Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

MIA Couto foi o convidado, em Lisboa, de um programa “Escritores no Palácio de Belém”, iniciativa do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve, aliás, no evento.

O escritor moçambicano esteve à conversa com alunos do 11.º ano da Escola Secundária de Castro Verde, com quem partilhou as suas histórias e a riqueza da língua portuguesa.

O encontro foi realizado no início deste mês e era o décimo, depois que a escritora portuguesa, nascida em Moçambique, Lídia Jorge, inaugurou este tipo de encontros a 16 de Janeiro e que decorrerão todas as terças-feiras do calendário lectivo até 12 de Junho de 2018, envolvendo alunos do ensino secundário.

O programa destina-se a proporcionar o encontro entre escritores de obras recomendadas pelo plano nacional de leitura português e alunos dos vários níveis de escolaridade.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha, assim, a importância das políticas de promoção da leitura, enquanto contributo fundamental para o estabelecimento da igualdade de oportunidades no sistema educativo.

Convidado para participar no programa, que durou cerca de hora e meia, a primeira coisa, que o escritor moçambicano fez, foi-se apresentar perante a plateia, não fosse o diabo tecê-las, dizendo que é moçambicano que não tem passaporte português e nunca irá votar em Portugal, mas que tem “uma relação de grande afecto e de regresso” com Portugal.

“Venho a Portugal como se houvesse um regresso antigo de uma parte de mim, que é anterior a mim, que volta”, descreveu o escritor, filho de Fernando Leite Couto, poeta, que veio a Moçambique nos anos 50 do século passado e depois foi viver para a Beira e cá ficou depois da independência, tendo sido, entre outras coisas, director da Escola de Jornalismo, em Maputo.

A questão da nacionalidade aqui evocada é muito importante, não por ser ele, Mia Couto, que não precisava sequer de reafirmá-la, mas para todos nós, que volta e meia, vendemo-la como se de uma peça de vestuário se tratasse. Vamos estudar fora ou vamos prestar qualquer serviço fora do país e ficamos por lá. Não voltamos e mudamos de nacionalidade, muitas vezes por dá cá aquela palha.

Aqui dentro, vendemos a nossa nacionalidade a outros por caminhos obscuros, oferecendo registos e cédulas falsas, como se eles tivessem nascido aqui e recebemos, por isso, alguns trocos no circuito da corrupção. Regozijamo-nos como se tivéssemos feito grandes coisas.

Não pesa em nós a condição de pertença a uma determinada nação com a qual nos identificamos, que é nossa. Não pesa em nós a nossa pátria. Não nos interessa a qualidade daquilo que é nacional, que é próprio da nação.

É que este aspecto, além de tudo, valoriza, de que maneira, a nossa cidadania e faz essa ligação jurídica e política ao Estado. A nacionalidade tem esse pendor de “sentimento nacional”, de povo que partilha a mesma origem, história, língua e tradições. Através da nacionalidade, os cidadãos nacionais se distinguem dos estrangeiros.

Neste caso, podíamos recordar a verticalidade e o sentimento de pertença à pátria também demonstrada pela nossa atleta-mor, Lurdes Mutola, quando, no auge da sua carreira, quiseram que mudasse de nacionalidade, ela terminantemente recusou e se manteve moçambicana até ao fim da carreira. Obrigado Mia.

Alfredo DacalaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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