Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

AS organizações Human Rights Watch (HRW) e Trial International acusaram ontem o ex-Presidente da Gâmbia Yahya Jammeh da morte de mais de 50 imigrantes oriundos de países da África Ocidental, maioritariamente do Gana e Nigéria.

Num comunicado conjunto, a HRW e a Trial denunciam os factos registados em Julho de 2005 e perpetrados por uma unidade paramilitar controlada pelo então Presidente gambiano (1994-2017), actualmente refugiado na Guiné Equatorial.

As duas organizações baseiam as acusações em entrevistas a mais de três dezenas de funcionários gambianos, 11 deles directamente implicados no incidente, e a um sobrevivente, no quadro de uma investigação do caso.

Os imigrantes – 44 ganeses e vários nigerianos, senegaleses, costa-marfinenses e togoleses – foram detidos numa praia de Banjul, a capital, quando tentavam chegar à Europa.

Os detidos, em número superior à meia centena, foram considerados suspeitos de serem mercenários, que tinham por missão derrubar o regime de Jammeh.

“Os imigrantes da África Ocidental não foram assassinados por pessoas de forma isolada, mas por um esquadrão da morte paramilitar que recebia ordens directamente do Presidente Jammeh”, afirmou, no comunicado, o assessor legal da HRW, Reed Brody.

Um relatório da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e das Nações Unidas concluiu em 2009 que as mortes e desaparecimentos foram realizados por membros corruptos das forças de segurança gambianas, embora sem provas credíveis de que receberiam ordens superiores, realça-se no comunicado conjunto da HRW e da Trial.

“As novas provas, porém, deixam claro que esses responsáveis foram os ‘Junglers’ [a unidade paramilitar de Jammeh]”, lê-se no comunicado das duas organizações não-governamentais de defesa e promoção dos Direitos Humanos.

A HRW e a Trial, bem como várias organizações de direitos humanos do Gana, pediram ao novo Governo gambiano, liderado pelo Presidente Adama Barrow, que investigue as novas provas, de forma que o processo permita extraditar Jammeh para Acra, onde, defendem, deve ser julgado. -LUSA

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