UMA delegação de bispos católicos da República Democrática do Congo (RDCongo) visitou os campos que acolhem mais de 30 mil refugiados deste país em território angolano, para constar as dificuldades que enfrentam, noticiou hoje a imprensa local.

Durante três dias, bispos católicos das dioceses de Kisantu, Lwaiza e Luebo visitaram os refugiados instalados nos campos de Mussungue e Cacanda, na cidade do Dundo, capital da província angolana da Lunda Norte, região onde milhares de cidadãos congoleses procuram segurança desde finais de Março, devido a conflitos étnicos e políticos registados nas suas zonas de origem.

Segundo o presidente nacional da Comissão de Justiça e Paz, organismo da igreja católica criado para a promoção da justiça social e paz, Fidel Nsielele Zi Mputo, a deslocação ao Dundo visou igualmente levar uma mensagem de afecto e conforto aos seus compatriotas.

"Ao nível do país (RDCongo), a igreja está a trabalhar com as autoridades e população, no sentido de sensibilizar o entendimento mútuo, visto que tal situação não beneficia ninguém", disse Fidel Mputo, citado pela agência noticiosa angolana, Angop.

O também dispo da diocese de Kisantu, província do Kongo Central, sublinhou que a igreja "nunca deverá cruzar os braços, mas trabalhar para reconciliar, animar e ajudar o povo".

Por sua vez, o dispo da diocese de Lwiza, Felicien Mwanama Galumbululua, da província do Kassai Central, zona de onde é originária a maioria dos refugiados que se encontra em Angola, agradeceu o apoio das autoridades angolanas e parceiros, no acolhimento aos seus compatriotas.

Já o bispo da diocese de Luebo, no Kassai, Pierre Celesten Tshitoko, realçou a importância da paz, apontando a necessidade de se garantir a segurança nas fronteiras entre os dois países vizinhos.

A Comissão diocesana da Caritas de Angola realizou uma campanha de angariação de donativos para os mais de 30 mil refugiados congoleses em Angola, que resultou na receção de 70 toneladas de bens diversos, numa contribuição das dioceses do Uíge, Menongue, Malange, Luanda, Viana e do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA).

Na quinta-feira, as autoridades de Angola, da RDCongo e da África do Sul reuniram-se, em Luanda, tendo decidido a realização, para breve, de uma reunião para analisar se existem já condições para o regresso dos mais de 31.000 refugiados congoleses.

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