DOMINGO é Dia do Natal, a festa cristã que entre nós, moçambicanos, é também celebrada como Dia da Família. Mais do que um pretexto para juntar famílias para confraternizar ou para evocar a fé cristã, esta é uma festa que sinaliza a proximidade do fim de um ano civil, momento que, por isso, se presta a avaliações e ao desenho de perspectivas individuais e colectivas.

O Natal remete, inevitavelmente, à reflexão sobre os valores da vida humana, sobre o valor do perdão como um exercício de renovação, reconciliação, fraternidade e harmonia entre os homens. Estas são marcas que sempre estiveram presentes no Natal dos moçambicanos, não sendo por isso de duvidar que, este ano, juntem à celebração um coro de apelo à paz e normalização da vida nas famílias.

Na verdade, o ano que caminha para o fim foi difícil para os moçambicanos, que ainda assim não só não baixaram os braços como também não deram costas à luta, logrando superar algumas das dificuldades que tiveram. Associado às cheias registadas no início do ano, houve a seca e as hostilidades militares promovidas pela Renamo, que impediram, literalmente, que o país funcionasse ao ritmo que já lhe era normal.

Todas essas dificuldades, agravadas pela crise global personificada na baixa dos preços das matérias-primas que o país coloca no mercado internacional, acabaram por afectar o desempenho da economia nacional, com o impacto nas famílias.

Compreendemos, por isso, a ausência de toda aquela azáfama que tradicionalmente caracteriza esta época do ano. Entendemos que as montras não tenham, este ano, aqueles enfeites natalícios que geralmente emprestam outro ar às nossas cidades. Percebemos que as famílias têm dificuldades de comprar tudo aquilo que desejariam ter para a celebração.

Interessante mesmo é notar a esperança com que as pessoas continuam a olhar para o futuro, a expectativa com que recebem cada novo dia, uma confiança que emana da responsabilidade com que o Governo tem lidado com as várias adversidades.

Acreditamos que, com ou sem brindes para trocar, este Natal há-de ser, seguramente, um momento de confraternização e de reflexão para os moçambicanos. Infelizmente, muitos não vão poder juntar-se às suas famílias pelo país fora, como é tradição nesta época do ano, devido às acções violentas da Renamo, que de forma intransigente impede a livre circulação de pessoas e bens.

O que nós desejamos é que os moçambicanos aproveitem estes momentos para se renovar, para trocar afecto no lugar dos brindes que não têm; para admirarem, estimularem e reconhecerem as capacidades uns dos outros; para partilharem sonhos de um futuro melhor, com alicerces no trabalho honesto e no respeito pela dignidade humana.

Temos razões para acreditar em tudo isso porque reconhecemos a capacidade dos moçambicanos de se superar e porque sonhamos com um 2017 mais harmonioso e com mais oportunidades para os moçambicanos viverem melhor.

Não nos assustam os sinais de crise que ainda persistem, nem outros que porventura nos assolem no ano que vem. Preocupam, isso sim, a perda de valores de humanismo e a falta de sentido patriótico de alguns cidadãos que fazem mais esforço para identificar problemas do que para construir soluções.

O nosso desejo é que este Natal seja mais uma oportunidade para a exaltação do bem e construção de consensos que conduzam ao bem-estar dos moçambicanos.

Um feliz Natal!

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21.01.2017   Banco de Moçambique

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