Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

Mubêdjo Wilson

Andamos todos os dias a reclamar pelas mesmas coisas, outras, talvez não se sabe se continuam a fazer sentido. Pela forma como se reclama, fica-se sempre com a ingrata sensação de que o que se pretende é mudar uma cidade por inteiro.

A cidade de Maputo, por mais que queiramos, não nos parece que ofereça muita solução para que venha a mudar do jeito e pela forma como muitos pretenderiam. Mudar até pode mudar, mas representaria custos elevados, que nos parece estejam muitíssimo longe dos cofres da autarquia.

Uma cidade concebida no século passado, com todas as limitações que se reconhece em termos de espaço, pede-se agora para que ela se ajuste aos padrões de uma urbe modernizada, comparada aos grandes assentamentos que foram sendo construídos desde que iniciamos o século XXI. Estamos na primeira metade do ano de 2018, nunca nos damos a atenção de olhar para Maputo do século passado, quando foi concebida como cidade, mas exigimos que tenha as mesmas condições de uma cidade moderna.

Olhando como exemplo os prédios que existem na Avenida Vladimir Lenine, resulta uma mostra de que são muito poucas as hipóteses que restam para Maputo mudar como tantos de nós gostaríamos que fosse.

Admitindo que um prédio de 15 andares tem aproximadamente três dezenas de “flats”, adicionando ainda os terraços, podemos contabilizar entre 30 a 40 viaturas pertencentes aos inquilinos do imóvel. No final do dia vamos ter as viaturas dos inquilinos estacionadas no passeio frontal do prédio, roubando espaço para os transeuntes, tudo porque a cidade não foi concebida com “silos auto”.

Numa cidade do século em que nos encontramos, todos os edifícios contemplariam “silo auto” e este tipo de engenharia tem resolvido de longe o problema de estacionamento que Maputo enfrenta e de que maneira, por culpa de ter sido concebida noutros tempos que não os modernos. Aqui demos o exemplo de uma família de nove pessoas, que vive em Magoanine-C, vulgo “Matendene”, que pelo facto de não ter espaço no quintal, cada um dos nove membros do agregado estaciona o respectivo carro em frente ao seu talhão.

Não estamos em crer que, nesta altura, a solução para o estacionamento passasse pela demolição do Jardim Tunduru, um importantíssimo “pulmão verde” da Cidade das Acácias, para naquele espaço se erguer um gigantesco “silo auto”, quem sabe com quase cinquenta andares.

Quando dizemos que mudar está muito longe da capacidade dos cofres da autarquia é porque admitimos que seria necessário implodir uma série de edifícios da nossa cidade e nos respectivos lugares construir novos e modernos prédios, com espaços para o estacionar carros inclusos. Esta solução representaria muito dinheiro, como seria de despender se tivéssemos que embarcar pela construção de viadutos por cima dos nossos bairros suburbanos se quiséssemos solucionar o problema de congestionamento das actuais estradas da nossa capital.

A solução de Maputo passa por conceber uma cidade alternativa, sabe-se lá agora em que espaço que não representaria novos e elevados custos, visto que a actual não nos oferece muitas hipóteses de mudar em termos físicos. Temos que nos conformar perante o facto de o problema de estacionamento poder vir a representar uma pedra no “nosso sapato” por muitos e não poucos anos.

Mubêdjo Wilson

 

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