Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

MORADORES do bairro Chihango, na cidade de Maputo, decidiram, na manhã desta terça-feira, barricar a Estrada Circular de Maputo, num alegado protesto contra a condução perigosa e irresponsável naquela rodovia.

O mote para aquela jornada foi o atropelamento mortal, dias antes, de uma criança quando tentava atravessar a estrada em direcção à Escola Primária Completa de Chihango, onde estudava.

Mais do que protestar contra o comportamento irresponsável de alguns automobilistas utentes da estrada circular, aqueles moradores exigiam a montagem de pontes para a travessia de peões, mormente as crianças que, diariamente, têm naquela movimentada via caminho para a escola.

Solidarizamo-nos com a preocupação daqueles moradores e até teríamos motivos bastantes para concordar com a reivindicação pública da solução, não fosse o jeito inconveniente, e até impróprio que, rapidamente, aquele protesto assumiu, com barricadas na estrada, impedindo literalmente, e durante várias horas, o movimento de viaturas em ambos sentidos. 

Ora, as estradas são infra-estruturas essenciais para o desenvolvimento de qualquer país. Elas permitem o acesso rápido e barato de pessoas e mercadorias aos mais diversos pontos de um país. Num país em crescimento como o nosso, elas são de uma utilidade indiscutível por constituírem o principal canal por onde, na verdade, flui a economia.

A estrada circular de Maputo responde plenamente a estas qualidades pois, apesar do seu relativo pouco tempo de uso, já se impôs como uma rota alternativa para milhares de pessoas que têm na cidade de Maputo o principal eixo dos seus negócios. São às centenas as viaturas de transporte de pessoas e bens que cruzam diariamente aquela via, fazendo jus ao pulsar saudável da economia deste país.

É pensando em tudo isso que consideramos que foi infeliz, inconveniente e até lamentável o método usado pelos moradores de Chihango para reivindicar um direito que é de todos nós, adultos e crianças, o de circular livremente e em segurança pelas estradas do país.

Na verdade, a preocupação com os acidentes de viação não é exclusiva dos moradores de Chihango, ou daqueles da Matola que, recentemente, e com idêntico mote, obstruíram a EN4 exigindo a instalação de pontes para a travessia de peões.

Infelizmente são muitos os acidentes de viação que ocorrem, diariamente, nas nossas estradas, na sua maioria causados pelo mau comportamento de alguns condutores. Esta é, de facto, uma preocupação de todos, razão porque é de todos a responsabilidade de contribuir para a solução do problema.

É de condenar, pois, a opção daqueles concidadãos que, na busca de solução para um problema, acabaram alimentando o surgimento de outro. Em nossa opinião, o boicote ao trânsito não vai, em nenhum momento, conduzir ao fim do sangue nas nossas estradas, mas vai, seguramente, impedir que pessoas e mercadorias circulem e a economia funcione normalmente.

Boicotando o trânsito como aconteceu na última terça-feira no Chihango, agimos contra o nosso objectivo colectivo, porque impedimos que outras crianças tenham caminho para a escola; que o médico e o enfermeiro cheguem a tempo de salvar uma vida no hospital, que o professor não se atrase na sala de aula onde os alunos o aguardam.

Ainda assim, defendemos que a situação não se deve manter como está, com os automobilistas a exibirem a sua arrogância nas estradas e a semear luto com a sua irresponsabilidade. Defendemos penalizações severas a estes prevaricadores. A exemplo de outras realidades, o automobilista deve estar ciente de que, ao passar com sinal no vermelho; ao exceder os limites de velocidade ou conduzir em estado de embriaguez ou atropelar um peão sobre a passadeira, arrisca-se a enfrentar penas severas, com multas pesadas que deverão reverter ao Estado, que usará estes fundos para estimular os seus agentes a realizarem um trabalho digno, rigoroso e responsável.

Está claro que não vamos resolver o problema da indisciplina dos condutores barricando as estradas ou desafiando a autoridade da Polícia como vimos acontecer no Chihango.

Somos todos parte desta luta, e apesar de estarmos numa sociedade cada vez mais pluralista, não devemos perder de vista a necessidade de, como nação, termos sentido de bem comum.

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