades e vigilância das comunidades, considerando que ainda há um longo caminho a percorrer até que a vida se normalize nas zonas afectadas.

De uma coisa estamos certos: Moçambique vai passar por mais este teste da natureza, e sairá mais fortalecido e melhor preparado para lidar com este tipo de eventos.

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