Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

SE vier a concretizar-se o salto que o novel político, Venâncio Mondlane, está para protagonizar, saindo do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) para a Renamo, estaremos a assistir uma realidade que, não sendo nova entre nós, tem todos os contornos da forma como a política é “professada” no Brasil.

 

De facto, no momento em que aquele país se prepara para acolher eleições para a escolha do Presidente da República, em Outubro, vários políticos estão a saltar de um partido para outro, sendo que este “outro” é aquele que se apresenta com melhores possibilidades, em termos de “raking” para assegurar que o seu candidato dispute a eleição com garantias de sucesso.

A mudança de legenda, como os brasileiros dizem, que Mondlane se prepara para fazer tem, também, como pano de fundo as eleições autárquicas de Outubro. Pelo alvoroço, pela efervescência que provoca, Outubro que aí vem lembra-nos a Revolução Bolchevique ou Revolução Vermelha de 1917 que, como se sabe, mudou a Rússia. Entretanto, se for verdade que Venâncio Mondlane havia sido convidado pelo agora falecido líder da Renamo, fica a dúvida: o convite será matido? O que pensará a nova liderança da Renamo quanto ao impacto em termos de ser ou não uma mais-valia para o partido a chegada do novo militante.

Entre os muitos candidatos que vão disputar a presidência brasileira em Outubro existem sete que apresentam contornos dignos de um filme de ficção. Os protagonistas, cientes das dificuldades que encontrariam se “teimassem” em seguir sob a umbrela dos seus partidos tradicionais, decidiram-se por mudanças, partindo para organizações que lhes oferecem maiores possibilidades de projecção, para a partir daí granjearem as simpatias do eleitorado. Tentando explicar a coisa: no Brasil, um partido com poucos deputados beneficia de muito pouco tempo de campanha política através dos meios como a televisão e rádio. Perante esta realidade, os sete, antes militantes de partidos com representação mínima no parlamento, optaram por partidos com maior número de parlamentares.

Jair Bolsonaro, antes membro do PSC (Partido Social Cristão), saltou agora para PSL (Partido Social Liberal). Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, decidiu filiar-se ao Partido Social Brasileiro para poder concorrer ao cargo de presidente do Brasil. Aldo Rebelo filiou-se ao Partido Solidariedade após abandonar o PcdoB (Partido Comunista do Brasil). Pelo mesmo motivo, Álvaro Dias trocou o Partido Verde (PV) pelo PODEMOS. Rodrigo Maia rompeu com o PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro), indo aderir ao DEM (Democratas). Por seu turno, o actual presidente basileiro Michel Temer filiou-se ao MDB para lutar pela eleição após ter abandonado o Partido Trabalhista. Vale lembrar que foi através deste que chegou a ser vice-presidente de Dilma Rousseff. Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda filiou-se ao MDB (Movimento Democrático do Brasil), após abandonar o Partido Social Democrático.

Como se percebe pelo exposto acima, a forma como a política é praticada no Brasil é mesmo peculiar. São os seus interesses imediatistas que ditam as regras de cada candidato. Sabendo-se que os cargos políticos são importantes pontes para chegar aos objectivos pessoais, os políticos não olham a meios para lá chegarem. Os políticos brasileiros não diferem dos jogadores de futebol e de várias outras modalidades. Basta que se lhes apresente um contrato chorudo para, sem pestanejar, mudar de clube.

Venâncio Mondlane tornou-se político profissional não passam muitos anos, iniciando-se na Assembleia da Cidade de Maputo após conseguir votos para o efeito. O seu discurso inicial indiciava o nascimento de um político interessado em contribuir nos esforços para a resolução dos inúmeros problemas que afectam os cidadãos maputenses. Achando capaz de voos mais altos, concorreu para o Parlamento, “mandando passear” os eleitores que haviam confiado em si na capital do país. Para chegar aos dois “pódios”, serviu-se do Movimento Democrático de Moçamique (MDM).

 

 

Marcelino SilvaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

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