A NOTÍCIA sobre a suspensão da importação, pela Índia, do feijão-bóer caiu que nem uma bomba para todos quanto investiram na cadeia de valor deste produto, por terem acreditado que se estava perante uma grande oportunidade para ter algum rendimento.

Em Moçambique, a interrupção poderá afectar, directamente, operadores de sete províncias do Norte e Centro, nomeadamente Nampula, Cabo Delgado, Niassa, Zambézia, Sofala, Manica e Tete, que dizem ter sido colhidos de surpresa, porquanto a compra da leguminosa estava a ganhar um ritmo acelerado para garantir o cumprimento da meta de 200 mil toneladas.

A decisão foi divulgada recentemente pela “Gazete of India”, publicado em Nova Deli. Segundo esta publicação, a medida está inserida no âmbito da mudança de procedimentos para a importação de leguminosas, em particular do feijão-bóer em grão ou processado, e a necessidade de atribuir quotas aos países produtores.

No caso de Moçambique, as exportações de feijão-bóer são feitas ao abrigo de um memorando com o Governo indiano, datado de Agosto do ano passado. Nestes termos não era de se esperar que o país estivesse abrangido pela medida, mas a realidade reportada pelos operadores económicos posicionados nas sete províncias mostra que ninguém está disposto a comprar esta leguminosa.

Esta suspensão representa um grande “golpe” para os agricultores, comerciantes e empresas de processamento que, acreditamos, investiram muito dinheiro nesta cultura por haver garantias de mercado. E não é qualquer mercado, a Índia é o maior consumidor mundial de feijão, superando o Brasil, China e Estados Unidos da América.

É um cenário que coloca os produtores moçambicanos numa situação do tipo “seduzidos e abandonados”, se se considerar que abdicaram de outras culturas alimentares e de rendimento para dedicarem todas as suas energias num feijão-bóer que pode acabar por se deteriorar nas suas mãos por falta de clientes.

Se é verdade que o mercado internacional é sempre uma oportunidade a não perder, pelas vantagens que representa para a economia dos produtores e do país, nomeadamente a possibilidade de colocar grandes quantidades de bens e a preços aliciantes, também não é menos verdade que precisamos de orientar a nossa produção, primeiro, para nós próprios e, depois, para a exportação.

Temos que olhar para o nosso mercado para descobrir as suas necessidades e orientarmos a produção em função disso, o que passará, naturalmente, por um grande investimento no agro-processamento.

Ainda que se considere uma saída muito rentável, a exportação não deve ser vista como única prioridade da produção nacional, sob pena de estarmos sistematicamente a aumentar a exposição da economia às vicissitudes do mercado externo.

No caso em discussão, o problema fica mais delicado ainda pelo facto de à população ter-lhe sido “imposta” uma cultura que não faz parte da dieta de muitos moçambicanos, porque se fosse o caso nem haveria tanto motivo para lamentações, uma vez que o feijão-bóer seria muito bem vendido no mercado interno para consumo directo ou como matéria-prima.

Quanto a nós, deste imbróglio ficam grandes ensinamentos para Moçambique. O primeiro é que temos que ser nós a decidir, em primeira instância, o quê e quando produzir, o que implicará uma aturada ginástica de planificação e avaliação do mercado interno, olhando para a exportação como alternativa. A segunda ilação é que teria sido prudente da nossa parte, identificar mercados alternativos para a colocação do produto, ao mesmo tempo que se mobilizava a população para empenhar-se no cultivo desta leguminosa.

Na verdade, é nosso desejo que a informação sobre a suspensão da entrada de feijão-bóer no mercado indiano não passe de mal-entendido. Por isso, chamamos atenção para a melhoria da circulação de informação, para evitar que problemas de interpretação de directivas produzam efeitos perversos, como está a acontecer nas províncias moçambicanas, acabando por desmoralizar os camponeses que viam nesta cultura uma saída para o aumento da sua renda. 

 

 

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14.09.2017   Banco de Moçambique

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