A cólera volta a ser um grande problema para a saúde em Moçambique, agora também em províncias que há vários anos não registavam casos da doença. A primeira ilação que se pode tirar é que pode ter havido relaxamento no que às medidas de prevenção diz respeito.

A avaliar pelo ritmo de propagação do vibrião causador da cólera pelos distritos e províncias do país, tudo leva a crer que todos nós, pessoas singulares e instituições, incluindo obviamente, o Estado, deixamos, nalgum momento, de cumprir o nosso papel de zelar, em primeira instância, pela higiene individual e colectiva, eliminando todas as condições que propiciam o surgimento desta doença mortífera.

Dizemos que houve relaxamento porque se por um lado é verdade que algumas pessoas podem ter ignorado os mais básicos cuidados no manuseamento de alimentos ou depois de usar sanitários, por outro lado é preciso admitir que as principais cidades do país registam focos de imundície e graves problemas de saneamento, agravados pelas chuvas que caem nas últimas semanas.

Há muito lixo que não está a ser recolhido, não tanto por falta de verbas, mas por questões ligadas à organização das entidades que devem lidar com esta matéria, além de que há problemas de fiabilidade da água consumida pela maioria da população.

Estamos recordados das palavras do Presidente Filipe Nyusi, a 19 Fevereiro de 2015, um mês depois de assumir o cargo, quando orientou os vários actores, mormente o sector da Saúde, a concentrarem todas a suas energias e inteligência para fazer com que a cólera parasse de matar, porque se trata de uma doença que já devia ter sido erradicada no país, tendo em conta o trabalho até então realizado e que proporcionou informação sólida sobre causas, manifestações e medidas de prevenção.

São desoladores os dados estatísticos que estão a ser divulgados pelas autoridades sanitárias. Até meados desta semana tinham sido notificados 1222 casos em todo o país, e havia pelo menos 19 distritos do país em risco de registar episódios da doença caso não fossem intensificadas medidas preventivas, segundo informação prestada ao Conselho de Ministros.

Muitos destes distritos são vizinhos de áreas que estão a registar casos da doença e com condições deficitárias de saneamento.

Transmite-nos alguma mensagem de esperança a notícia de que está a ser ensaiada, na província de Nampula, por sinal uma das afectadas, uma vacina contra a cólera. Ainda que se diga que o trabalho está em fase final, estamos certos de que, pela delicadeza da matéria, muito tempo ainda vai passar até que a decisão do uso do fármaco na prevenção desta doença seja tomada pelas autoridades moçambicanas.

Ainda assim, entendemos que a possibilidade de termos uma vacina contra a doença não nos deve fazer abdicar do essencial que é a limpeza dos lugares onde vivemos e a higiene pessoal.

Defendemos que o trabalho de sensibilização da população sobre os cuidados de higiene deve ser permanente e não em campanhas que, regra geral, acontecem quando a época chuvosa começa.

Mais do que a educação das comunidades, é importante que o Governo, através do Ministério da Saúde, preste mais atenção à qualidade de água que chega às casas das pessoas. Para tal será determinante um controlo sistemático das fontes para, em caso de necessidade, fazer-se o devido tratamento, evitando-se desta forma que o vibrião se propague.

Precisamos de continuar a vigiar as condições em que são preparadas e acondicionadas as refeições que são disponibilizadas aos consumidores não só nos restaurantes, como também na via pública, um negócio que se está a generalizar nas principais urbes do país.

Em suma, cada um dos moçambicanos deve fazer a sua parte para que definitivamente a cólera deixe de ser um problema de saúde em Moçambique, a ponto de afectar o desempenho do sector do turismo.

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26.07.2017   Banco de Moçambique

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