A CIDADE de Tete acolheu semana passada o fórum de infra-estruturas que, pela sua importância, contou com a participação do Presidente da República, Filipe Nyusi. O evento destinava-se a mobilizar recursos de forma a priorizar acções nas regiões mais desfavorecidas do país que, a curto e médio prazos, possam induzir investimentos, visando o aumento da capacidade produtiva e a promoção do desenvolvimento económico sustentável e acelerado.

Entendemos que se trata de uma iniciativa há muito esperada, pois não se pode almejar qualquer desenvolvimento sem infra-estruturas, sejam elas económicas e/ou sociais, num país que viu muitas das suas unidades destruídas ao longo dos anos da guerra de desestabilização.

Em Tete, foi dado enfoque aos pelourosdos Transportes e Comunicações, Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Agricultura e Segurança Alimentar e Recursos Minerais e Energia. A escolha destas áreas para a liderança daquilo que se pretende seja uma cruzada em Moçambique – construção de infra-estruturas, como escolas, hospitais, estradas, pontes, barragens para a retenção da água e produção de energia, não terá sido por acaso. Será pelo entendimento da sua importância, tendo em conta o ponto a partir do qual o país pretende alavancar o seu desenvolvimento.

Para compreendermos melhor esta interligação, basta lembrar, a título de exemplo, o cenário determinado pelas condições agroecológicas do país, em que pode haver comida produzida numas regiões e fome noutras, mas que a falta de estradas em condições não permiteque estas últimas sejam socorridas pelas primeiras, acabando os produtores por perder a sua produção ou comercializar os excedentes nos países vizinhos, muitas vezes a preços definidos pelo comprador.

Com as estradas, que são da responsabilidade do pelouro das Obras Públicas, é fácil ter uma rede de transportes forte que garanta o escoamento dos alimentos dos centros de produção para o mercado.

Por outro lado, estamos igualmente recordados que o país tem extensas áreas férteis que não podem ser exploradas cabalmente por falta de infra-estruturas de energia porque a que chega não é fiável, matando o sonho de compatriotas que apostaram ou querem apostar na agricultura.

Assim ficaríamos todos nós a ganhar: o produtor, que produziria sem muitos custos; o consumidor, que teria acesso a alimentos a preços baixos e, em última análise, o país que teria a oportunidade de a  agricultura crescer e se tornar, de facto, o motor de desenvolvimento da economia.

São estes pequenos exemplos da importância de infra-estruturas integradas que podem fazer diferença e cuja abordagem ficou evidente no encontro de Tete.

Tratando-se de um evento destinado a mobilizar recursos financeiros tomaram parte representantes de diversas instituições financeiras, nacionais e estrangeiras, públicas e privadas, às quais foram apresentadas as grandes potencialidades de que o país dispõe.

Contudo, é preciso que as infra-estruturas que pretendemos construir sejam de qualidade para não passarmos a vida a reconstruir as mesmas coisas, como acontece no sector da Educação, em que edifícios escolares sem muito tempo de vida desabam sempre que o país é afectado por ventos fortes. E neste ponto, dada a localização geográfica de Moçambique – ao longo da costa do Índico, propenso a ciclones aconselha-se que as infra-estruturas a erguer tenham em conta a ocorrência deste tipo de fenómenos que ciclicamente atingem o país.

Ciente de que o Executivo por si só não está em condições de alavancar as infra-estruturas existentes e as que se pretendem erguer no país, o Chefe do Estado convidou o sector privado a juntar-se aos esforços do Governo nessa empreitada.  Acreditamos que esta visão de Filipe Nyusi nesse sentido, funda-se na ideia de espevitar o interesse do sector privado para embarcar em infra-estruturas lucrativas que podem trazer ganhos para si e para o Estado, através da colecta de impostos.

No entanto, o mesmo Estado tem que melhorar os mecanismos de selecção de empreiteiros que têm que executar as obras públicas para garantir a qualidade destas e/ou evitar o seu abandono, como tem acontecido pelo país fora.

Igualmente, se por um lado é preciso tomar cautela em relação ao que ainda pretendemos construir, há também que aperfeiçoaras formas de conservação do que já temos, fazendo manutenções periódicas para garantir um tempo de vida razoável às nossas infra-estruturas.

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 59,55 60,70
ZAR 4,37 4,45
EUR 69,97 71,32

15.12.2017   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

HÁ uns anos um deputado da Assembleia da República, meu amigo,  ...
2017-12-15 23:30:00
IMPLICÂNCIA sem motivos. É comum não nutrirmos simpatia por ...
2017-12-15 23:30:00
AS FESTAS!... EM boa verdade elas, sobretudo as que se avizinham, são ...
2017-12-14 23:30:00
DEFINITIVAMENTE  não sou dono do meu tempo. Nunca fui, e jamais serei. ...
2017-12-14 23:30:00
TERMINEI o último artigo manifestando pesar pelo facto de as obras de ...
2017-12-14 23:30:00