A CAMPANHA eleitoral, lançada esta semana para a intercalar de 24 de Janeiro próximo na cidade de Nampula, deve ser bem aproveitada, enquanto oportunidade para uma avaliação do que fomos aprendendo na nossa já longa trajectória como país democrático. Importante e oportuno, para já, é avaliarmos o nível da participação política dos cidadãos em processos eleitorais.

O 2018 é um ano eleitoral por excelência pois, depois da intercalar de Nampula, teremos, em Outubro, as eleições autárquicas, as quintas da história da autarcização em Moçambique. Acto contínuo, no próximo ano teremos as eleições gerais e provinciais, marcando mais uma etapa do percurso da democracia multipartidária.

Com estes dados à mesa, temos motivos para desejar que a eleição intercalar de 24 deste mês em Nampula funcione como uma espécie de antecâmara dos processos que se seguirão. Precisamos de aprender novas lições que nos permitam partir para os processos que vêm com uma melhor preparação.

Por estes dias, o município de Nampula está ao rubro com a campanha eleitoral. A nossa expectativa é que o entusiasmo com que os candidatos e seus apoiantes se lançaram à campanha seja premiado por uma massiva participação dos cidadãos no acto de votação. Porém, é preciso assumir que uma participação em massa na votação não depende apenas da simples vontade do cidadão de exercer o seu direito de eleger. Há condicionantes importantes como, por exemplo, a lucidez, desenvoltura e clareza com que os candidatos fazem passar a sua mensagem aos eleitores, transmitindo-lhes confiança e dando-lhes motivos para acreditarem que vale a pena votar em determinado concorrente.

Para que isso aconteça, é responsabilidade dos candidatos fazer um TPC antes de saírem à rua, seleccionar criteriosamente as mensagens que tencionam partilhar com os eleitores; analisar a maneira como abordam os problemas reais que as comunidades enfrentam no dia-a-dia, sem entrar em promessas desmedidas, que só concorrem para desacreditar o processo.

Fazer campanha eleitoral é mais do que fazer promessas. É passar mensagens de cidadania, transmitir valores. É interessar os cidadãos pelo seu próprio futuro. O país precisa de vencer o fantasma das abstenções,pois elas são, em última análise, o indicador mais claro do nível de confiança dos cidadãos para com nos processos eleitorais.

Os partidos e candidatos precisam ganhar consciência desta realidade e trabalhar não apenas para angariar votos, mas também para elevar a consciência de cidadania dos homens e mulheres que dão corpo às marchas, comícios e shows que se organizam em momentos de campanha. Mais do que investir nas camisetas, bonés, capulanas e em toda aquela habitual alegoria em tempo de “caça ao voto”, está na hora de colocar peso na qualidade do discurso político, da mensagem do candidato, que precisa deixar de ser um mero exercício de promessas.

Para os jovens, por exemplo, entender o que pode estar em jogo numa eleição como a intercalar de Nampula pode não constituir prioridade. É preciso arte para atrair estes jovens e fazer com que não escolham ficar em casa no dia da votação; fazer-lhes acreditar que participar de uma eleição vale sempre a pena, porque pode ser a solução que procuram para ter uma boa educação; emprego, para constituir família e desenvolver uma identidade ideológica sólida. Conseguir isso exige trabalho, investimento, conhecimento e inovação.

Nalguns países os candidatos já fazem contactos directos com os eleitores usando as facilidades trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), desde o telefone, com o serviço de mensagens curtas (SMS), às várias plataformas das redes sociais. Pode ser que ainda não estejamos preparados para explorar estas facilidades, mas precisamos desafiar, acreditar na nossa capacidade de organizar melhor os processos e coloca-los à altura da nossa ambição de crescimento democrático.

Entramos hoje para o quarto dia da campanha, mas temos outros nove pela frente, tempo que julgamos suficiente para nos deixar lições que nos ajudarão a encarar Outubro com outras habilidades e novas convicções.

Precisamos assegurar complementaridade entre as várias acções de educação cívica levadas a cabo pelos órgãos eleitorais e as actividades de campanha desencadeadas pelos partidos políticos e seus candidatos, o que certamente pode contribuir para a redução das abstenções que, ao fim do dia, são um revés à democracia participativa.

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25.01.2018   Banco de Moçambique

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