Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

Equipas de salvamento e voluntários procuram sobreviventes nos escombros dos edifícios de apartamentos e escolas que ruíram durante a noite de terça-feira, no mais mortal sismo ocorrido no México desde 1985 e que provocou pelo menos 248 mortos.

Adicionando um toque amargo e surreal, o terramoto de terça-feira, de magnitude 7.1,  que ocorreu no 32.º aniversário do sismo que matou milhares de pessoas e chegou apenas duas horas depois dos simulacros de abalos realizados em todo o México para assinalar a data.

Um dos esforços de resgate mais desesperados foi numa escola primária e secundária no sul da Cidade do México, onde uma ala do edifício de três andares colapsou. Os jornalistas ainda viram os socorristas a tirar alguns pequenos corpos dos escombros.

O Departamento de Educação Federal revelou no final da noite de terça-feira que 25 corpos foram retirados dos destroços da escola. Não ficou claro se as mortes foram incluídas no número total de 248 mortos relatados pela agência federal de defesa civil.

Durante uma visita ao local, no início da noite, o Presidente Enrique Peña Nieto disse que 22 corpos tinham sido retirados e as autoridades falaram de 30 crianças e oito adultos desaparecidos.

Uma mistura de voluntários do bairro, policiais e bombeiros usavam cachorros treinados e as mãos nuas para procurar pessoas de entre os escombros da escola. Uma multidão de pais ansiosos aguardava fora dos portões e houve relatos de que pelo menos duas famílias receberam mensagens de Whatsapp de meninas presas no interior, mas tal não foi confirmado.

O esforço de resgate continuou durante a noite, com o trabalho pontuado por gritos de "silêncio", para que as equipas pudessem escutar quaisquer pedidos de ajuda.

“Eles ouviram vozes ali”, disse Peña Nieto.

Os socorristas tiveram que reforçar as lajes de cimento caídas com vigas de madeira para que não caíssem mais e acabassem com os pequenos espaços de ar que restavam.

Numa mensagem de vídeo divulgada no final do dia de terça-feira, Peña Nieto pediu à população para permanecer calma, acrescentando que as autoridades estavam a fazer tudo para disponibilizar ajuda a todos, pois 40% da Cidade do México e 60% do estado próximo de Morelos estavam sem energia.

Mas, disse, “a prioridade agora é continuar a resgatar pessoas presas nos escombros e prestar ajuda médica aos feridos”.

As pessoas na zona central do México já se reuniram para ajudar os vizinhos, pois dezenas de edifícios caíram e se transformaram em montes de escombros.

A agência nacional de defesa civil informou no início do dia de hoje que o número de mortos confirmados havia subido para 248, mais da metade na capital.

O epicentro do sismo, que ocorreu na terça-feira, às 13:14 (20:14 em Maputo), foi registado na fronteira do estado de Puebla e Morelos (centro), a 51 quilómetros de profundidade, segundo o centro geológico norte-americano USGS.

O terramoto ocorreu depois de na semana passada (07 de Setembro) um sismo de magnitude 8,2 – o mais forte desde 1932 –, ter causado 98 mortos no sul do país.

 

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