TERMINA na terça-feira o IV Recenseamento Geral da População e Habitação, que vem decorrendo desde 01 de Agosto, com o objectivo de actualizar a informação estatística sobre o país. Na verdade, conhecer a composição da população é uma necessidade incontornável em sociedade modernas como a nossa, que dependem também disso para projectarem o seu futuro.

Portanto, mais do que uma simples operação estatística que acontece a cada dez anos, o censo da população e habitação é uma actividade inerente ao desenvolvimento, um exercício de organização e planificação do qual Moçambique não pode abdicar.

Apesar de todo o movimento que se gerou à volta do processo, com paralisações sem motivo aparente e algumas correntes a criarem e a fomentar, na opinião pública, uma ideia reducionista sobre a relevância do censo, os números preliminares divulgados depois de cumprida metade da jornada apontavam para o registo de mais de seis milhões de pessoas em todo o país, com dados de apenas 515 dos 1717órgãos executivos de recenseamento.

Decididamente são dados animadores que mostram que está a valer a pena o investimento feito para tornar possível o censo.   

O mais importante, na nossa opinião, é que tenham sido ultrapassados os constrangimentos que foram surgindo ao longo do processo, e que no final da operação esteja disponível informação relevante e fiável sobre Moçambique, com números actualizados da população e outros indicadores necessários para a o desenho de programas coerentes de desenvolvimento socioeconómico.

Pelos dias que faltam até ao fim da operação, acreditamos que será possível se alcançarem as projecções definidas.

Ficam, no entanto, memórias que nos parecem válidas como lições na preparação de futuros eventos desta natureza e envergadura. Os relatos que nos foram chegando de diversos pontos do país, reportando atitudes menos correctas de alguns operativos do censo, chamam-nos à atenção para a necessidade de um maior rigor na selecção dos candidatos a tarefas sensíveis, como é o censo. Além disso, cremos que será necessário dedicar mais tempo à formação dos grupos que trabalham na recolha de dados para que possam compreender a importância, não só de se fazer a operação, mas sobretudo de ser bem feita.

Os jovens, sobretudo, precisam perceber a relevância deste tipo de operações, para que sejam os primeiros a agir no sentido de tornar possível a sua realização. A comunicação social também precisa de estar melhor preparada para cumprir o seu papel sem pôr em causa o bom funcionamento da máquina. Vimos, por exemplo, órgãos de comunicação social publicitar actos de recenseamento de famílias, o que de alguma forma choca com a legislação sobre a matéria, nomeadamente o número 1 do artigo 7 da lei 12/97, que determina o carácter confidencial dos dados estatísticos individuais recolhidos através do recenseamento.

Também acompanhámos questionamentos intempestivos de algumas perguntas do inquérito, sob a alegação de terem carácter racista ou poderem colocar em perigo a segurança dos agregados.

De igual modo, soubemos de agentes recenseadores que, completamente desencontrados com as normas e procedimentos para a recolha de dados, nomeadamente de bom trato com as famílias, demonstravam níveis preocupantes de despreparo, ao extremo de pretender realizar entrevistas por telefone, com todos os riscos à fiabilidade dos dados. 

Nota positiva para o incansável exercício de mobilização que vimos ser feito por diversas personalidades, incluindo o Presidente da República, Filipe Nyusi, que aproveitou cada contacto com a população para falar da importância do censo e da necessidade de todos se envolverem no processo, tornando possível “contar Moçambique”.

Acreditamos que os cinco dias que faltam para o fim do recenseamento sejam melhor aproveitados pelas equipas que continuam a palmilhar terreno em busca de dados. Temos igualmente fé que as famílias que ainda não foram registadas e aquelas que fecharam as suas portas aos operativos abrirão, finalmente, as portas para este que consideramos ser um objectivo do Estado, uma tarefa de todos nós.

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14.09.2017   Banco de Moçambique

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