AINDA era moço. Mocinho imberbe e a exalar a frescura estudantil de quem um dia sonhara ser contabilista. A Escola Comercial de Maputo era o meu destino diário, ido do Bairro do Aeroporto, vulgo Tlhavana, onde nasci, cresci e que ainda hoje guardo gratas recordações da minha meninice.

No Comércio, e nos tempos áureos da revolução, os nossos intervalos, eu e os meus colegas, não eram exactamente ocupados pelas reminiscências das aulas de contabilidade ou de noções de Comércio. Colectivamente, e como jovens apaixonados pelas ideologias marxistas, os nossos comentários giravam em torno de Samora Machel, Julius Nyerere, Fidel Castro, Agostinho Neto e outros dirigentes progressistas de então. E as nossas fontes, fontes de inspiração do nosso entusiasmo juvenil, não podiam ser outras: Jornal Notícias, Revista Tempo e Rádio Moçambique.

Éramos verdadeiros fãs da Comunicação Social. Conhecíamos de cor e salteado quase todos os jornalistas. Longe de imaginar que esses jornalistas que idolatrávamos um dia partilharíamos com eles o mesmo espaço: a Redacção!

A Redacção do Notícias, era a Redacção do Notícias!

Impenetrável e onde se achava, à semelhança da Tempo, a verdadeira nata do jornalismo moçambicano. Era, estabelecendo desportivamente um paralelismo com os tempos que correm, um autêntico Barcelona, onde cintilam as maiores estrelas planetárias do futebol.

Era, a Redacção do Notícias, uma extraordinária escola de jornalismo e, acima de tudo, de disciplina, do rigor e do amor ao trabalho. Ou melhor, amor ao jornalismo, porque, de facto, jornalismo faz-se por amor.

Em Agosto de 1981, já com a ideia de ser contabilista absolutamente posta de lado e o sonho de trabalhar no banco vencido pelo jornalismo, entro pela primeira vez na Redacção do Notícias. Entusiasmado por poder conhecer os meus ídolos do jornalismo, mas também trémulo, porque aquele ambiente era tão fascinante quanto assustador. Mas, estar ali, com os gurus do jornalismo moçambicano como Mia Couto, Mário Ferro, Pedro Tivane, Abel Faife, Miguéis Lopes Júnior, Calane da Silva, Willy Waddington, Benjamim Faduco, Elias Cossa, António Souto, Bernardo Mavanga, José Pinto Sá, Rogério Sitoe, Célio Mouco, Leandro Paul, Albano Naroromele, Ângelo Oliveira, Albuquerque Freire, Jorge Matine, Renato Caldeira, Carlos Alberto, Carlos Calado, Amadeu Marrengula, Luís Souto, Isidro Pascoal, Azarias Inguane e António Marmelo, era um regalo!

Foi a concretização de um sonho que marcou profundamente a minha vida.

Uma vida que conhece a sua viragem quando o Notícias, apesar de toda a sua plêiade de jornalistas, decide abrir um concurso para a admissão de novos repórteres. É que, mesmo com esta nomenclatura de luxo, a Redacção ressentia-se da falta de quadros. Afinal, estávamos há apenas seis anos após a independência nacional e muitos jornalistas portugueses haviam abandonado o país.

Ao concurso compareceram cerca de 400 candidatos. Esses jovens não estavam exactamente à busca do simples emprego, porque jornalismo é mais do que emprego – é amor, é paixão, é enamorar-se com a profissão e é vivê-la em toda a sua plenitude. Estavam à procura de uma realização diferente de todas, porque o jornalismo é diferente de tudo e de todas as profissões.

A divulgação dos resultados – era a primeira vez que via o meu nome no jornal – foi um momento histórico. Dos cerca de 400 candidatos que compareceram ao concurso, cujas provas realizaram-se nas instalações do Totobola, eu figurava entre os aprovados. Entre os 11 aprovados! A maior parte de nós acabadinhos de sair dos bancos da escola. Temerosos, entrámos na Redacção do Notícias. Da lista, faziam parte Alexandre Zandamela, Felisberto Matusse, Boavida Funjua, Marcelino Silva, Afonso Zitha, Orlando Baúle, Fausto Henriques, Elvino Fevereiro Júnior, António Sitoe, António Cuna, Hilário Cossa, Dias Ferreira Cossa, Bonifácio Manjate, Noé Dimande e os repórteres-fotográficos César Bila, Adriano Murato, Américo Miliço e Carlos Abreu.

OS PRIMEIROS PASSOS

Do receio, entre os pesos-pesados do jornalismo moçambicano, num ápice uma realidade nova se abriu à minha pessoa: ser jornalista! Porque, de facto, nesta escola verdadeiramente prática de jornalismo, o quotidiano, rigoroso, mas acima de tudo compensador, o “ABC” diário transmitido zelosamente pelos colegas mais velhos repartia-se com a realidade no terreno, o chamado “ir à rua”, à busca da notícia, base dos jornais diários, e da pequena reportagem.

Conheci e travei amizade, quase familiar, com grande parte dos principais quadros da nossa polícia, na década de oitenta. Tinha na corporação fontes seguras que alimentavam a minha agenda quotidiana, daí que, na Redacção, quando se tratasse de assuntos relacionados com a polícia e a criminalidade, o chefe só dizia: “Macaringue, como é?”.

Numa escola pedagogicamente referência como era a Redacção do Notícias, a possibilidade de singrar era maior, mas também se ficava pelo caminho, pois o nível de exigência era enorme. Ainda a “gatinhar”, já tínhamos que saber nos desenrascar, isto é, trazer a notícia do dia, directa, factual e sem ambiguidades, sob pena de a mesma ir cair na chamada “sexta secção” (o caixote de lixo). Assim, era imprescindível criar uma base muito forte de fontes de informação em diversas áreas de actividade. Tive colegas que, na verdade, acabaram optando por outras profissões, dada a pressão do trabalho e as exigências no Notícias. Afinal, esta profissão para exercê-la na sua plenitude é preciso, às vezes, ter mesmo a disposição de morrer muito cedo!

Porque realmente o jornalismo era e continua a ser minha paixão, fiz dos desafios e dos obstáculos que enfrentei oportunidades para singrar na profissão. E venci!

MOMENTOS MARCANTES

Produto da minha disponibilidade para o trabalho, a minha ascensão não passou despercebida às chefias de então. Da pequena notícia do dia-a-dia, passei a merecer confiança para grandes trabalhos de reportagem, que para mim foram, indubitavelmente, os momentos mais marcantes da minha carreira.

Cito alguns: ataques dos bandidos armados em várias zonas da província do Maputo, entre 1983 e 1984, com imagens horrorosas da carnificina humana; cobertura da assinatura do Acordo de Nkomati, em 1983; cobertura do 4º Congresso do Partido Frelimo, em 1984; celebrações do 10º aniversário da independência nacional, na província de Tete, em 1985; cerimónias fúnebres do Presidente Samora Machel, em 1986; atentado bombista contra o activista e académico sul-africano, Albie Sachs, então exilado em Maputo; explosão do carro-bomba nas proximidades dos TPM; incêndio na fábrica Parmalat, na Matola; viagens para dentro do país e para o estrangeiro com os Presidentes Joaquim Chissano e Armando Guebuza; Cimeiras da CPLP no Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal e S. Tomé e Príncipe; greve dos estudantes moçambicanos em Cuba e na ex-União Soviética.

Mas, não foram apenas as coberturas que marcaram a minha carreira no Notícias. Entrevistas com personalidades nacionais e estrangeiras também fazem parte deste percurso de mais de 30 anos de jornalismo nesta casa, que é tão minha e adorada quanto a minha esposa e os meus filhos. Entrevistei individualidades nacionais e estrangeiras cuja vida vai desde a política passando pelo desporto até a cultura.

AS “JEANS” QUE SAMORA NÃO PODIA VER

As calças “jeans” sempre foram a minha marca de eleição na vestimenta. Uma marca de um jovem repórter irreverente que se sentia à vontade em traje desportivo, mesmo em cerimónias oficiais, ainda que isso representasse uma afronta às rígidas normas protocolares. Só que, no dia 7 de Abril de 1986 na Praça dos Heróis, esse jovem irreverente de “jeans” seria surpreendido por alguém que nunca imaginara que alguma vez o enfrentaria cara-a-cara: o carismático Presidente Samora Machel!

Tratava-se da habitual cerimónia de deposição de flores na Praça dos Heróis, por ocasião do 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana. Na agenda inicial, não estava previsto que fosse o Presidente da República a dirigir a cerimónia, mas sim a Secretária-Geral da Organização da Mulher Moçambicana, na altura, Salomé Moiane. Porém, porque o acto coincidia com as cerimónias fúnebres da combatente Maria Chipande, esposa de Alberto Chipande, Ministro da Defesa, na época, houve necessidade de a cúpula da OMM, incluindo a Primeira-Dama, Graça Machel, se dirigirem a Cabo Delgado, a fim de acompanhar aquele momento triste e confortar a família enlutada.

Porque na altura vivia no Bairro do Aeroporto, o Chefe da Redacção, Mário Ferro, instruiu-me, na véspera, a ir cobrir o evento.

Posicionados para cobrir a cerimónia, já prestes a iniciar-se, fomos surpreendentemente colhidos pelo som das sirenes do cortejo presidencial. Incrédulos, entreolhámo-nos, mas estava claro que se tratava do próprio Presidente Samora Machel que iria dirigir a cerimónia.

Com aquelas minhas “jeans” e camisete a reclamar sabão há meses, não ousaria aproximar-me ao Presidente Samora, bem conhecido entre nós, jornalistas, pelo seu gosto e rigor no aprumo, particularmente na indumentária, qualidades que ele apreciava e exigia dos seus acompanhantes e colaboradores mais directos.

Foi então que Mário Machungo, Primeiro-Ministro, responde ao Presidente, dizendo que jornalistas aqui estão, apontando para a minha colega Delfina Mugabe, novinha, franzina e ainda a iniciar-se no jornalismo. Mas o Presidente, como era sua característica, tinha uma contra-resposta na ponta da língua. Virou-se para Machungo e desabafou: “Pois é, mandam-me crianças ainda a cheirarem leite! Tu, menina, serás capaz de interpretar o significado desta cerimónia? O que é que já apontaste no teu bloco”? E a Delfina, pela força do que significava o Presidente Samora Machel, não se conteve em lágrimas, tendo em seguida recebido o conforto amigável do Primeiro-Ministro.

E nós os outros, afinal, onde estávamos? Cheios de medo, acompanhávamos a conversa por detrás da moldura humana com quem conversava o Presidente. E o nosso medo, particularmente eu, não era outro, senão o facto de poder ser confrontado pelo Chefe do Estado devido ao meu traje de “jeans” e camisete.

Mas porque o Presidente Samora tinha características incomuns, tudo acabou em beleza, sem no entanto nos dar uma aula sobre o significado da cerimónia, bem como as razões que levaram a ser ele próprio, o Presidente, a dirigir aquele acto. Mário Machungo, sensibilizado com o sucedido, confortou a minha colega, dizendo que contactaria o Chefe da Redacção para lhe dar conta dos factos. E, na verdade, foi o que aconteceu: ao chegarmos ao jornal, o Chefe da Redacção, Mário Ferro, já aqui se encontrava. Chamou-nos logo para o seu gabinete para ele também nos dar o seu alento, garantindo que tudo iria dar certo.

Uff, permanece até hoje inapagável no meu baú de recordações esta história de há 30 anos, quando, acreditem, vi-me obrigado a fugir do (meu) Presidente Samora…

A DESESPERADA ESPERA PELO CHEFE PEDRO TIVANE!

Foi um domingo triste e inesquecível para o Notícias. Na Redacção, estava um grupo de jovens repórteres à espera do chefe para fechar o jornal. Era o jornalista Pedro Tivane. Para além de mim, estavam Lourenço Jossias, Marcelino Silva, Fausto Henriques, Belarmino Chissano, Ernesto Zucule e Filipe Sueia. Como acontecia habitualmente, o recado que deixara tinha sido este: “depois de produzirem as peças, esperem por mim, chegarei ao fim do dia”.

Pedro Tivane, Chefe do Sector do Nacional, era uma pessoa humilde, afável e muito competente. Tinha um sentido de disciplina muito apurado e que foi, para nós, uma grande escola para a solidificação do nosso profissionalismo e sentido de responsabilidade. Aos domingos, invariavelmente, deslocava-se à sua terra natal, Incaia, distrito do Bilene, província de Gaza. Nesse domingo, também o fez, juntamente coma sua família, esposa e um filho menor, sem no entanto prever que aquele seria um dia fatídico. Que daquela viagem não mais voltaria.

De regresso a Maputo, mais precisamente em Maluana, então conhecido por “Beirute”, designação derivada dos ataques sistemáticos dos BAs , o nosso Chefe caiu numa emboscada dos bandidos armados. Decorria o ano de 1984 e a guerra de desestabilização atingia a província de Maputo, pela primeira vez. Chegado ao ponto da tragédia, e longe de imaginar que aqueles homens, com fardamento militar e que haviam bloqueado a estrada, revistando viaturas que por ali passavam, eram bandidos armados da Renamo, Pedro Tivane identificou-se como jornalista, pedindo primazia no atendimento, dado que tinha urgência de chegar o mais cedo à Redacção para fechar o jornal.

Esta revelação foi, afinal de contas, a razão da sua fatalidade! Os bandidos imediatamente dispensaram os outros viajantes, dizendo: “és tu mesmo que nós precisamos; és jornalista e és do Governo”. Sem dó nem piedade e com a crueldade que era apanágio dos bandidos, Tivane e sua família foram obrigados, com a força das armas a recolher impotentes para a sua viatura que seria incendiada em seguida. E nem sequer foi poupada a vida do inocente Pedrito, seu homónimo e último filho, bem como da dona Gracinda, sua esposa.

E assim, perdíamos o Pedro Tivane! O chefe atencioso, pedagogo e bastante trabalhador.

Descontraídos, mas também nervosos pela longa espera do Chefe, a informação sobre a fatídica ocorrência chegou-nos timidamente através do Director do jornal, Mia Couto, porém, ainda sem uma confirmação exacta. Ao Notícias, chegara um cidadão que havia presenciado a cena assassina de um jornalista e sua família e desconfiara que se tratava de um jornalista do Notícias. Caracterizando-o, Mia Couto presumiu que se tratava mesmo de Pedro Tivane.

Nesta homenagem a Pedro Tivane, outra grande figura do nosso jornalismo, em particular do Notícias, merece a minha vénia: Abel Faife! O mestre da reportagem! Com uma escrita singular, criativo e talhado para a grande reportagem, Abel Faife é outro ícone que marcou a minha carreira no Notícias. Os meus primeiros anos foram passados ao lado do Faife, bebendo da sua sabedoria, da sua extraordinária imaginação e do vibrar da reportagem. Sim, porque o Faife brincava e vibrava com a reportagem.

Ao fim do dia, quando Faife entrava na Redacção, o ambiente mudava por completo. No bom sentido. Tinha chegado o mestre da reportagem e sempre com histórias que só ele conseguia “sacar”. Antes de se sentar à máquina de escrever, toda a Redacção escutava-o atenciosamente, contando os episódios com uma eloquência de contagiar tudo e todos. Paralisava a Redação. E só terminava quando o Chefe António Souto apelava-o, dizendo: “ó Faife, despacha lá essa história que já vai tarde”.

Um cigarro e mais outro cigarro, o vibrar do teclado da máquina de escrever enunciava a inspiração de um prosador por excelência e que sabia relatar os acontecimentos detalhe por detalhe e com uma incomparável beleza linguística. Ao vê-lo naquele seu franzir da testa, já sabíamos que no dia seguinte teríamos no jornal uma reportagem vibrante, tal como ele próprio, o dono, vibrara ao nos contar ao vivo a história e com adjectivos hilariantes.

Era assim o Faife! O Abel Faife que, tal como o Chefe Tivane, também acabaria por morrer na EN1, em Inharrime, na sequência de um acidente de viação.

Neste capítulo de homenagens, este meu testemunho não ficaria completo se não fizesse aqui menção a outros colegas e profissionais que ao longo destes mais de 30 anos de carreira partilharam comigo o percurso e vivências nesta casa e que, por diversos motivos, já não fazem parte do mundo dos vivos. Por isso, a minha vénia, em particular, a Atanásio Dimas, Hilário Cossa, Felisberto Matusse, Azarias Inguane, Fausto Henriques, Bento Niquice, Baltazar Maninguane, Noé Dimande, Mariamo Adamo, Pedro Saraiva e Matias Mandlate.

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