O ANO que já corre no seu quarto dia promete ser exigente, mas também pode ser a oportunidade que Moçambique precisa para reorganizar a sua agenda de consolidação da paz e democracia, de combate à pobreza e redução das desigualdades, do aumento do emprego e construção da felicidade para os seus cidadãos.

Este ano, o país vai acolher as quintas eleições gerais e multipartidárias e, pela primeira vez, além de elegerem o Presidente da República, os deputados da Assembleia da República e os membros das Assembleias Provinciais, os moçambicanos irão também eleger os governadores provinciais, numa experiência nova que deriva da recente aprovação do pacote sobre descentralização.

De facto, este será um teste à maturidade dos órgãos eleitorais, à organização e disciplina dos partidos políticos e à responsabilidade dos cidadãos eleitores.

Aprovado que foi o calendário eleitoral, é hora de os órgãos eleitorais prepararem todo o expediente técnico e burocrático, como forma de viabilizar cada etapa do processo. E pensamos que está na hora de agir nesse sentido, de modo a reduzir para o mínimo, ou até eliminar argumentos que possam, à posterior, fundamentar falácias que ponham em causa a seriedade e legitimidade da sua actuação.

Entendemos que a educação cívica eleitoral é uma das tarefas que estes órgãos deviam tomar a peito a partir de já, assumindo que há uma franja de jovens que deverá atingir a idade eleitoral este ano e que precisa ser educada sobre a importância da sua participação neste tipo de processos.

Pensamos neste grupo etário com particular preocupação, pelo elevado grau de exposição a uma comunicação agressiva e por vezes despudorada que se faz nas redes sociais que, não raras vezes, concorre para o desencorajamento à participação política dos cidadãos.

Os órgãos eleitorais devem conceber estratégias adequadas de educação cívica orientadas, sobretudo, para jovens. Essa seria, em nossa opinião, uma valiosa contribuição no sentido de se remar contra o fenómeno da abstenção que, a cada ciclo, tende a afastar cada vez mais gente das assembleias de voto.

Do ponto de vista económico, temos a percepção de que 2019 será mais um ano para o país provar que pode avançar com os seus próprios pés, reduzindo ainda mais o nível de exposição e dependência externa, particularmente no financiamento do seu Orçamento. De facto, esta é uma prova que vem sendo dada desde que os parceiros de cooperação decidiram suspender o seu apoio há cerca de três anos.

Outro desafio para este ano é a consolidação do combate à corrupção, fenómeno que mais do que fragilizar a economia, descredibiliza o país junto da comunidade internacional.

Os nossos gestores precisam melhorar a forma como lidam com a coisa pública. Esperamos que em 2019 o Estado ganhe mais protagonismo no combate à corrupção, mas também sonhamos em ver a sociedade civil a ter um papel mais construtivo nesta causa que é de todos moçambicanos, e não apenas um assunto do Governo. 

O nosso entendimento é que quem deve alimentar a luta contra a corrupção são os próprios moçambicanos, assumindo uma postura que vá para além da caricaturização da acção do Governo, sem propor soluções que sejam concretas para tapar os buracos que levam ao alastramento da corrupção até lugares como hospitais, creches e escolas primárias.

A classe empresarial precisa ter uma postura mais proactiva, enquanto motor da economia nacional. O país precisa de uma classe empresarial que não se limita a investir no sector de bens e serviços. É preciso acreditar e apostar na criação de uma base industrial, para que Moçambique não continue a importar chinelos, manteiga, iogurte, queijo, sumos e muitos outros produtos para os quais até possui um imenso manancial de matéria-prima.

Em 2018, testemunhámos o empenho e galhardia com que o Presidente da República investiu na diplomacia económica, palmilhando o mundo em busca de parcerias para viabilizar projectos de desenvolvimento para o país. 

A nossa expectativa é que este ano continuem a brotar resultados dessa frente de luta, tirando proveito do ambiente de paz e estabilidade que é, igualmente, resultado da força de vontade e compromisso do Chefe do Estado, que tem apostado no diálogo para aproximar posições com a oposição, particularmente a Renamo, que até há pouco tinha na força das armas a sua primeira e única opção.

Todos temos uma palavra a dizer e uma missão a cumprir em 2019. Que cada um vista o seu “fato-macaco” para fazer as coisas acontecer.

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