O PRESIDENTE Barack Obama não decepcionou. Como um dos mais talentosos oradores que já lideraram os Estados Unidos, as expectativas eram altas para o seu discurso de despedida na madrugada de ontem (hora de Maputo).

Os seus apoiantes ainda estão doridos e confusos com a perda inesperada dos democratas na eleição presidencial e estão voltados sobre o caminho a seguir.

Poderiam estar ainda optimistas sobre o futuro, mas o homem que se tornará Presidente na próxima semana prometeu desfazer a maioria das conquistas mais orgulhosas de Obama.

“Sim, vocês podem”, disse o Presidente aos cerca de 20 mil apoiantes num discurso  de cerca de 54 minutos no McCormick Place, um centro de convenções na parte sul de Chicago.

“Nós continuamos a ser a nação mais rica, mais poderosa e mais respeitada do mundo”, disse Obama. “A nossa juventude, o nosso impulso, a nossa diversidade e abertura, a nossa capacidade ilimitada de arriscar e reinvenção significa que o futuro deve ser nosso”, acrescentou

Ele reconheceu que o progresso às vezes é lento e que dois passos são seguidos por um passo atrás. Mas ele destacou o progresso feito durante a sua presidência, como a reversão de uma grande recessão, a reiniciação da indústria automobilística e o desencadeamento do mais longo período ininterrupto de criação de emprego na história da América e recordou ao público os avanços que pareciam improváveis há oito anos. Se ele tivesse dito aos seus apoiantes que o casamento seria para todos, ou os Estados Unidos se abririam para Cuba e 20 milhões de norte-americanos não segurados receberiam seguro de saúde, eles poderiam ter dito que as suas visões estavam um pouco altas.

No entanto, o discurso do Presidente cessante foi mais do que uma palestra ou uma avaliação dos marcos dos seus oito anos no poder.

“O potencial da América só será realizado se a sua democracia funcionar e se a sua política reflectir a decência do seu povo. Ao longo da história houve momentos em que o sentido básico de solidariedade que é necessário para a democracia foi desafiado”, disse ele, acrescentando que o início deste século foi um daqueles momentos em que um mundo encolhido, a crescente desigualdade, a mudança demográfica e o espectro do terrorismo testaram essa democracia.

O público escutou em êxtase e apenas interrompeu Obama com grandes aplausos (com a excepção de um manifestante que queria que o Presidente perdoasse a todos e foi prontamente mandado calar por aqueles que estavam ao seu redor).

RACISMO E IMIGRANTES

Obama disse no seu discurso que apesar das mudanças nas relações raciais nos últimos 20, 30 anos, por exemplo, ainda há muito que melhorar. “Permanece uma força muitas vezes divisiva na nossa sociedade. Não estamos onde deveríamos estar, ainda temos trabalho a fazer”. 

O Presidente também citou a questão dos imigrantes que chegam aos Estados Unidos, dizendo que eles amam o país tanto quanto os americanos. “Se não estivermos dispostos a investir nos filhos de imigrantes diminuímos os prospectos de nossos próprios filhos”. Além disso, criticou o facto de muitas pessoas não se permitirem conviver com outras que estejam fora da “bolha”e que muito se reforça as relações entre pessoas que “parecem connosco e que nunca desafiam as nossas pressuposições”. 

MICHELLE, FILHAS, VICE-PR E EQUIPA 

Obama emocionou-se  ao citar a esposa, Michelle Obama, já na etapa final do seu discurso, e agradeceu por ter recebido grande ajuda da sua companheira durante os oito anos que ficou no poder. “Você assumiu um papel que não pediu e o abraçou com graça, garra, estilo e bom humor. Você tornou a Casa Branca um lugar que pertence a todos, deixou-meorgulhoso e o país também”, elogiou.  O presidente também falou das filhas Malia e Sasha: “Tenho orgulho de ser o vosso  pai.” 

O democrata fez um agradecimento especial ao vice-Presidente, Joe Biden, a quem definiu como um irmão. “Você foi a minha primeira escolha como candidato e a melhor. Amamos você como família”.  E também agradeceu pelo apoio e trabalho prestado pela sua equipe ao longo dos oito anos. 

No final do discurso, Obama citou o slogan da sua campanha de 2008: “Sim, nós podemos. E nós fizemos”.

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