Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

TODOS os anos, quando chega a vez da colheita, os produtores se queixam de ter produzido o bastante, mas terem sido roubados por aqueles que se apresentam à sua frente como comerciantes e que lhes querem comprar o que foi produzido.

Normalmente, o produtor fixa um preço para os seus produtos, imediatamente regateado por quem quer comprar. Seria normalíssimo se o comerciante agisse no habitual mecanismo de regateio comercial, com margens razoáveis. Mas pelo que os produtores dizem, o que este quer, é ficar com “toda a parte do leão da produção” e não dando margem de manobra ao produtor.

Isto é, o comerciante fixa os seus preços muito baixos e nem sequer quer saber do que o produtor desembolsou, investindo na compra de sementes, no aluguer de máquinas ou de animais, não quer saber do quanto gastou para produzir, o que agora quer vender.

“Vende-me por este valor ou vou-me embora comprar para outro lado”, é o que dizem. E isto tem sido frequente em várias regiões deste país, desde Chókwè até Mandimba, desde Marínguè, Chibabava até Pebane, Mogovolas, Chiúre e por aí fora.

Há gente que se aproveita do facto de rarearem, por este país fora, vias de acesso em condições e formam cartéis para espoliar quem de facto produz, com o argumento de que o camião que chega aqui gasta muito de combustível e peças e não pode aceitar carregar determinada mercadoria a bagatela.

Por isso, o produtor é espoliado e em vez de aumentar as suas áreas de cultivo na campanha seguinte, coça a cabeça, quando pensa que vai produzir para alguém vir, com um camião, buscar o produto de borla ou a um preço de banana.

Esses choros de produtores têm sido cíclicos em cada campanha. Por exemplo, no fim da campanha passada determinados produtores duma zona no Niassa estavam em “bate-boca” com os comerciantes que lhes queriam comprar a produção, porque o dinheiro proposto para a compra era, segundo eles, tão pouco que nem compensava os custos da sua produção, chegando até à situação de estar abaixo do valor de venda aplicado no ano anterior.

Os produtores achavam melhor armazenar o produto até chegar quem comprasse até a um determinado valor ou caso não chegasse alguém que comprasse ao valor que queriam, não haviam de vender nessa época.

Quem queria comprar argumentava com o facto de ser difícil chegar até àquela zona, por falta de vias de acesso compatíveis, agravado com o facto de ter chovido bastante nessa época.

Situação idêntica verificou-se no distrito de Chibabava, onde se dizia também que tinha chovido bastante durante o tempo de colheita e os comerciantes queriam fazer o seu preço, em vez do que fazia quem de facto tinha produzido.

Quem não se recorda dos produtores que sofriam com o seu tomate vindo de Chókwè aqui no mercado grossista do Zimpeto, porque eram impedidos de vender directamente o seu produto por “gai-gais”, que fixavam preços à sua maneira e obrigavam os produtores a alinharem, sob o argumento de que se “não nos deixa vender ao nosso preço não vais vender nada aqui”? E se não quisesse, não lhe deixava vender e se alinhasse era espoliado. E eles é que ficavam com o esforço e suor de produtor. Eles é que comiam “a parte do leão”.

Por isso é que há produtores que ainda choram pelos áureos tempos da AGRICOM, quando esta intervinha directamente na comercialização agrícola com o produtor, sendo ela o grande comerciante, o que fazia com que a justeza dos preços fosse a regra básica do negócio, não a situação actual, em que quem consegue ir mais longe no terreno, calcorreando vias difíceis de se fazer, recolhe tudo por nenhum preço e vem fazer grandes fortunas nas grandes cidades. Na lei da selva, tudo fica com os intermediários.

Alfredo DacalaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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